3.11.06

GNR - ContinuAcção

Coliseu, 31 de Outubro de 2006

A noite pinta Lisboa de negro e o coliseu torna-se o epicentro de um encontro de todas as gerações. Motivo especial? Sim, uma banda que nos acompanha há um quarto de século e nos brinda com uma comemoração única e imperdível.
À medida que o recinto se compõe, o Vídeo-Hall mostra imagens marcantes de uma carreira intensa ao som de "Decapitango".
O público pede música e emoção e eis que surge Legendary Tiger Man, a abrir as hostilidades bem ao seu jeito solitário e intimista. E nem pelo facto de ser traído pela guitarra ao início impede que milhares de almas cantem em uníssono o refrão de "Portugal na CEE", marco do saudoso «Boom» do Rock português.
Mas é por Rui Reininho e seus acólitos por quem os sinos dobram. É com o elegante "Popless" que se inicia o desfile de um Carnaval de êxitos, memória colectiva de pais e filhos. Rui Reininho assume-se definitivamente como um verdadeiro entertainer/animal de palco, ora na forma como interpreta unicamente alguns dos melhores temas de sempre da música portuguesa, ora na forma como interage com o público com um sentido de humor (sempre) aguçado e irresistível.
Jorge Romão é o motor enérgico da banda em cada espectáculo. Pula, leva o público a um coro de palmas e transborda empatia do início ao fim.
Segue-se "Sexta-Feira", "Morte ao Sol", "Pronúncia do Norte" sempre com o carimbo profissional dos excelentes músicos que os acompanham e ajudam a guiar a plateia à rendição.
NBC entra em cena e produz um dos melhores momentos da noite, especialmente em "Benvindo ao Passado" onde o hip-hop e o perfeito desempenho vocal se conjugam em perfeita sintonia.
E é como "a coisinha mais sexy do Rock'n'Roll" que nos é introduzida Sónia Tavares, vocalista dos The Gift para uma fabulosa aliança de vozes em "Valsa dos Detectives" e no belíssimo "Asas (eléctricas) ".
A assistência delira com "Quero que Vá tudo Pró Inferno", "Efectivamente", "Mais Vale Nunca" e já no encore em "Ana Lee", "Dunas", "Sangue Oculto", "Homem Mau" e "Sub-16".
Parece mentira que se esgotaram mais de uma hora e meia tão depressa.
O Coliseu canta os "Parabéns a Você" e ao Grupo Novo Rock apenas se exigem mais 25 anos e a mesma entrega e competência.
Mas para mim o melhor estaria para vir, sem imaginar tal situação. Queria levar para casa a playlist de recordação mas após breve contacto com a régie de produção (talvez a mais acessível que já tive o prazer de conhecer) acabei nos camarins.
Primeiro revejo Legendary Tiger Man aka Paulo Furtado que já não encontrava há dois anos e dou-lhe os parabéns pela exibição. Nos corredores encontro os três mestres e entre elogios tecidos ganhos papéis decorados com assinaturas.
Fui brindado com uma acessibilidade e humildade incrível por parte da banda, e fiquei especialmente impressionado com o bom humor do líder, RR; lenda da música portuguesa.
Despeço-me do Jorge com um «Viva a Preguiça» (alusão ao título da canção) e acaba assim uma noite que certamente jamais apagarei da minha memória.
Pessoalmente, estou muito orgulhoso por ter feito parte desta efeméride tão especial.

Gustavo C. Dayer

[músico e cantautor]

http://myspace.com/gusdayer

2.11.06

Rui Veloso – A Espuma das Canções

Admiro a forma como Rui Veloso vive a música sendo um bluesman em Portugal. O sentimento expresso nas palavras que canta e na guitarra que toca respira os ares do blues clássico. Nem sempre as suas canções têm essa estrutura mas a forma como coloca e melodia a voz dão-lhe todo esse sentimento.

Fender e Gibson são as guitarras mais usadas e os amplificadores são geralmente Fender e Vox.

“Todo o tempo do Mundo” é um dos temas que prefiro numa carreira cheia de bons discos e sucessos populares. “Avenidas” e o novo “A Espuma das canções” são juntamente com “Ar de Rock” os discos que mais gosto.

Rui Veloso não sabe fazer maus discos. É um artista que se pode comprar sem se fazer primeiro uma escuta. Este estatuto foi conquistado ao longo de uma carreira com mais de 25 anos.

Na minha opinião, a rádio e a generalidade da imprensa não deu a importância devida a mais este grande disco de Rui Veloso. Este trabalho merece ser comprado e ouvido com toda a atenção.

