Depois do concerto em Liverpool no mítico club "the Cavern" os "Plastica" vêm editado em Espanha o seu ultimo album de originais, "the red light underground".
Tendo em conta esta edição pela "Liliput records" e a distribuição a cargo da "El diablo", os Plastica preparam-se para a apresentação ao vivo na capital do país vizinho, numa tambem emblemática sala de Madrid, a sala Staff (14 de Dezembro).
Tambem ainda dia 14 a banda toca "unplugged" para um canal de televisão "Telemadrid" e dia 15 um concerto para a TVE canal2 e, dia 16 é vez de apresentação na principal FNAC de Madrid (fnac callao) e dia 17 o regresso a Portugal para o ultimo concerto do ano, desta vez em Lisboa na Praça Sony na tenda "funfej."pela 16.00h
Este é o resultado de um trabalho desenvolvido pela banda com o objectivo de se internacionalizar, e assim continuar a perseguir um sonho.
Contactos:
www.plasticamusic.com
plastica@plasticamusic.com
www.discosliliput.com
www.amigosdeldiablo.com
9.12.04
24.11.04
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 47/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 4 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
11º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
13º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
16º CINEMA (OU) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
27º CANÇÕES DA NOSSA ESCOLA - OS PATINHOS (VIDISCO/VIDISCO)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
11º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
13º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
16º CINEMA (OU) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
27º CANÇÕES DA NOSSA ESCOLA - OS PATINHOS (VIDISCO/VIDISCO)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
23.11.04
RMC - Mais!... no Hard Club!
De volta ao Hard Club e ao RockMusic Challenge!... Mais uma vez, atraso-me. Nem tento desculpar-me. O dia foi cansativo e stressar no fim-de-semana é até pecado!... Mas fui! Fui à 2ª eliminatória do RMC 2004 e foi com satisfação que encontrei aquele lugar mais preenchido de gente e mais vazio de espaços… Não sei se eram apoiantes desta ou daquela banda, se transeuntes, se simples amantes da música, fiéis apenas aos limites, que se estendem a cada momento, e que desvendam mais um detalhe de uma arte infinita. Estavam mais!
A noite estava fria… A respiração aquecia um espaço aparentemente grande para bandas de públicos pequenos, e a cumplicidade de se ser sensível a revelações misturava-se na mistura de expirações entrelinhas… Snail, Wise Womb e Daguida são os protagonistas da primeira parte de um argumento refractário a fórmulas ou combinações… E, como qualquer protagonista que se preze, sublinham entusiasticamente os traços excêntricos que delineiam a sua identidade. O exotismo do nome que se quer evidente mais do que nunca naquele momento de palco! O tal episódio que acontece debaixo de luzes, mas que são escassos minutos, de dias, meses, anos de experiências, aventuras e desventuras, entusiasmos e desânimos… O “show” é assim! Um flash de luz!
É curioso observar o público… feito de alguns repetentes da outra eliminatória (Não! Não sou a única!), feito de outros “músicos” mais ou menos anónimos, feito de amigos apoiantes, e amigos de amigos, e... Alguns conhecem uma das bandas, muito poucos conhecem mais do que uma, provavelmente ninguém consegue trautear as músicas, o móbil de cada um é uma incógnita susceptível das mais extravagantes especulações… O Hard Club estava vivo! Sem grandes festarolas mas com um entusiasmo calmo, que fluía livremente entre a massa humana…
E quando entram os Sloppy Joe, depois de um intervalo que dá o tempo de passar pelo bar e duas de treta, os ânimos reacendem-se, provavelmente agora com uma espontaneidade maior, não fosse esta banda responsável por alguns dos temas que passam repetidamente nas nossas rádios! Uma banda nacional, legitimamente a prosperar no panorama nacional, com uma fórmula interessante e inovadora… O “reggae” a servir de pano de fundo a temas felizes e bem construídos, numa linha coerente e aventureira. O público salta com eles, e Marta Ren conquista até um céptico, com a sua voz enleada, a pronúncia marcada, o sorriso fácil… Os “little monsters”, dançam entre os mais novos com o furor de música “cool”! Aqui e ali vejo muitos a acompanharem! Sabem as letras de cor e o corpo discorre sozinho… a música é daquelas que se entranha…
Duas noites de RMC que se pintaram de cores diferentes, que se estenderam em formas tão dispares… Fragmentos comuns que se combinam à medida de cada uma das formações que ali desfilaram… E confesso que me rendo ao teclado, para traduzir momentos que aquelas bandas de originais coloriram, com um prazer enlevado… Uma forma de reviver cada gesto, cada emoção… sustentado na divergência de sonoridades e interpretações que se exploram ali, e que estendem um manto de imagens novas, emergem-nos num aposento de sensações insondadas, infligindo uma introspecção quase inconsciente, mas irrefragável pelos seus efeitos…
A música nacional existe! A música nacional tem qualidade! As oportunidades não são muitas, mas já são mais! E de mais qualidade! O importante é que haja força para continuar!... Porque o homem continua a sonhar! E quando o homem sonha, a música acontece!
Walkgirl
A noite estava fria… A respiração aquecia um espaço aparentemente grande para bandas de públicos pequenos, e a cumplicidade de se ser sensível a revelações misturava-se na mistura de expirações entrelinhas… Snail, Wise Womb e Daguida são os protagonistas da primeira parte de um argumento refractário a fórmulas ou combinações… E, como qualquer protagonista que se preze, sublinham entusiasticamente os traços excêntricos que delineiam a sua identidade. O exotismo do nome que se quer evidente mais do que nunca naquele momento de palco! O tal episódio que acontece debaixo de luzes, mas que são escassos minutos, de dias, meses, anos de experiências, aventuras e desventuras, entusiasmos e desânimos… O “show” é assim! Um flash de luz!
É curioso observar o público… feito de alguns repetentes da outra eliminatória (Não! Não sou a única!), feito de outros “músicos” mais ou menos anónimos, feito de amigos apoiantes, e amigos de amigos, e... Alguns conhecem uma das bandas, muito poucos conhecem mais do que uma, provavelmente ninguém consegue trautear as músicas, o móbil de cada um é uma incógnita susceptível das mais extravagantes especulações… O Hard Club estava vivo! Sem grandes festarolas mas com um entusiasmo calmo, que fluía livremente entre a massa humana…
E quando entram os Sloppy Joe, depois de um intervalo que dá o tempo de passar pelo bar e duas de treta, os ânimos reacendem-se, provavelmente agora com uma espontaneidade maior, não fosse esta banda responsável por alguns dos temas que passam repetidamente nas nossas rádios! Uma banda nacional, legitimamente a prosperar no panorama nacional, com uma fórmula interessante e inovadora… O “reggae” a servir de pano de fundo a temas felizes e bem construídos, numa linha coerente e aventureira. O público salta com eles, e Marta Ren conquista até um céptico, com a sua voz enleada, a pronúncia marcada, o sorriso fácil… Os “little monsters”, dançam entre os mais novos com o furor de música “cool”! Aqui e ali vejo muitos a acompanharem! Sabem as letras de cor e o corpo discorre sozinho… a música é daquelas que se entranha…
Duas noites de RMC que se pintaram de cores diferentes, que se estenderam em formas tão dispares… Fragmentos comuns que se combinam à medida de cada uma das formações que ali desfilaram… E confesso que me rendo ao teclado, para traduzir momentos que aquelas bandas de originais coloriram, com um prazer enlevado… Uma forma de reviver cada gesto, cada emoção… sustentado na divergência de sonoridades e interpretações que se exploram ali, e que estendem um manto de imagens novas, emergem-nos num aposento de sensações insondadas, infligindo uma introspecção quase inconsciente, mas irrefragável pelos seus efeitos…
A música nacional existe! A música nacional tem qualidade! As oportunidades não são muitas, mas já são mais! E de mais qualidade! O importante é que haja força para continuar!... Porque o homem continua a sonhar! E quando o homem sonha, a música acontece!
Walkgirl
20.11.04
17.11.04
Ao Vivo: "RMC - Hard Club"
Passou-se algum tempo… bastante tempo mesmo! Por isso não podia deixar de, antes de qualquer outra frase, agradecer a todos os que continuam a marcar presença neste blogue. São essas palavras, de apoio ou censura, de carinho ou revolta, por sentirem a falta das nossas palavras ou por simplesmente estarem fartos dela, que fazem mais do qualquer outra coisa, este Canal Maldito! Obrigada…
Estou a escrever enquanto ouço Pearl Jam, “Live at Benaroya Hall”… Não é banda nacional (sorry!), mas é um “ao vivo”… faz o seu sentido!
Não é pelos Pearl Jam que voltei a deixar os meus dedos percorrerem as teclas em busca das palavras que desfilam morosamente no meu pensamento! São os concertos… os concertos que ultimamente não têm feito parte dos meus dias, das minhas semanas… E que inevitavelmente também me afastam desta página! A vida obriga-nos a opções!
Na passada 6ª feira fui ao Hard Club, assistir à primeira eliminatória do Rockmusic Challenge. O ano passado decorreu no Maus Hábitos. Este ano evolui, deu um passo em frente (invertendo tantas correntes) e mudou-se de malas e bagagens para o mítico Hard Club! O cenário da música! Não podia deixar em branco os momentos (ainda que poucos… atrasei-me, confesso!) que ali vivi, num regresso sentido… a um lugar, a um ambiente feito de tantos pormenores… a uma quase forma de vida… Walking girl! J
O palco… as luzes… uma banda… emoções, silêncios, olhares… rostos estranhos e familiares… arrepios e aragens quentes! Cheguei a tempo apenas de ouvir a última banda da noite a concurso! O suficiente para lamentar o que perdi! E porque não seria justo não vou estender descrições sobre qualquer uma!
Mais do que qualquer outro facto, destaca-se a vontade que acontece naquelas paredes e em cada lacuna de espaço, onde o ar se passeia… entre notas musicais, e suspiros, e o calor dos corpos que se deixam envolver! Um convite a assistir ao despoletar de novas estruturas, de conhecer rostos que amam a música, que amam a estrada e a aventura de ser banda de garagem um ano inteiro, e que uma ou outra noite saem (ou não!) das paredes de um qualquer lugar recôndito para subir ao palco… Rostos, que procuram rostos, olhares atentos, sentidos despertos e disponíveis para a música a que se dedicam no anonimato! Música alternativa, de excelência, com ingredientes nacionais, e influências de todo o mundo…
A banda convidada, Loto! O lado A deste evento, fecha a noite com chave de ouro! Já oportunamente escrevi sobre os Loto, que no Tertúlia Castelense puseram uma sala a dançar. Ali não foi diferente! Ninguém fica indiferente à simpatia autêntica de uma banda, que faz da sua música uma verdadeira festa! Sem complexos, sem artifícios, sem bolas de sabão, nem coloridos vivazes! A dança palpita em cada pulsação e os corpos mexem-se em ausências sucessivas! A ideia viaja e dá a volta ao mundo, à sala toda, e volta a si mesma para esboçar um sorriso! O público e a banda formam uma massa homogénea de boa disposição! Loucura!...
O tempo não espera… Talvez por isso é que o ditado diga que não se deve voltar ao lugar onde fomos felizes… Aquilo que lá encontramos depois, é inevitavelmente diferente… Em nós ou fora de nós!... Mas a música não é um lugar… E voltar a estar com a música fez simplesmente diluir todo o tempo que passou desde o meu último “ao vivo”! As emoções estão lá sempre! Vivê-las é ir!... Por isso, fica o convite a passarem pelo Hard Club, e a assistirem ao Rock Music Challenge… O apoio à música nacional também passa por aí!
Walkgirl
Estou a escrever enquanto ouço Pearl Jam, “Live at Benaroya Hall”… Não é banda nacional (sorry!), mas é um “ao vivo”… faz o seu sentido!
Não é pelos Pearl Jam que voltei a deixar os meus dedos percorrerem as teclas em busca das palavras que desfilam morosamente no meu pensamento! São os concertos… os concertos que ultimamente não têm feito parte dos meus dias, das minhas semanas… E que inevitavelmente também me afastam desta página! A vida obriga-nos a opções!
Na passada 6ª feira fui ao Hard Club, assistir à primeira eliminatória do Rockmusic Challenge. O ano passado decorreu no Maus Hábitos. Este ano evolui, deu um passo em frente (invertendo tantas correntes) e mudou-se de malas e bagagens para o mítico Hard Club! O cenário da música! Não podia deixar em branco os momentos (ainda que poucos… atrasei-me, confesso!) que ali vivi, num regresso sentido… a um lugar, a um ambiente feito de tantos pormenores… a uma quase forma de vida… Walking girl! J
O palco… as luzes… uma banda… emoções, silêncios, olhares… rostos estranhos e familiares… arrepios e aragens quentes! Cheguei a tempo apenas de ouvir a última banda da noite a concurso! O suficiente para lamentar o que perdi! E porque não seria justo não vou estender descrições sobre qualquer uma!
Mais do que qualquer outro facto, destaca-se a vontade que acontece naquelas paredes e em cada lacuna de espaço, onde o ar se passeia… entre notas musicais, e suspiros, e o calor dos corpos que se deixam envolver! Um convite a assistir ao despoletar de novas estruturas, de conhecer rostos que amam a música, que amam a estrada e a aventura de ser banda de garagem um ano inteiro, e que uma ou outra noite saem (ou não!) das paredes de um qualquer lugar recôndito para subir ao palco… Rostos, que procuram rostos, olhares atentos, sentidos despertos e disponíveis para a música a que se dedicam no anonimato! Música alternativa, de excelência, com ingredientes nacionais, e influências de todo o mundo…
A banda convidada, Loto! O lado A deste evento, fecha a noite com chave de ouro! Já oportunamente escrevi sobre os Loto, que no Tertúlia Castelense puseram uma sala a dançar. Ali não foi diferente! Ninguém fica indiferente à simpatia autêntica de uma banda, que faz da sua música uma verdadeira festa! Sem complexos, sem artifícios, sem bolas de sabão, nem coloridos vivazes! A dança palpita em cada pulsação e os corpos mexem-se em ausências sucessivas! A ideia viaja e dá a volta ao mundo, à sala toda, e volta a si mesma para esboçar um sorriso! O público e a banda formam uma massa homogénea de boa disposição! Loucura!...
O tempo não espera… Talvez por isso é que o ditado diga que não se deve voltar ao lugar onde fomos felizes… Aquilo que lá encontramos depois, é inevitavelmente diferente… Em nós ou fora de nós!... Mas a música não é um lugar… E voltar a estar com a música fez simplesmente diluir todo o tempo que passou desde o meu último “ao vivo”! As emoções estão lá sempre! Vivê-las é ir!... Por isso, fica o convite a passarem pelo Hard Club, e a assistirem ao Rock Music Challenge… O apoio à música nacional também passa por aí!
Walkgirl
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 46/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 4 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
11º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
12º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
18º CINEMA (OU) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
28º BOM DIA - PLUTO (POLYDOR/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
11º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
12º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
18º CINEMA (OU) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
28º BOM DIA - PLUTO (POLYDOR/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
27.10.04
U outro lado do espelho
[O tema deste mês estava escolhido há muito, mas, com o Tejo próximo de mim, deixei as vendas da música digital na gaveta e a caneta deslizou para outros assuntos. Morreu John Peel, lendário DJ da rádio deste mundo (“Peel Sessions”, diz-vos alguma coisa?), e a música está de luto carregado… que me desculpem, hoje vou para outros Oceanos!]
A teia que a vida tece tem factores bons e menos bons que se entrelaçam em experiências que ficam e se recordam para sempre. Hoje, não me apetece escrever sobre a nossa indústria nem sobre nada que envolva rádios ou afins. Vai ser uma crónica real, sem quaisquer pensamentos especiais que não sejam a admiração e a amizade. Como já perceberam, não vou desbobinar acerca de playlists, nem acerca de vendas. Irei mergulhar noutras águas, certamente mais importantes (para mim, claro!), porquanto, intimistas. No canalmaldito escrevem vários amigos, incluindo 2 músicos, aos quais reconheço méritos indiscutíveis. A ordem dos textos é aleatória.
I
Não me recordo muito bem de quando o conheci, mas, creio que terá sido por finais dos anos 80 e lembro-me, perfeitamente, da primeira vez que o vi agarrado a uma guitarra. Estávamos no ano de 1990, dia 25 de Julho (feriado no meu Concelho), e os UHF haviam gravado um concerto ao vivo no dia 13 anterior. Fui ao escritório dos UHF entrevistar o António Manuel Ribeiro e a conversa seguiu em amena cavaqueira pelo fim de tarde, início de noite (memorável, contudo isso pertence a outras histórias), enquanto o seu filho, António Côrte-Real (Toninho, para os amigos), sentado no chão do escritório, dedilhava umas notas soltas. Em determinada altura, reparei nele e gerei risadas, perguntando ao António Manuel Ribeiro se ensaiava para os UHF... Passaram uns anos e dou com o Toninho como guitarrista dos UHF.
Quando este blogue surgiu, foi dos primeiros a aceitar o desafio e tem feito de tudo para ajudar e divulgar novos projectos musicais. Algumas das coisas são visíveis, embora a grande maioria sejam executadas no recato da invisibilidade. Como músico dos UHF, já marcou uma época nas guitarras e, fora do palco, passei a admirá-lo pela enorme dedicação com que se entrega à causa da música. A dedicação é tanta que quase roça a obstinação doentia. As ideias fervilham e são dezenas os emails que vou recebendo com projectos, com iniciativas de valor. Infelizmente, nem sempre consegue obter as respostas que merecia, sobretudo de colegas que funcionam em comprimentos de onda diferentes.
O Toninho não inveja a arte alheia e tem uma energia inata que o torna numa força da natureza.
Por vezes, olho para ele e penso que todos os músicos, todas as pessoas deste País, deviam ser assim: Determinadas e Profissionais em tudo o que fazem.
Ele sabe e gosta de trabalhar com uma intensidade imprópria para o meio musical português. Tal como o pai, também ele parece ter nascido dentro da poção mágica!
II
Era sábado, algures, entre as 16 e as 18 horas, e estava em estúdio a fazer o programa "Rock de cá", em directo, quando surgiu um rapaz, que não conhecia, acompanhado pelo Orlando Angelino. Traziam uma cassete gravada de um ensaio do grupo desse miúdo – Ulisses de seu nome – e gostariam de ma mostrar. A minha primeira reacção foi curiosa: Afinal esperava escutar mais uma das desgraças habituais que todas as semanas recebia pelos CTT, mas não! Apesar do som ser muito mau (um gravador no centro da sala de ensaios não faz milagres) a linha punk-rock dos k2o3 já lá estava em embrião. Surpreso, disse-lhe que tinha bastante potencial!
O tempo passou, a evolução foi estrondosa e a amizade foi crescendo.
Cheguei a ser manager do seu grupo e, com eles, entrei em estúdio, pela El-Tatu, com Tim, dos Xutos, a produzir. Durante 2 anos, passámos momentos únicos na estrada e nas mesas de cafés, bares e restaurantes, montando e desmontando ideias e projectos, sonhos, utopias e realidades. Os k2o3 são como família para mim. Na hora do reencontro é sempre uma festa.
O Ulisses é um génio criativo que tarda em ser reconhecido. Compõe punk-rock, sim, e muito mais do que isso, sempre de forma excepcional, o que o tornaria um excelente compositor para outros artistas ou em projectos paralelos. Poucos conhecem essa faceta.