Concertos dos 25 anos de carreira:

03 Novembro de 2006 – Coliseu do Porto – 22h
04 Novembro de 2006 – Coliseu do Porto – 22h
10 Novembro de 2006 – Pavilhão Atlântico – 22h

Site: http://www.ruiveloso.net/


António Côrte-Real

1.11.06

AFP - TOP SEMANA 44/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 6 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º ACUSTICO (2P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
2º LIGACAO DIRECTA - SERGIO GODINHO (CAPITOL-EMI)
3º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
4º DOCEMANIA (OU) - DOCEMANIA (MERCURY-UNIVERSAL)
5º THE OPEN DOOR (OU) - EVANESCENCE (WIND UP-SONY BMG)
6º ESTE E O MEU MUNDO (P) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
7º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
8º UMA VIDA DE CANÇÕES (OU) - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
9º RUDEBOX - ROBBIE WILLIAMS (CAPITOL-EMI)
10º FROM THIS MOMENT ON (OU) - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
11º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
12º FADO EM MIM (4P) - MARIZA (WORLD CONNECTION-EMI)
13º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
14º ULTIMATE - PRINCE (WSM-WARNER MUSIC)
15º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
16º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
17º ROMANTIC CLASSICS (OU) - JULIO IGLESIAS (COLUMBIA-SONY BMG)
18º BOLTON SWINGS SINATRA - MICHAEL BOLTON (CONCORD-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
19º BRING YOU HOME - RONAN KEATING (POLYDOR-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
20º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

30.10.06

Mau-Mau e 1 quarto de século


Há precisamente 25 anos atrás, os elementos que integravam os Aqui d’el-Rock, decidiram-se pela mutação. Depois da metamorfose, a banda passou a ter a designação de Mau-Mau e entre Dezembro de 1981 e Janeiro de 82, gravou o único single da sua curta carreira. Actualmente, os 3 membros dos há alma – que faziam parte desse(s) colectivo(s) - decidiram assinalar e partilhar o feito. Os temas “Xangai” e “Vietsoul” foram remasterizados a partir do vinil e encontram-se a partir de 26 deste mês e ano, ao dispor de quem estiver interessado em os ouvir, num player do MySpace/há alma (http://www.myspace.com/haalma).

O single teve a produção de António Sérgio e contou com a colaboração do guitarrista João Allain, líder da saudosa Go Graal Blues Band, no tema “Vietsoul”.

Também as novas composições dos há alma se encontram disponiveis para audição de todos os interessados.

24.10.06

O TAL CANAL

Em primeiro lugar a música, e portuguesa, que é o que aqui nos traz.
Um grande concerto. Coliseu dos Recreios, UHF. Encontrei o amigo Luís Silva do Ó, fomos despertos pelas ruas da baixa e, lá chegados, havia um ambiente. Percebe-se quando se entra, sente-se quando se está. Podiam estar mais a assistir? É o mais certo. Curiosamente as televisões não destacaram, a imprensa pouco falou, a própria BLITZ dedicou um tópico a letra 6… as rádios mainstream que até tocaram “Matas-me com o teu Olhar” ignoraram, valeram umas locais da Grande Lisboa, mais o habitual lastro das de sempre e uma referência fugaz no serviço público. Pode especular-se em como teria sido se não tivessem sido arrancados cartazes em Almada, se a televisão portuguesa gostasse de música portuguesa, se algumas das rádios fossem coerentes, se houvesse imprensa de música portuguesa. Agora está feito, pouco importa. Mais perderam. Podiam ter estado associados a um evento onde se sentiu a música e a criação. Sobretudo onde houve fluxo de informação entre artistas e público, onde se comunicou sem ser unidireccionalmente.
Parabéns aos UHF e obrigado pela noite.

Tento não confundir as coisas. Assumimos a vergonha alheia que é a nossa de ver o top de vendas – à parte de eventuais manipulações e imprecisões de dados – no estado em que está. A Floribela mais os Morangos, o FF, o Tiago, os amigos amestrados da novela da lágrima fácil, com o devido respeito. Uma aventura no top, os cinco na música. Será normal? No meu tempo, os trinta já me concedem a expressão, o Topo Gigio, a Abelha Maia e a Heidi e o Marco não ficavam em primeiro lugar na tabela de vendas meses a fio. E a teoria que aponta os pais como os culpados da coisa, ao deixarem de comprar discos para si porque a crise aperta (e poucos vivem a nadar em dinheiro para comparar discos a vinte euros) para comprarem os cd’s infantis perante a insistência dos rebentos. A mim não me convence. Nem essa nem muitas outras. Mas que a situação não é de todo normal, penso que disso não restam dúvidas. Mas, todos no top.