Simultaneamente, reconheço nele capacidades de produtor que devia explorar mais – música onde toque fica com valor acrescentado…
O Ulisses é, para mim, o irmão que não tenho. Porém, esta opinião sobre o seu valor e sobre o seu potencial artístico é absolutamente independente da relação pessoal. Aliás, vejam-se os prémios internacionais que tem recebido como copy writer.
Sobre o futuro nada sei, ninguém sabe. Pode ser que lhe suceda o mesmo que ao Abrunhosa e, num instante, “rebente” no Verão de um ano qualquer… ele merece e a música portuguesa ficaria mais rica!
Luís Silva do Ó
A teia que a vida tece tem factores bons e menos bons que se entrelaçam em experiências que ficam e se recordam para sempre. Hoje, não me apetece escrever sobre a nossa indústria nem sobre nada que envolva rádios ou afins. Vai ser uma crónica real, sem quaisquer pensamentos especiais que não sejam a admiração e a amizade. Como já perceberam, não vou desbobinar acerca de playlists, nem acerca de vendas. Irei mergulhar noutras águas, certamente mais importantes (para mim, claro!), porquanto, intimistas. No canalmaldito escrevem vários amigos, incluindo 2 músicos, aos quais reconheço méritos indiscutíveis. A ordem dos textos é aleatória.
I
Não me recordo muito bem de quando o conheci, mas, creio que terá sido por finais dos anos 80 e lembro-me, perfeitamente, da primeira vez que o vi agarrado a uma guitarra. Estávamos no ano de 1990, dia 25 de Julho (feriado no meu Concelho), e os UHF haviam gravado um concerto ao vivo no dia 13 anterior. Fui ao escritório dos UHF entrevistar o António Manuel Ribeiro e a conversa seguiu em amena cavaqueira pelo fim de tarde, início de noite (memorável, contudo isso pertence a outras histórias), enquanto o seu filho, António Côrte-Real (Toninho, para os amigos), sentado no chão do escritório, dedilhava umas notas soltas. Em determinada altura, reparei nele e gerei risadas, perguntando ao António Manuel Ribeiro se ensaiava para os UHF... Passaram uns anos e dou com o Toninho como guitarrista dos UHF.
Quando este blogue surgiu, foi dos primeiros a aceitar o desafio e tem feito de tudo para ajudar e divulgar novos projectos musicais. Algumas das coisas são visíveis, embora a grande maioria sejam executadas no recato da invisibilidade. Como músico dos UHF, já marcou uma época nas guitarras e, fora do palco, passei a admirá-lo pela enorme dedicação com que se entrega à causa da música. A dedicação é tanta que quase roça a obstinação doentia. As ideias fervilham e são dezenas os emails que vou recebendo com projectos, com iniciativas de valor. Infelizmente, nem sempre consegue obter as respostas que merecia, sobretudo de colegas que funcionam em comprimentos de onda diferentes.
O Toninho não inveja a arte alheia e tem uma energia inata que o torna numa força da natureza.
Por vezes, olho para ele e penso que todos os músicos, todas as pessoas deste País, deviam ser assim: Determinadas e Profissionais em tudo o que fazem.
Ele sabe e gosta de trabalhar com uma intensidade imprópria para o meio musical português. Tal como o pai, também ele parece ter nascido dentro da poção mágica!
II
Era sábado, algures, entre as 16 e as 18 horas, e estava em estúdio a fazer o programa "Rock de cá", em directo, quando surgiu um rapaz, que não conhecia, acompanhado pelo Orlando Angelino. Traziam uma cassete gravada de um ensaio do grupo desse miúdo – Ulisses de seu nome – e gostariam de ma mostrar. A minha primeira reacção foi curiosa: Afinal esperava escutar mais uma das desgraças habituais que todas as semanas recebia pelos CTT, mas não! Apesar do som ser muito mau (um gravador no centro da sala de ensaios não faz milagres) a linha punk-rock dos k2o3 já lá estava em embrião. Surpreso, disse-lhe que tinha bastante potencial!
O tempo passou, a evolução foi estrondosa e a amizade foi crescendo.
Cheguei a ser manager do seu grupo e, com eles, entrei em estúdio, pela El-Tatu, com Tim, dos Xutos, a produzir. Durante 2 anos, passámos momentos únicos na estrada e nas mesas de cafés, bares e restaurantes, montando e desmontando ideias e projectos, sonhos, utopias e realidades. Os k2o3 são como família para mim. Na hora do reencontro é sempre uma festa.
O Ulisses é um génio criativo que tarda em ser reconhecido. Compõe punk-rock, sim, e muito mais do que isso, sempre de forma excepcional, o que o tornaria um excelente compositor para outros artistas ou em projectos paralelos. Poucos conhecem essa faceta.
Simultaneamente, reconheço nele capacidades de produtor que devia explorar mais – música onde toque fica com valor acrescentado…
O Ulisses é, para mim, o irmão que não tenho. Porém, esta opinião sobre o seu valor e sobre o seu potencial artístico é absolutamente independente da relação pessoal. Aliás, vejam-se os prémios internacionais que tem recebido como copy writer.
Sobre o futuro nada sei, ninguém sabe. Pode ser que lhe suceda o mesmo que ao Abrunhosa e, num instante, “rebente” no Verão de um ano qualquer… ele merece e a música portuguesa ficaria mais rica!
Luís Silva do Ó
26.10.04
The Fingertrips apresentam "Whisky" ao vivo
Os The Fingertrips (banda do nosso cronista Purple) apresentam-se ao vivo no próximo dia 1 de Novembro, pelas 23.00h no Hard Rock Café - Lisboa para dar a conhecer o novo single intitulado Whisky e produzido por Rodolfo Cardoso.
Este será o primeiro espectáculo da digressão de Inverno que está em fase de agendamento. As datas e os locais serão oportunamente divulgados.
A banda aproveitará a sua deslocação a Lisboa para marcar presença na Antena 3 a partir das 18.00h.
Este será o primeiro espectáculo da digressão de Inverno que está em fase de agendamento. As datas e os locais serão oportunamente divulgados.
A banda aproveitará a sua deslocação a Lisboa para marcar presença na Antena 3 a partir das 18.00h.
19.10.04
Concurso de Egos
Em primeiro lugar um pedido de desculpas pela não aparição no passado mês, falha especialmente grave atendendo ao primeiro aniversário daquele que responde pelo cognome de agitador de águas, o de todos nós, Canal Maldito.
Agenda carregada todos temos, a minha ditava desdobrar-me em tarefas múltiplas, com colegas de férias e rádios para trabalhar. Como por aqui não estive foi mesmo de todo, daí que não tenha visto em tempo real reacções a escritos anteriores. Passadas que estão algumas semanas, parecem-me exageradas e respostas de calor do momento, respeitando, contudo, se forem mantidas. Continuo a achar que quem dá a cara tem de ser respeitado nesse facto. Bem sei que – como censura não há – e tempo cada vez menos os administradores do Canal não podem andar sempre a retirar comentários, ainda que estes tenham alguma carga de ofensabilidade na óptica dos cronistas. A tais comentários é dar-lhes indiferença, dado que também por aqui passam frustrados da rádio e da música, à semelhança do que acontecia no que de mau tinha a Telefonia Virtual e que ainda agora tem a Telefonia Real . Há muito quem não resista a enviar umas atordoadas a coberto do pretenso anonimato, quando, se aparecesse de boa fé, seria tão mais fácil enviar um e-mail a um de nós que não foi suficientemente claro ou quando se lê e não se compreende inteiramente o que está escrito. Devemos respeitar-nos a nós mesmos e aos outros.
Tudo e também o mundo da nossa música portuguesa melhor funcionaria se a tolerância e o respeito pelas diferentes opiniões e formas de encarar as coisas fosse a tónica. A virtude da diversidade.
As personagens, os mitos e as Instituições têm esta coisa lixada de serem únicos. Só existem uns Nirvana, uns Chiclete, um Jim Morrison, um Sexo dos Anjos, um CMR e um novo fôlego de cada vez.
Temos egos de todos os tamanhos e com toda a espécie de expansibilidade. Sei que não tenho dos mais pequenos, restando-me um falso consolo de existirem maiores.
Se, mantendo as suas características, os egos se juntarem sem radicalismos que chateiam até quem os tem, até chego ao ponto que julgo saudável de acreditar que vamos lá, a um ritmo que se há-de ver. Assim, penso que a divulgação da música portuguesa (que mais não é do que uma etapa de toda a indústria ou concretização de arte, para o caso tanto faz) passa cada vez mais por uma focagem equilibrada e articulada entre as bandas ou artistas, as editoras, a televisão, a rádio e as entidades que promovem e oferecem ao público a possibilidade de assistir ou não a um bom concerto de música portuguesa.
Isto para se acabar de vez com as grandes teorias que não resolvem problema algum à nossa música, as que dão conta dos pobrezinhos dos músicos que nem sequer o salário tiram fazendo o que gostam de fazer, dos “maus” da rádio que não tocam o disco, dos exploradores dos agentes, da intelectual editora, do frango assado e da batata frita de pacote quase a passar a validade. Sendo contra a generalização, reconheço que há quem trabalhe bem nesta ou naquela área, há quem não veja o seu talento reconhecido e temos também quem se mostre reticente em olear as dobradiças de portas que se querem abertas.
Convém dizer que quando falo em concurso de egos é no sentido de junção em termos de trabalho conjunto pela música portuguesa. Todos no tal lado certo que é o mesmo, com o fim último de apoiar a nossa música, sendo que ela também tem de fazer por si muito melhor do que tem feito até aqui.
Os 25 anos dos Xutos
Muito se escreveu acerca dos 25 anos e do último disco dos Xutos. Apenas digo que gosto mais do segundo single – “o mundo ao contrário” – do que do primeiro. Parabéns à banda por um aniversário que é um marco, tendo também como função pedagógica dar motivação aos que por cá estão há menos tempo. Afinal, tal como noutros casos, é possível.
Uma das festas da terra
Já aqui se falou do papel das autarquias país fora na promoção de espectáculos. Da postura que deveriam ter.