É com uma grande satisfação e um brilhozinho nos olhos que vejo o regresso permanente à equipa do Atlântico – Programa de Rádio, do Luís Silva do Ó. Recordo sobretudo o futuro, mas também os tempos de há mais de uma década atrás em que em Lisboa ou Santiago do Cacém tentámos contribuir com especiais nocturnos, entrevistas e alguma música e debate para trazer novos mundos ao mundo da Antena Miróbriga. Com os meios da altura e a vontade de sempre, entre uma e outra tarde ou noitada. As recordações têm este condão de fazer com que nos lembremos de que é possível. E está no ar um espaço – Banco de Ensaio – que aposta numa das muitas funções da rádio, mas esta especialmente importante, mostrar novidades da música. E o Luís é um dos verdadeiros Homens da Rádio, porque é preciso gostar dela.

O discurso do Canal, ainda bem que não generalizado e com arrefecimento nos últimos tempos, tem-se tornado claramente anti rádio. Não me afecta pessoalmente, até porque curiosamente (já) não faço parte da telefonia automática, nem preciso de afirmar carreira.
Acho que o Canal se continua a desviar do que aqui nos traz, que é debater a música portuguesa, pergunta legítima de quem aparece, afinal é um blog de música portuguesa ou de rádio?
Deixo alguns endereços que são assumidamente de rádio, para que possam estar a modos que actualizados sobre o meio e adjacentes.

http://radioinforma.no.sapo.pt/
http://ouvidor.blogspot.com/

Assim fica mais equilibrado. Talvez.
Uma sugestão para a consulta dos sítios. Como no meio rádio também existem muitas frustrações, à semelhança do que acontece na música, tem que se dar um desconto. Um filtro – e o bom senso! - Que diz que é melhor não se acreditar em tudo sem questionar.