A Câmara de Santiago do Cacém – a minha terra natal – contratou – num rasgo de desespero de marketing, Tony Carreira, para a Feira do Monte deste ano. Resultado, milhares de pessoas vindas em autocarros de excursão oriundas de todas as zonas do país, pouca gente da cidade, numa decisão que numa lógica de come e foge nada acrescentou ao turismo ou ao bom gosto da casa. Como é que uma autarquia investe numa época de música planeada – Cerromaior – e depois faz destas? As bandas pop / rock da terra e arredores ficarão, mais uma vez, para outras núpcias.
O contexto
Sei que temos coisas boas de UHF e outros à espera da luz do dia, o que me deixa mais descansado.
Gostava que nos chegasse às mãos mais produção nacional minimamente capaz de tocar na rádio. Com uma sonoridade, que, não restringindo a criatividade de artistas e bandas, tivesse algo de comercial, de “orelhudo”, para que se faça vender a si mesma. O que tem vindo ultimamente é feito com gosto e em alguns casos com uma produção aceitável mas não passa do espectro alternativo, pouca oferta de pop / rock não pesado ou de algo que não entre apenas no mundo da fusão e do experimentalismo e que de âncora para quem escuta pouco tem. Orientem definitivamente a vossa produção para o grande público, não descurando as franjas que já se tem. Mandem as coisas para as televisões, para as rádios, imprensa escrita e para as autarquias, espero que esbarrem e se relancem na modéstia e na humildade de alguém que as saiba escutar, porque ouvir, qualquer um ouve.
Bruno Gonçalves Pereira
Agenda carregada todos temos, a minha ditava desdobrar-me em tarefas múltiplas, com colegas de férias e rádios para trabalhar. Como por aqui não estive foi mesmo de todo, daí que não tenha visto em tempo real reacções a escritos anteriores. Passadas que estão algumas semanas, parecem-me exageradas e respostas de calor do momento, respeitando, contudo, se forem mantidas. Continuo a achar que quem dá a cara tem de ser respeitado nesse facto. Bem sei que – como censura não há – e tempo cada vez menos os administradores do Canal não podem andar sempre a retirar comentários, ainda que estes tenham alguma carga de ofensabilidade na óptica dos cronistas. A tais comentários é dar-lhes indiferença, dado que também por aqui passam frustrados da rádio e da música, à semelhança do que acontecia no que de mau tinha a Telefonia Virtual e que ainda agora tem a Telefonia Real . Há muito quem não resista a enviar umas atordoadas a coberto do pretenso anonimato, quando, se aparecesse de boa fé, seria tão mais fácil enviar um e-mail a um de nós que não foi suficientemente claro ou quando se lê e não se compreende inteiramente o que está escrito. Devemos respeitar-nos a nós mesmos e aos outros.
Tudo e também o mundo da nossa música portuguesa melhor funcionaria se a tolerância e o respeito pelas diferentes opiniões e formas de encarar as coisas fosse a tónica. A virtude da diversidade.
As personagens, os mitos e as Instituições têm esta coisa lixada de serem únicos. Só existem uns Nirvana, uns Chiclete, um Jim Morrison, um Sexo dos Anjos, um CMR e um novo fôlego de cada vez.
Temos egos de todos os tamanhos e com toda a espécie de expansibilidade. Sei que não tenho dos mais pequenos, restando-me um falso consolo de existirem maiores.
Se, mantendo as suas características, os egos se juntarem sem radicalismos que chateiam até quem os tem, até chego ao ponto que julgo saudável de acreditar que vamos lá, a um ritmo que se há-de ver. Assim, penso que a divulgação da música portuguesa (que mais não é do que uma etapa de toda a indústria ou concretização de arte, para o caso tanto faz) passa cada vez mais por uma focagem equilibrada e articulada entre as bandas ou artistas, as editoras, a televisão, a rádio e as entidades que promovem e oferecem ao público a possibilidade de assistir ou não a um bom concerto de música portuguesa.
Isto para se acabar de vez com as grandes teorias que não resolvem problema algum à nossa música, as que dão conta dos pobrezinhos dos músicos que nem sequer o salário tiram fazendo o que gostam de fazer, dos “maus” da rádio que não tocam o disco, dos exploradores dos agentes, da intelectual editora, do frango assado e da batata frita de pacote quase a passar a validade. Sendo contra a generalização, reconheço que há quem trabalhe bem nesta ou naquela área, há quem não veja o seu talento reconhecido e temos também quem se mostre reticente em olear as dobradiças de portas que se querem abertas.
Convém dizer que quando falo em concurso de egos é no sentido de junção em termos de trabalho conjunto pela música portuguesa. Todos no tal lado certo que é o mesmo, com o fim último de apoiar a nossa música, sendo que ela também tem de fazer por si muito melhor do que tem feito até aqui.
Os 25 anos dos Xutos
Muito se escreveu acerca dos 25 anos e do último disco dos Xutos. Apenas digo que gosto mais do segundo single – “o mundo ao contrário” – do que do primeiro. Parabéns à banda por um aniversário que é um marco, tendo também como função pedagógica dar motivação aos que por cá estão há menos tempo. Afinal, tal como noutros casos, é possível.
Uma das festas da terra
Já aqui se falou do papel das autarquias país fora na promoção de espectáculos. Da postura que deveriam ter.
A Câmara de Santiago do Cacém – a minha terra natal – contratou – num rasgo de desespero de marketing, Tony Carreira, para a Feira do Monte deste ano. Resultado, milhares de pessoas vindas em autocarros de excursão oriundas de todas as zonas do país, pouca gente da cidade, numa decisão que numa lógica de come e foge nada acrescentou ao turismo ou ao bom gosto da casa. Como é que uma autarquia investe numa época de música planeada – Cerromaior – e depois faz destas? As bandas pop / rock da terra e arredores ficarão, mais uma vez, para outras núpcias.
O contexto
Sei que temos coisas boas de UHF e outros à espera da luz do dia, o que me deixa mais descansado.
Gostava que nos chegasse às mãos mais produção nacional minimamente capaz de tocar na rádio. Com uma sonoridade, que, não restringindo a criatividade de artistas e bandas, tivesse algo de comercial, de “orelhudo”, para que se faça vender a si mesma. O que tem vindo ultimamente é feito com gosto e em alguns casos com uma produção aceitável mas não passa do espectro alternativo, pouca oferta de pop / rock não pesado ou de algo que não entre apenas no mundo da fusão e do experimentalismo e que de âncora para quem escuta pouco tem. Orientem definitivamente a vossa produção para o grande público, não descurando as franjas que já se tem. Mandem as coisas para as televisões, para as rádios, imprensa escrita e para as autarquias, espero que esbarrem e se relancem na modéstia e na humildade de alguém que as saiba escutar, porque ouvir, qualquer um ouve.
Bruno Gonçalves Pereira
11.10.04
Disco: My Tie – The Prize (Blitz)
The Prize é um bom disco de canções Pop, onde o feeling prevalece acima de tudo.
Esta banda de Tomar mostra a sua dedicação no cuidado que tem a trabalhar os arranjos de cada instrumento, em função da canção. O conjunto faz o todo e assim é que deve ser!
Numa cruzada de melodias, sucedem-se as canções, que à terceira ou quarta audição já estão no ouvido.
Comprem este disco e vão descobrir uma nova banda, portuguesa e independente, que não conhecem e que vale mesmo a pena!
The Prize foi disponibilizado com o Blitz, por mais 7€, numa continuação da saga de edições do jornal nacional de música. Uma iniciativa de grande importância e valor incalculável para a nova música Portuguesa.
Contactos da banda:
Concertos – geral@mytie.info
Site – www.mytie.info
Blog – mytie.blogspot.com
António Côrte-Real
Esta banda de Tomar mostra a sua dedicação no cuidado que tem a trabalhar os arranjos de cada instrumento, em função da canção. O conjunto faz o todo e assim é que deve ser!
Numa cruzada de melodias, sucedem-se as canções, que à terceira ou quarta audição já estão no ouvido.
Comprem este disco e vão descobrir uma nova banda, portuguesa e independente, que não conhecem e que vale mesmo a pena!
The Prize foi disponibilizado com o Blitz, por mais 7€, numa continuação da saga de edições do jornal nacional de música. Uma iniciativa de grande importância e valor incalculável para a nova música Portuguesa.
Contactos da banda:
Concertos – geral@mytie.info
Site – www.mytie.info
Blog – mytie.blogspot.com
António Côrte-Real
6.10.04
O reverso da medalha
Pois é... este mês atraso-me um pouco, fruto do fim de semana prolongado. Afinal, eu também tenho direito.
Os The FingerTrips andam prestes a lançar um novo trabalho. Nada demais, desenganem-se. Nada de mega-projectos. Nada de álbums, nada de DVDs, nada de fotografias dos membros da banda em roupa interior. Nem tão pouco o anteriormente planeado "Tringle" com as tais 3 músicas. Nada disso.
Trabalhamos apenas num single. Uma música. Bem sei que ao ouvido final isso soará a pouco. Muito pouco. Então estes gajos tocam em tudo quanto é lado e passados 3 anos só têm 3 músicas editadas?! É.
A música chamar-se-á "Whisky" e deverá ter direito a um videoclip por altura do seu lançamento para as rádios. Não está planeada a sua venda. Nada para entregar em mãos aos fãs desta vez. Antes procuraremos fazer disto uma pequena prenda para todos os que gostam de nós e nos queiram ouvir. Será enviada para rádios e será distribuída gratuitamente a quem possa interessar, via internet. É pouco? É o que nos é permitido editar de momento.