Diz-se que a rádio perdeu mais de 300 000 ouvintes num trimestre. É o mais certo, os estudos têm margens de erro pequenas. E, se defendemos que os estudos de música - bem mais metódicos que os da Marktest sobre as audiências rádio – são certos e nos dão indicações precisas sobre os que os ouvintes querem ou não querem ouvir, temos de nos vergar a essa realidade do dissipar de audiência. Coerência obriga. Não se pode é cair no erro grave de considerar inválidos os estudos de auditório de música e de universo bem mais alargado e pegar no bareme rádio, feito aleatoriamente via telefone e tratá-lo como se papel sagrado fosse. Até porque ninguém tem acesso a ele, a não ser quem paga valente soma. O que sai para fora, para a imprensa, não é o estudo de audiência rádio. É o que o jornalista, que por um acaso pode calhar a ser conhecido do locutor ou administrador de alguma rádio, escreve. E com base num resumo escasso fornecido pela empresa realizadora do estudo, a que se acrescenta a subjectividade da interpretação.
Vamos ver onde se perderam os ouvintes, alguém sabe? Dizem uns que é por causa da formatação das rádios, das playlists, do ar de superioridade dos animadores – locutores e de um eventual desaparecimento dos verdadeiros Homens da Rádio, em maiúsculas, já se vê. Não digo que não existam casos concretos em que estas duras palavras se apliquem, porque estaria a faltar ao que conheço e à honestidade que merecem os leitores, companheiros de escrita e a todos os que gostam da nossa música. Onde? – Torno a perguntar. É feita a ressalva, na divulgação e correcta interpretação das audiências (sendo que no trimestre de Verão, elas descem sempre, desde que há estudo da Marktest) que dá conta de que as principais estações (todas formatadas com playlist) são excepção à descida… então, onde? Bem, arrisco-me a dizer que se perderam em doses repartidas em todas e na sua grossa fatia nas ainda centenas de locais que são as mesmas que por vezes desejam que as nacionais desçam muito quando na verdade passam os dias a ansiar por fazer parte desse universo. Há excepções mas escolhi falar da maior parte. As estações, as mesmas que não se propõem a formação porque acham que não precisam (são muito bons, então não são?), porque há pouco quem saiba e lhes diga que não é só abrir a via do microfone, forçar a voz e debitar informações copiadas da net , ou, honestamente admitindo a necessidade de ir mais além, não têm liquidez. Que isto de manter uma rádio não é fácil, elas têm que dar lucro senão fecham. Tenho conhecido muita gente boa nesse meio e neste e faço parte dos dois. Sei que não existindo quem torne as pessoas numa mais valia elas não chegam a sê-lo. O autodidatismo é um código postal, mas não a própria encomenda entregue. E é muito giro vir defender em nome da solidariedade e talvez até da pena, esse sentimento lúgubre, aqueles que tocam a música da banda de garagem e a nossa portuguesa sem critério, que não se curvam a “eles”, bla, bla, bla. Mas estão esses locutores, essas estações a fazer um bom trabalho para os seus ouvintes? Não. E para a música portuguesa? Não. E é fácil saber porquê. Os ouvintes afastam-se de tanto pontapé na gramática, de tanto passar de atestados de estupidez incompreensíveis nos dias que correm, onde os ouvintes têm acesso às mesmas fontes que os comunicadores. Há em todas as áreas pessoas com fracas prestações e claro que nas locais se nota mais, o aproveitamento do acesso às coisas é mais limitado, sendo que meia dúzia de livros e de conferências nas grandes cidades ministradas porque quem pela rádio pouco tem feito, não ensinam a ter voz de Homem ou de Mulher e a fazer um programa genial, ou quanto muito, que chegue às pessoas, que as toque. E todas estas coisas vão dar reflexo à perda de audiências nos quadros médios e superiores, para mais nestas estações pequenas, esses que são quem compra o que a publicidade vende, e da qual a rádio vive. Mas viva a democracia e o direito de todos a ouvir estações que acabam por fechar por inviabilidade económica.
O público tem razões de queixa nesses meios, quem ainda se preocupa! A música que lhes é servida é-o sem critério ou sequência. Quando apresentam uma música portuguesa ou banda fazem-no como se estivessem a levar a efeito uma reportagem sobre uma nova aquisição rara do zoo. “Aqui temos esta banda, SÃO PORTUGUESES, e são músicos!!!!” – depois passam uns temas da banda, nesse dia e não voltam a tocá-los, comentando “estes gajos queriam ter sucesso, com uma porcaria destas!”e mais, “nós tocamos música portuguesa!!!”. Acontece nas rádios que aqui já têm defendido alguns com fervor, dizendo que são amigas dos músicos. Ingenuidade.
E os primeiros utilizam o facto de terem privado uma vez na vida com este ou aquele artista para se vangloriarem junto de novos colegas. Se calhar é normal, também são filhos desta terra.
E há os computadores. Muitos ainda julgam que substituem as pessoas e que fazem rádio, com um software gerador de emoção artificial. No meio, não há engano maior. Só as pessoas têm a capacidade de cativar pessoas. Pessoalmente, acho que devemos usar os computadores para potenciar a criatividade, como um meio, não como um fim.
As nacionais pop / rock têm um problema sério, andam sem travões. Muito bem, fazem estudos para saber o que os ouvintes querem. Inteligência e dinheiro para tal. Contratam consultores para comunicação. De acordo. E aqui parava. Mas não. Permitem idiotamente que a música seja tratada pelos consultores, em poucos meses me apercebi que era um erro que se paga caro. Uma coisa é ter os dados, outra é deixar estrangeiros, que nada conhecem do meio no nosso país tratá-los. Ainda mais grave, decalcar a realidade americana para Portugal, país com audiência claramente mais culta e esclarecida. O nosso, claro. Não se pode juntar as revistas do meio americanas, os consultores que nem música portuguesa gostam, ir atrás da outra da concorrência e fazer este ou aquele jeito a quem coloca o disco cá fora. Agora que se façam estudos gerais de ano a ano para as canções que não se enquadram nas novidades e quinzenalmente das novas, se não for esse o caminho, acompanhado de um ligeiro acrescentar de música portuguesa à “lei” ou aos estudos e com um ou outro programa de autor dedicado aos nossos, não estou muito bem a ver por onde se possa ir. Uma sugestão, com promoção, mesmo do que não se possa encharcar sempre a antena. Ideias em queda livre para saco roto. Aposto. E colocar na administração de grandes rádios de índole comercial, pessoas que ainda se safam a fazer programa mas de gestão nada entendem, não é grande ideia, a não ser para afundar estações e gastar dinheiro.