Não estamos para hipotecar o nosso futuro enquanto banda e enquanto indivíduos para fazer um álbum que, ao fim e ao cabo, seria um risco. Poderia ser muito bem aceite e poderia ser a nossa ruína (sem que uma coisa invalidasse a outra). Poderíamos gravar um álbum. Lançar 5000 cópias no mercado. Ganhar aquele "estatuto" de banda com álbum. Ter uma medalha para mostrar e uma cicatriz nas costas a provar que a merecemos. Claro que, não tendo grandes meios financeiros para isso, a solução seria hipotecar uma parte do futuro da banda. Como outros o fazem, comprometer-nos-íamos a tocar umas quantas dezenas de concertos, algures pelo país, como forma de pagamento pelo investimento feito. Tocaríamos de borla, portanto, mas no fim ficaríamos com um trabalho nosso. Ah... Está bem. Mas... e seria assim tão bom quanto isso?!
Vejamos. Não toco pelo dinheiro, mas gostava de poder receber o suficiente para poder TOCAR por profissão. Não me parece que esse horizonte se aproxime em breve. Ainda assim, por brio e interesse em levar isto avante, não tocamos de borla (os amigos que o merecem vão gastando os seus créditos). Sabemos que o trabalho que iremos lançar, se correr bem, poderá dar mais um pequeno impulso aos The FingerTrips (dizer "catapultar" seria muito, não?). Mais exposição implicaria maior visibilidade, maior interesse por parte das promotoras de espectáculos e, consequentemente, melhores preços a serem pagos. Na escala em que nos encontramos, ressalve-se que os valores reverteriam por inteiro para o próximo trabalho, a exemplo do que se tem feito com este single+videoclip. Mas talvez com mais dinheiro conseguissemos fazer um trabalho mais extenso e mais cuidado. Talvez em vez de um single pudessemos optar por um álbum. Que temos as músicas já nós (e quem nos segue) o sabemos, mas investir o corpo e a alma para ver passar uma música na rádio e ter a tal medalha não é motivo para querermos ter a tal cicatriz.
Assim, desta forma prevemos que ao eventual sucesso da Whisky nas rádios, poderá contrapor-se um eventual aumento das solicitações e encaixes resultantes das mesmas, que poderá, por sua vez, ser aplicado em novo trabalho que serviria para novos concertos e por aí em diante.
Por outro lado, o que nos esperaria se optássemos por empenhar o nosso futuro pela tal medalha?! 50 concertos?! 50 concertos marcados a caneta de tinta permanente? 50 concertos daqueles que dizem "amanhã vão tocar ali perto do cu de judas, tens que sair do teu emprego às 2 da tarde e estar lá às 7"? 50 concertos que poriam em causa a minha vida profissional (aquela que sustenta a minha curta carreira na música)? Não sei... teria a medalha... mas talvez a cicatriz resultasse maior do que o esperado? Talvez matasse a proverbial galinha dos ovos de ouro... Sim, porque ter um álbum no mercado não significaria profissionalismo no mundo da música. Que o digam outros milhares de bandas nacionais que, com álbums, vêm os seus membros cumprindo as suas obrigações profissionais. Porquê? Porque esses 50 concertos seriam os tais em que se notaria o impacto causado pelo álbum. Porque neste mercado de pastilha elástica, o álbum não renderia durante muito mais tempo além desses 50 concertos espalhados pelo país. Ou seja, não teríamos o investimento, mas também dificilmente veríamos o retorno desse investimento, que nos permitisse fazer disso um investimento continuado, uma vida, uma PROFISSÃO.
O imediatismo tem destas coisas. Teria um álbum, teria a minha medalha... Mas teria deixado a terra árida. Teria que recomeçar tudo de novo ou quase. Porque ao fim de um ano, esse álbum é apenas mais um poeirento nos escaparates e nos móveis e já não nos convidam para ir tocar em função dele. "Esta noite, ao vivo, a banda sucesso em 1997!!". É a tal pastilha elástica. Masca-se, deita-se fora. Uma banda não pode estar muito tempo parada a não ser que tenha atingido um estatuto que lho permita. Quantas bandas que foram sucesso há 3 anos atrás estão hoje na mó de cima?! Ou quantas dessas bandas têm um trabalho consistente, com mais um álbum na calha? ...E quantas dessas bandas nos deixaram para sempre, vampirizadas por este mercado até ao colapso, vendo um partir para trabalhar num restaurante, outro como caixa do continente e a menina das vozes num cabeleireiro?
É a cicatriz, que muitas vezes é bem maior que a medalha. E não adianta ter-se uma medalha se não se tem roupa para a pendurar.
Posso não chegar a fazer da música a minha profissão, mas pelo menos não jogo tudo nisso. Não me posso dar a tal luxo. Não tenho casa para pagar e filhos para criar, mas posso vir a tê-los em breve e por isso em risco por um reluzir efémero e ténue na triste realidade da música moderna portuguesa não me parece sensato. Agrade a quem agradar. É que a mim, pouco ou nada podem exigir. Exijam-no aos outros, que vivem disto!
Os The FingerTrips andam prestes a lançar um novo trabalho. Nada demais, desenganem-se. Nada de mega-projectos. Nada de álbums, nada de DVDs, nada de fotografias dos membros da banda em roupa interior. Nem tão pouco o anteriormente planeado "Tringle" com as tais 3 músicas. Nada disso.
Trabalhamos apenas num single. Uma música. Bem sei que ao ouvido final isso soará a pouco. Muito pouco. Então estes gajos tocam em tudo quanto é lado e passados 3 anos só têm 3 músicas editadas?! É.
A música chamar-se-á "Whisky" e deverá ter direito a um videoclip por altura do seu lançamento para as rádios. Não está planeada a sua venda. Nada para entregar em mãos aos fãs desta vez. Antes procuraremos fazer disto uma pequena prenda para todos os que gostam de nós e nos queiram ouvir. Será enviada para rádios e será distribuída gratuitamente a quem possa interessar, via internet. É pouco? É o que nos é permitido editar de momento.
Não estamos para hipotecar o nosso futuro enquanto banda e enquanto indivíduos para fazer um álbum que, ao fim e ao cabo, seria um risco. Poderia ser muito bem aceite e poderia ser a nossa ruína (sem que uma coisa invalidasse a outra). Poderíamos gravar um álbum. Lançar 5000 cópias no mercado. Ganhar aquele "estatuto" de banda com álbum. Ter uma medalha para mostrar e uma cicatriz nas costas a provar que a merecemos. Claro que, não tendo grandes meios financeiros para isso, a solução seria hipotecar uma parte do futuro da banda. Como outros o fazem, comprometer-nos-íamos a tocar umas quantas dezenas de concertos, algures pelo país, como forma de pagamento pelo investimento feito. Tocaríamos de borla, portanto, mas no fim ficaríamos com um trabalho nosso. Ah... Está bem. Mas... e seria assim tão bom quanto isso?!
Vejamos. Não toco pelo dinheiro, mas gostava de poder receber o suficiente para poder TOCAR por profissão. Não me parece que esse horizonte se aproxime em breve. Ainda assim, por brio e interesse em levar isto avante, não tocamos de borla (os amigos que o merecem vão gastando os seus créditos). Sabemos que o trabalho que iremos lançar, se correr bem, poderá dar mais um pequeno impulso aos The FingerTrips (dizer "catapultar" seria muito, não?). Mais exposição implicaria maior visibilidade, maior interesse por parte das promotoras de espectáculos e, consequentemente, melhores preços a serem pagos. Na escala em que nos encontramos, ressalve-se que os valores reverteriam por inteiro para o próximo trabalho, a exemplo do que se tem feito com este single+videoclip. Mas talvez com mais dinheiro conseguissemos fazer um trabalho mais extenso e mais cuidado. Talvez em vez de um single pudessemos optar por um álbum. Que temos as músicas já nós (e quem nos segue) o sabemos, mas investir o corpo e a alma para ver passar uma música na rádio e ter a tal medalha não é motivo para querermos ter a tal cicatriz.
Assim, desta forma prevemos que ao eventual sucesso da Whisky nas rádios, poderá contrapor-se um eventual aumento das solicitações e encaixes resultantes das mesmas, que poderá, por sua vez, ser aplicado em novo trabalho que serviria para novos concertos e por aí em diante.
Por outro lado, o que nos esperaria se optássemos por empenhar o nosso futuro pela tal medalha?! 50 concertos?! 50 concertos marcados a caneta de tinta permanente? 50 concertos daqueles que dizem "amanhã vão tocar ali perto do cu de judas, tens que sair do teu emprego às 2 da tarde e estar lá às 7"? 50 concertos que poriam em causa a minha vida profissional (aquela que sustenta a minha curta carreira na música)? Não sei... teria a medalha... mas talvez a cicatriz resultasse maior do que o esperado? Talvez matasse a proverbial galinha dos ovos de ouro... Sim, porque ter um álbum no mercado não significaria profissionalismo no mundo da música. Que o digam outros milhares de bandas nacionais que, com álbums, vêm os seus membros cumprindo as suas obrigações profissionais. Porquê? Porque esses 50 concertos seriam os tais em que se notaria o impacto causado pelo álbum. Porque neste mercado de pastilha elástica, o álbum não renderia durante muito mais tempo além desses 50 concertos espalhados pelo país. Ou seja, não teríamos o investimento, mas também dificilmente veríamos o retorno desse investimento, que nos permitisse fazer disso um investimento continuado, uma vida, uma PROFISSÃO.
O imediatismo tem destas coisas. Teria um álbum, teria a minha medalha... Mas teria deixado a terra árida. Teria que recomeçar tudo de novo ou quase. Porque ao fim de um ano, esse álbum é apenas mais um poeirento nos escaparates e nos móveis e já não nos convidam para ir tocar em função dele. "Esta noite, ao vivo, a banda sucesso em 1997!!". É a tal pastilha elástica. Masca-se, deita-se fora. Uma banda não pode estar muito tempo parada a não ser que tenha atingido um estatuto que lho permita. Quantas bandas que foram sucesso há 3 anos atrás estão hoje na mó de cima?! Ou quantas dessas bandas têm um trabalho consistente, com mais um álbum na calha? ...E quantas dessas bandas nos deixaram para sempre, vampirizadas por este mercado até ao colapso, vendo um partir para trabalhar num restaurante, outro como caixa do continente e a menina das vozes num cabeleireiro?
É a cicatriz, que muitas vezes é bem maior que a medalha. E não adianta ter-se uma medalha se não se tem roupa para a pendurar.
Posso não chegar a fazer da música a minha profissão, mas pelo menos não jogo tudo nisso. Não me posso dar a tal luxo. Não tenho casa para pagar e filhos para criar, mas posso vir a tê-los em breve e por isso em risco por um reluzir efémero e ténue na triste realidade da música moderna portuguesa não me parece sensato. Agrade a quem agradar. É que a mim, pouco ou nada podem exigir. Exijam-no aos outros, que vivem disto!
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 40/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 8 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
4º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
9º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
12º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
16º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
19º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
23º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
29º MESA - MESA (VIRGIN/EMI-VC)
30º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
4º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
9º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
12º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
16º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
19º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
23º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
29º MESA - MESA (VIRGIN/EMI-VC)
30º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
28.9.04
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 39/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 11 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
5º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
6º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
9º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
12º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
15º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
19º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
22º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
23º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
24º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
28º MESA - MESA (VIRGIN/EMI-VC)
30º GUITARRA, O MELHOR DE (P) - CARLOS PAREDES (EMI/EMI-VC)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
5º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
6º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
9º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
12º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
15º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
19º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
22º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
23º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
24º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
28º MESA - MESA (VIRGIN/EMI-VC)
30º GUITARRA, O MELHOR DE (P) - CARLOS PAREDES (EMI/EMI-VC)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
23.9.04
E eu quero lá saber...
... se vou desagradar a uma vasta maioria que pensa diferente. Não me aborrece nada porque querer ser politicamente correcto (o que é diferente de o ser) é das piores coisas que existem neste país saloio em costumes e avançado em demagogia cultural. Patrocinar filmes que ninguém vê é cultura, cobrar 19% de IVA nos discos portugueses está correcto porque é indústria. Alguém acredita nisto?
Se afirmar que qualquer pessoa estará melhor preparada a exercer uma tarefa caso receba formação adequada penso que estarei a ser consensual. Quem tem formação está melhor preparado. Sem dúvida. Contudo, não quer isto dizer que o talento inato não possa existir e um carpinteiro ser mesmo bom, sem ter tido aprendizagem na oficina do mestre (que havia sido ensinado por quem?) ou na escola profissional.
Na música, passa-se o mesmo: qualquer pessoa preparada estará mais apta, mas, isto não significa que quem tire um Conservatório seja melhor apreciador e conhecedor do que outro que não o frequentou. Quantos de nós conhecem gestores que pouco percebem de gestão, levando empresas a situações difíceis ou de falência? E quantos profissionais que trabalham com números não possuem formação académica para tal? Sem citar os milhares de casos musicais e continuando na área de negócios, António Champalimaud – o homem mais rico de Portugal - não era licenciado e isso não o impediu de chegar onde chegou.
Temos, depois, os outros casos. Aqueles em que os próprios profissionais, não “certificados academicamente”, decidem aprofundar as coisas na escola. Recordo Jorge Palma, cujo Conservatório realizou já depois de ser consagrado.
Resumindo, uns tiram curso, outros não, uns são bons, outros maus, mas, ter mais conhecimento nunca fez mal a ninguém. Por isso, algumas discussões parecem-me mais divagações filosóficas do que passos em frente no campo minado da música portuguesa.
Tirar cursos formais/informais pode limar arestas ou permitir uma entrada planeada em outros ambientes. Porém, por si só, não geram criadores de excepção. Considero o génio criativo inato. Existem uns que nascem com o talento de transformar o que tocam em ouro e outros que, por mais que se esforcem, não passam da mediania. É assim a vida, na música e na venda de tremoços. Uns são bons e outros nem por isso!
Ouvir muita música e ler muito sobre tudo é muito bom - todavia, não chega. Um factor que penso essencial e que rebate muita retórica de gabinete é a importância de viver o terreno da música ao vivo, da sala de ensaios, das garagens bafientas ou dos estúdios de gravação. Cheirar o pó da estrada, mergulhar nos décibeis dos concertos, na azáfama de uma noite de concerto, nos íntimos momentos que ocorrem no backstage e no esplendor da madrugada tornam as ideias mais claras com o cérebro a dar e a receber proporções idênticas do “sentir a música”, do “debater a música”, do “querer sempre mais e melhor”.
Não se iludam que não digo que o rosa é a cor dominante! Todos sabemos das rasteiras que se levam, do “xico esperto” que sempre lá estará, dos jantares de frango até rebentar, da exploração, etc, etc.
Mas, mesmo assim, estar nos meandros do concerto ao vivo, sendo desgastante e cansativo, é recompensador ao ponto de se ficar “viciado”.
Juntando dinamite ao incêndio, direi que quem não vive a música ao vivo pouco percebe do panorama musical deste País.
[Voltando à questão da aprendizagem e da formação musical, devo afirmar, com toda a convicção, que onde ela é absolutamente vital é na escola. Desde a pré-primária ao secundário, o ensino da música poderia fazer maravilhas por dentro. Ter educação musical nas escolas devia ser tão natural como beber água e aprender português. Não o é, assim como não é natural fomentar as artes no nosso sistema de ensino. Está errado e paga-se caro. O ouvinte não é um bom ouvinte, nem o espectador tem grande apetência pela representação. Por isso é que temos “actores” formados em agências de modelos e ninguém se chateia, nem aborrece. Porque, afinal, têm umas carinhas bonitinhas, enquanto os verdadeiros actores muitas vezes morrem de fome e de desespero...]
Luís Silva do Ó
Se afirmar que qualquer pessoa estará melhor preparada a exercer uma tarefa caso receba formação adequada penso que estarei a ser consensual. Quem tem formação está melhor preparado. Sem dúvida. Contudo, não quer isto dizer que o talento inato não possa existir e um carpinteiro ser mesmo bom, sem ter tido aprendizagem na oficina do mestre (que havia sido ensinado por quem?) ou na escola profissional.
Na música, passa-se o mesmo: qualquer pessoa preparada estará mais apta, mas, isto não significa que quem tire um Conservatório seja melhor apreciador e conhecedor do que outro que não o frequentou. Quantos de nós conhecem gestores que pouco percebem de gestão, levando empresas a situações difíceis ou de falência? E quantos profissionais que trabalham com números não possuem formação académica para tal? Sem citar os milhares de casos musicais e continuando na área de negócios, António Champalimaud – o homem mais rico de Portugal - não era licenciado e isso não o impediu de chegar onde chegou.
Temos, depois, os outros casos. Aqueles em que os próprios profissionais, não “certificados academicamente”, decidem aprofundar as coisas na escola. Recordo Jorge Palma, cujo Conservatório realizou já depois de ser consagrado.
Resumindo, uns tiram curso, outros não, uns são bons, outros maus, mas, ter mais conhecimento nunca fez mal a ninguém. Por isso, algumas discussões parecem-me mais divagações filosóficas do que passos em frente no campo minado da música portuguesa.
Tirar cursos formais/informais pode limar arestas ou permitir uma entrada planeada em outros ambientes. Porém, por si só, não geram criadores de excepção. Considero o génio criativo inato. Existem uns que nascem com o talento de transformar o que tocam em ouro e outros que, por mais que se esforcem, não passam da mediania. É assim a vida, na música e na venda de tremoços. Uns são bons e outros nem por isso!
Ouvir muita música e ler muito sobre tudo é muito bom - todavia, não chega. Um factor que penso essencial e que rebate muita retórica de gabinete é a importância de viver o terreno da música ao vivo, da sala de ensaios, das garagens bafientas ou dos estúdios de gravação. Cheirar o pó da estrada, mergulhar nos décibeis dos concertos, na azáfama de uma noite de concerto, nos íntimos momentos que ocorrem no backstage e no esplendor da madrugada tornam as ideias mais claras com o cérebro a dar e a receber proporções idênticas do “sentir a música”, do “debater a música”, do “querer sempre mais e melhor”.
Não se iludam que não digo que o rosa é a cor dominante! Todos sabemos das rasteiras que se levam, do “xico esperto” que sempre lá estará, dos jantares de frango até rebentar, da exploração, etc, etc.
Mas, mesmo assim, estar nos meandros do concerto ao vivo, sendo desgastante e cansativo, é recompensador ao ponto de se ficar “viciado”.
Juntando dinamite ao incêndio, direi que quem não vive a música ao vivo pouco percebe do panorama musical deste País.
[Voltando à questão da aprendizagem e da formação musical, devo afirmar, com toda a convicção, que onde ela é absolutamente vital é na escola. Desde a pré-primária ao secundário, o ensino da música poderia fazer maravilhas por dentro. Ter educação musical nas escolas devia ser tão natural como beber água e aprender português. Não o é, assim como não é natural fomentar as artes no nosso sistema de ensino. Está errado e paga-se caro. O ouvinte não é um bom ouvinte, nem o espectador tem grande apetência pela representação. Por isso é que temos “actores” formados em agências de modelos e ninguém se chateia, nem aborrece. Porque, afinal, têm umas carinhas bonitinhas, enquanto os verdadeiros actores muitas vezes morrem de fome e de desespero...]
Luís Silva do Ó
22.9.04
Um ano depois
O grito de nascimento deste blogue já foi há um ano e, apesar de ter sido chutado por mim, não me sinto pai solteiro. Este é um filho com carradas de pais e mães!
No meio do frenesim desta novidade cibernética, o meu grande amigo João Pedro Rei criou um blogue e eu, movido pela curiosidade, decidi criar este... só para ver como era e apagar depois. Nasceu assim o canalmaldito, em tons de brincadeira e só para ver como funcionava. O meu amigo lixou-se porque ficou com a administração informática da cena! :)
Pouco tempo passou entre a brincadeira e a realidade do novo vício da rede. O blogue foi crescendo e entraram mais viciados no confronto das palavras e das ideias. Num ano, muitos debates foram acontecendo e muita tinta virtual foi derramada.
A guerra fria a que se assiste entre alguns sectores da indústria musical fez disparar os comentários e muitos fogos foram apagados com pólvora. Não chegámos a tribunal, porém, andámos perto com ameaças. Olhando para trás, não deixo de ficar espantado com estes 365 dias e mais de 30.000 visitantes, mas, o defeito deve ser meu, ou não se chamasse este blogue “Canal Maldito”!
Novas aventuras, neste mar de blogues, se esperam para breve. Álvaro Costa (Via Rápida) prepara um encontro informal a ocorrer no Porto, restrito às áreas de espectáculo, pop, cultura, artes, onde se faça o ponto da situação e se discuta o futuro desta nova área de comunicação. A dinâmica adivinha-se boa e promissora, o interesse comum é efectivo e partilhado pelo canalmaldito. Para qualquer informação/inscrição sobre o encontro podem escrever para bloguedogg@yahoo.com.
Um abraço a todos,
Luís Silva do Ó
No meio do frenesim desta novidade cibernética, o meu grande amigo João Pedro Rei criou um blogue e eu, movido pela curiosidade, decidi criar este... só para ver como era e apagar depois. Nasceu assim o canalmaldito, em tons de brincadeira e só para ver como funcionava. O meu amigo lixou-se porque ficou com a administração informática da cena! :)
Pouco tempo passou entre a brincadeira e a realidade do novo vício da rede. O blogue foi crescendo e entraram mais viciados no confronto das palavras e das ideias. Num ano, muitos debates foram acontecendo e muita tinta virtual foi derramada.
A guerra fria a que se assiste entre alguns sectores da indústria musical fez disparar os comentários e muitos fogos foram apagados com pólvora. Não chegámos a tribunal, porém, andámos perto com ameaças. Olhando para trás, não deixo de ficar espantado com estes 365 dias e mais de 30.000 visitantes, mas, o defeito deve ser meu, ou não se chamasse este blogue “Canal Maldito”!
Novas aventuras, neste mar de blogues, se esperam para breve. Álvaro Costa (Via Rápida) prepara um encontro informal a ocorrer no Porto, restrito às áreas de espectáculo, pop, cultura, artes, onde se faça o ponto da situação e se discuta o futuro desta nova área de comunicação. A dinâmica adivinha-se boa e promissora, o interesse comum é efectivo e partilhado pelo canalmaldito. Para qualquer informação/inscrição sobre o encontro podem escrever para bloguedogg@yahoo.com.
Um abraço a todos,
Luís Silva do Ó
21.9.04
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 38/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 11 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
3º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
6º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
8º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
9º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
14º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
15º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
17º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
21º ANTOLOGIA (2P) - MADREDEUS (EMI/EMI-VC)
22º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
24º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
28º GUITARRA, O MELHOR DE (P) - CARLOS PAREDES (EMI/EMI-VC)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
3º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
6º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
8º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
9º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
14º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
15º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
17º O MUNDO AO CONTRÁRIO (OU) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
21º ANTOLOGIA (2P) - MADREDEUS (EMI/EMI-VC)
22º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
24º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
28º GUITARRA, O MELHOR DE (P) - CARLOS PAREDES (EMI/EMI-VC)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
20.9.04
Disco: Yellow W Van – Ninguém faz Filmes de Olhos Abertos (Mercury/Universal)
Os Yellow W Van são uma das mais consistentes bandas Hip-Hop/Funk/Rock Portuguesas. A bateria sólida e exemplarmente executada por Fred, acompanhada pelo excelente baixo do Rui dão a este grupo da margem sul a alma que falta à maior parte dos projectos nesta área. A orgânica deste trabalho completa-se com o power, umas vezes funk outras pesado das guitarras de Fruntxas e Tomé. A raiva não (e muito bem!) contida pelo Ruas e o Manzk nas vozes completam esta banda que assim transmite as suas preocupações sociais e politicas. Concordo em tudo com vocês pessoal…
Neste “Ninguém faz filmes de olhos abertos” desfilam boas melodias, muito groove, mensagens que se querem (porque é mesmo preciso dizer aquilo que se pensa!). Revejo neste trabalho aquilo que penso em relação à sociedade Portuguesa e mundial. O mundo não está bem, Portugal ainda está pior… é preciso mudar!
Ainda não vi os Wellow W Van ao vivo (foi-me mesmo impossível estar presente no lançamento do disco no Santiago Alquimista), mas a coisa promete! Assim que tiver uma oportunidade lá estarei!
Se gostares de Hip-Hop/Funk com as guitarras a berrar! Compra urgentemente este disco porque não sabes o que andas a perder!
Força!
António Côrte-Real
Contactos:
Site – www.yellow-w-van.net
Editora – www.universalmusic.pt
Concertos – maismusica@netcabo.pt ou 21-3844439/43
Neste “Ninguém faz filmes de olhos abertos” desfilam boas melodias, muito groove, mensagens que se querem (porque é mesmo preciso dizer aquilo que se pensa!). Revejo neste trabalho aquilo que penso em relação à sociedade Portuguesa e mundial. O mundo não está bem, Portugal ainda está pior… é preciso mudar!
Ainda não vi os Wellow W Van ao vivo (foi-me mesmo impossível estar presente no lançamento do disco no Santiago Alquimista), mas a coisa promete! Assim que tiver uma oportunidade lá estarei!
Se gostares de Hip-Hop/Funk com as guitarras a berrar! Compra urgentemente este disco porque não sabes o que andas a perder!
Força!
António Côrte-Real
Contactos:
Site – www.yellow-w-van.net
Editora – www.universalmusic.pt
Concertos – maismusica@netcabo.pt ou 21-3844439/43
7.9.04
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 36/2004
No top semanal de vendas da AFP encontramos 12 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
3º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
6º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
9º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
10º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
13º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
14º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
16º O MUNDO AO CONTRÁRIO (PR) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
17º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
22º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
24º TA LAAA?... O MELHOR DE - RAUL SOLNADO (EMI/EMI-VC)
27º BAILE DE VERÃO (OU) - JOSÉ MALHOA (ESPACIAL/ESPACIAL)
29º A CABRITINHA (OU) - QUIM BARREIROS (ESPACIAL/ESPACIAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
3º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL/ESPACIAL)
6º RE-DEFINIÇÕES (OU) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
9º CINEMA (PR) - RODRIGO LEÃO (COLUMBIA/SONY MUSIC)
10º FADO CURVO (P) - MARIZA (VIRGIN/EMI-VC)
13º ESQUISSOS (OU) - TORANJA (POLYDOR/UNIVERSAL)
14º OURO E PLATINA - MARCO PAULO (EMI/EMI-VC)
16º O MUNDO AO CONTRÁRIO (PR) - XUTOS & PONTAPÉS (MERCURY/UNIVERSAL)
17º OLHAR EM FRENTE (OU) - BETO (FAROL MÚSICA)
22º UM AMOR INFINITO (OU) - MADREDEUS (CAPITOL/EMI-VC)
24º TA LAAA?... O MELHOR DE - RAUL SOLNADO (EMI/EMI-VC)
27º BAILE DE VERÃO (OU) - JOSÉ MALHOA (ESPACIAL/ESPACIAL)
29º A CABRITINHA (OU) - QUIM BARREIROS (ESPACIAL/ESPACIAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
2.9.04
Sangue, suor e lágrimas.
Stressei com o patrão e ele quase que me despediu por eu ter de sair à hora para ir dar um concerto numa sexta-feira à noite em Grândola. Fui a acelerar para o alentejo. A minha namorada carregou o amplificador e a guitarra, sozinha, e foi andando mais cedo. Dei o concerto e regressei ainda com mais stress. Fui trabalhar o fim de semana todo para segurar o emprego. O Toninho ligou-me e em 3 dias tive que fazer uma versão de uma música dos UHF, preparar uma banda e gravá-la em estudio. Entretanto ganhei uns prémios internacionais de publicidade, a coisa acalmou com o patrão, preparei a festa, fiz os convites e casei-me. Fui de lua de mel e uma semana depois já o trabalho não me largava com fins de semana agarrado a livros e a programas de computador. Nos intervalos escrevia umas coisas. Enquanto fazia um bacalhau no forno tocava guitarra mas não falava francês, escrevia mais umas letras soltas. A namorada, entretanto já esposa, jogava playstation e queimava tempo. Os 3 litros de Jack Daniels vindos de Andorra esgotaram com as noitadas em frente à mesa de mistura caseira. No dia seguinte trabalhar era um suplício. Mas tinha de ser. O António Manuel Ribeiro ligava a dizer que tinha umas primeiras partes de UHF para fazer. Óptimo, mesmo sendo a um domingo. Acaba o espectáculo e regresso a casa às 3h30 da manhã. Às 9h30 já estava a trabalhar novamente. Escrevo um contrato à pressão e envio por fax para a organização de um concerto. Mais uma série de telefonemas para acertar as coisas, uns emails com o logotipo da banda para os cartazes e está tudo tratado. Entretanto é preciso falar com o pessoal para alugar uma carrinha. Mais uma semana lixada com 4 campanhas e 10 filmes para fazer. Despedida de solteiro no fim de semana seguinte com bebedeiras de sexta a domingo. O casamento do meu amigo é no sábado ao meio-dia e na sexta-feira tenho um concerto em Castelo de Vide. Vou dormir 4 horas e correr para o alentejo para estar a horas de assistir à cerimónia. Provavelmente no Domingo terei de ir trabalhar. Mas está tudo bem. Seja como for, nestes dois meses aqui representados já foi possível criar 14 novos temas para os k2o3, que irão fazer parte do novo disco, a sair no início do ano. Sinceramente é muito difícil arranjar tempo para a música quando não se depende dela. Mas a paixão que se tem por tudo isto, por querer fazer mais, por desejar subir para cima de um palco e mostrar às pessoas aquilo que mais gostamos de fazer, vale o sacrifício. Quase que me esquecia de dizer: não ganho dinheiro nenhum com isto. E como é simples algumas pessoas destruirem o trabalho de quem dá tudo o que tem, só porque estão à frente de uma editora e nem se dão ao trabalho de querer ouvir, só porque escrevem num jornal e como não gostam dizem que é mau, só porque trabalham numa rádio e a política da rádio não permite que passe. Mas também não será isso que me irá fazer baixar os braços, nem a mim nem a todos aqueles que continuam a sonhar, a acreditar de que é possível mudar alguma coisa.
Estamos vivos.
Ulisses
Estamos vivos.
Ulisses
1.9.04
In Vivo: Paredes de Coura - Take III
Mais um dia de Festival. Paredes de Coura, 2004. Mais um dia, que não é simplesmente "mais um" dia. Não só é o meu último dia de Festival, como é de alguma forma, aquele que mais expectativas me incita.
O dia corre calmo e sereno... O pessoal continua a fazer-se passear pelo cenário quase bucólico, preenchido de ar pasmacento, depois de noites agitadas sucessivas... À tarde, arrastam-se as pernas, mas mal o sol se põe, as baterias começam a dar sinais de recarregamento e a euforia faz-se notar nos olhares ansiosos e animados...
A banda que abre esta noite é Wray Gun. A formação nacional, liderada pelo front-man, Paulo "Legendary-Gun" Furtado, entra de mansinho, acompanhada pelo coro Godspell. Uma apresentação quase discreta que não deixava adivinhar o espectáculo que se ia seguir! A euforia dos blues, num cocktail com rock-soul-roll!!! A frenética e espontânea coreografia de um Show Man (com letra grande!) no seu melhor! O público assistia entre o atónito e o fervilhante, enquanto as músicas se sucediam, num crescendo, que terminou com Paulo Furtado de guitarra em punho nos braços do público, entre autógrafos e apertos de mão, entre abraços e palmas nas costas, entre gritos histéricos e assobios de quem se sentia entre "estrelas"! Os Wray Gun não só foram a banda nacional que se destacou, mas foram a banda que melhor performance apresentou. Entre nacionais e internacionais!! A confirmação de que a fasquia "cá dentro" está ao nível do que se faz lá fora, e que mais do que nunca, o argumento "ser português" não serve de desculpa nem a bandas, nem a públicos!! E por aí fora...
Por muito bom que fosse o que viesse a seguir, a imagem da "nossa" banda impunha-se na memória ainda fresca... E o tempo que demorou até "Mark Lanegan Band" subir ao palco não foi o suficiente para dissipar o entusiasmo que se instalara!... De tal forma, que o ambiente pesadamente intismista que se debruçou com a noite, não conseguiu envolver todos... muitos até se teriam esquecido, da curiosidade de ver a nova apresentação de um dos responsáveis dos Queen of the Stone Age. Mas, aqueles que conseguiram apanhar aquela nova onda, tiveram o prazer de balancear até à profundidade oceânica de uma voz hipnotizante. Mark Lanegan não falou uma palavra, e a estática do seu corpo chegava a ser comovedoramente dolorosa... Quase como se o mais infímo gesto pudesse quebrar aquele "cristal" que ganhava forma no palco e tentava abraçar o recinto, o mundo inteiro... A única palavra, foi no fim, um "obrigado", que não deixou adivinhar qualquer traço da identidade, qualquer emoção, da pessoa que abandonava o palco. Não foi "distante", mas não foi "sedutor"! Era preciso dar, entregar-se completamente, para poder sentir as moléculas vocais "bluesy" trespassarem cada célula do epitélio, até render o corpo a um estado de quase anestesia. Mais um grande concerto!
The Kills! A demora até o início do espectáculo conseguiu impacientar o público ao ponto de "estragar" alguma da predisposição para um espectáculo que prometia ser no mínimo revelador! Problemas técnicos que pareciam incontornáveis adiavam o descarregar de adrenalina que se transpirava no ar nacarado. Depois de uma partida em falso, o "show" arranca. A cumplicidade dos dois personagens, VV e Hotel, foi a luz predominante de cada tema. A garra de uma voz "colocada" à PJ Harvey, numa "dança" agressiva, entre cigarros e cabelos esvoaçantes... acompanhada pela magreza comum de um companheiro dividido entre a guitarra e as programações... Música crua num palco quente onde a sensualidade é violenta. Faltou deixá-la atravessar o véu transparente do ecrã virtual! But... we danced!!
Para completar a noite, e preencher os mais recônditos e exigentes espaços, Black Rebel Motorcycle Club! Foram tudo, e tudo o resto! Uma presença poderosa de três elementos aparentemente "«vulneráveis". Muita energia a envolver o ar molhado (a chuva caiu em força, a brindar um coroar de uma noite fantástica!), e na lamacice que se reinstalou, a multidão vibrou e esgotou as expectativas! Houve direito a "encore", que terminou num tema quase triste a prometer a melancolia feliz das recordações que ali se imprimiam.
Foi um "grande" Festival, Paredes de Coura! Mais do que "reunião", via-se "união" entre todas as partes que fazem um evento! Podia dizer simplesmente: "ADOREI!"... As tantas outras palavras que me decidi a escrever são a tentativa (tento acreditar que, não vã!) de partilhar os momentos fantásticos que lá vivi, com os que passam por aqui... e, de alguma forma também, guardá-los para mim...
Walkgirl
O dia corre calmo e sereno... O pessoal continua a fazer-se passear pelo cenário quase bucólico, preenchido de ar pasmacento, depois de noites agitadas sucessivas... À tarde, arrastam-se as pernas, mas mal o sol se põe, as baterias começam a dar sinais de recarregamento e a euforia faz-se notar nos olhares ansiosos e animados...
A banda que abre esta noite é Wray Gun. A formação nacional, liderada pelo front-man, Paulo "Legendary-Gun" Furtado, entra de mansinho, acompanhada pelo coro Godspell. Uma apresentação quase discreta que não deixava adivinhar o espectáculo que se ia seguir! A euforia dos blues, num cocktail com rock-soul-roll!!! A frenética e espontânea coreografia de um Show Man (com letra grande!) no seu melhor! O público assistia entre o atónito e o fervilhante, enquanto as músicas se sucediam, num crescendo, que terminou com Paulo Furtado de guitarra em punho nos braços do público, entre autógrafos e apertos de mão, entre abraços e palmas nas costas, entre gritos histéricos e assobios de quem se sentia entre "estrelas"! Os Wray Gun não só foram a banda nacional que se destacou, mas foram a banda que melhor performance apresentou. Entre nacionais e internacionais!! A confirmação de que a fasquia "cá dentro" está ao nível do que se faz lá fora, e que mais do que nunca, o argumento "ser português" não serve de desculpa nem a bandas, nem a públicos!! E por aí fora...
Por muito bom que fosse o que viesse a seguir, a imagem da "nossa" banda impunha-se na memória ainda fresca... E o tempo que demorou até "Mark Lanegan Band" subir ao palco não foi o suficiente para dissipar o entusiasmo que se instalara!... De tal forma, que o ambiente pesadamente intismista que se debruçou com a noite, não conseguiu envolver todos... muitos até se teriam esquecido, da curiosidade de ver a nova apresentação de um dos responsáveis dos Queen of the Stone Age. Mas, aqueles que conseguiram apanhar aquela nova onda, tiveram o prazer de balancear até à profundidade oceânica de uma voz hipnotizante. Mark Lanegan não falou uma palavra, e a estática do seu corpo chegava a ser comovedoramente dolorosa... Quase como se o mais infímo gesto pudesse quebrar aquele "cristal" que ganhava forma no palco e tentava abraçar o recinto, o mundo inteiro... A única palavra, foi no fim, um "obrigado", que não deixou adivinhar qualquer traço da identidade, qualquer emoção, da pessoa que abandonava o palco. Não foi "distante", mas não foi "sedutor"! Era preciso dar, entregar-se completamente, para poder sentir as moléculas vocais "bluesy" trespassarem cada célula do epitélio, até render o corpo a um estado de quase anestesia. Mais um grande concerto!
The Kills! A demora até o início do espectáculo conseguiu impacientar o público ao ponto de "estragar" alguma da predisposição para um espectáculo que prometia ser no mínimo revelador! Problemas técnicos que pareciam incontornáveis adiavam o descarregar de adrenalina que se transpirava no ar nacarado. Depois de uma partida em falso, o "show" arranca. A cumplicidade dos dois personagens, VV e Hotel, foi a luz predominante de cada tema. A garra de uma voz "colocada" à PJ Harvey, numa "dança" agressiva, entre cigarros e cabelos esvoaçantes... acompanhada pela magreza comum de um companheiro dividido entre a guitarra e as programações... Música crua num palco quente onde a sensualidade é violenta. Faltou deixá-la atravessar o véu transparente do ecrã virtual! But... we danced!!
Para completar a noite, e preencher os mais recônditos e exigentes espaços, Black Rebel Motorcycle Club! Foram tudo, e tudo o resto! Uma presença poderosa de três elementos aparentemente "«vulneráveis". Muita energia a envolver o ar molhado (a chuva caiu em força, a brindar um coroar de uma noite fantástica!), e na lamacice que se reinstalou, a multidão vibrou e esgotou as expectativas! Houve direito a "encore", que terminou num tema quase triste a prometer a melancolia feliz das recordações que ali se imprimiam.
Foi um "grande" Festival, Paredes de Coura! Mais do que "reunião", via-se "união" entre todas as partes que fazem um evento! Podia dizer simplesmente: "ADOREI!"... As tantas outras palavras que me decidi a escrever são a tentativa (tento acreditar que, não vã!) de partilhar os momentos fantásticos que lá vivi, com os que passam por aqui... e, de alguma forma também, guardá-los para mim...
Walkgirl
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