A nossa música está-se a transformar, estão a transformá-la em artesanato, para expor em feiras, com o patrocínio autárquico quando por aquelas bandas deixarem de dar valor apenas aos “consagrados”. Seja isso o que for. E os músicos pelos vistos serão espécie protegida, esperemos que não em vias de extinção.
A juntar a este pouco animador panorama, temos o fenómeno idêntico entre meios, do “a minha rádio é melhor que a tua” e do “a minha banda é melhor que a tua”. De tanta mania de superioridade por se ser da rádio ou da banda x – sobretudo em níveis de menor dimensão - dá-me ideia de que os próximos anos ainda vão piorar mais as condições de ambos os parceiros. E de um em relação ao outro. As rádios de música estão longe de trabalhar bem, grande parte dos músicos não sabe gerir a sua própria carreira, fecha-se sobre si mesmo. E diz que a rádio não toca a sua música quando nem a enviou ao programador e aos locutores. Tenho visto aqui alguns músicos – não os mais vividos ou conhecedores para além da linha do horizonte – dizerem mal e sem argumentos dos próprios colegas e das rádios, em vez de se aproximarem de quem os pode divulgar condignamente – sem ser em formato de esmola – não enviam trabalhos e empregam o seu precioso tempo a escrever mal de tudo e de todos. São opções, tenho que respeitar. Sem compactuar, ou deixar de denunciar.

A rádio paga a música que toca, isto apesar de a divulgar. É a SPA que recebe em representação dos artistas. Concordo. Paga por outro lado, porque tem que adquirir discos ou ir à net descarregá-los a 1€ cada canção, se cumprir as leis. Antes as discográficas ofereciam discos a todos os locutores, sem excepção, o que fazia todo o sentido. Estamos a falar de trocos, porque um disco não sai a 20 € à editora. Os locutores tinham contacto com a bolacha do disco, numa gentileza de quem o publicava, viviam a música, viam as fotografias, iam no carro a ouvi-lo. Agora podem ainda fazê-lo. Mas como sabem, os locutores não ganham bem e alguns até têm vínculos precários (não são fuga à generalidade das condições de trabalho no país) e comprar discos a 20€ ou mais cada um, para fazer um melhor trabalho de divulgação que para além de nem ser agradecido é constantemente criticado… não censuro quem deixe andar.
Continuo a achar que a rádio é reflexo das pessoas do país e da sua mentalidade, afinal são e somos portugueses como os outros – e não o contrário. Se a vida tem menos sabor hoje em dia, seria logo a rádio o prato ainda com condimento qb? Não sei se entendo tantas baterias apontadas a todo o tempo contra a telefonia. Parece uma festa, de cada vez que a rádio perde audiência. Curiosamente, a vez em que perdeu mais foi agora, quando entraram em funcionamento as quotas de tão falada lei, no trimestre seguinte a começar a passar mais música portuguesa e brasileira. Tal ninguém quis escrever. Mas não deve ter nada a ver. Porque teria?
As rádios não têm os dias contados. Não foi a net que substituiu o livro, nem o vai fazer com a rádio. Não é a rádio que tira a vez ao disco ou o IPOD que entra em cheio e silencia o éter. Não está para cedo a invenção de aparelhos que montem e saibam conduzir rádios.

Havendo estações domplex, acredito que os mecanismos naturais vão encarregar-se de derretê-las com o tempo, mais do que o aquecer do coro de protestos, muitos deles mal concebidos. E se muitos disserem mal por um lado e por outro se curvarem à perspectiva de tocar uma canção numa estação rainha dos plásticos, em acto de vassalagem, as coisas serão aquilo que sempre foram, uma hipocrisia. Sobretudo para os que criticam as estações, a rádio em geral e se apresentam em parceria traiçoeira aos seus próprios princípios de boca para fora, como se nada fosse. Não será a coerência um valor ainda e sempre importante?

Bruno Gonçalves Pereira

AFP - TOP SEMANA 43/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 7 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º ACUSTICO (2P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
2º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
3º DOCEMANIA (OU) - DOCEMANIA (MERCURY-UNIVERSAL)
4º THE OPEN DOOR (OU) - EVANESCENCE (WIND UP-SONY BMG)
5º ESTE E O MEU MUNDO (P) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
6º FROM THIS MOMENT ON (OU) - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
7º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
8º UMA VIDA DE CANÇÕES (OU) - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
9º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
10º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
11º FADO EM MIM (4P) - MARIZA (WORLD CONNECTION-EMI)
12º CE - CAETANO VELOSO (MERCURY-UNIVERSAL)
13º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
14º BOTH SIDES OF THE GUN - BEN HARPER (VIRGIN-EMI)
15º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
16º ROMANTIC CLASSICS (OU) - JULIO IGLESIAS (COLUMBIA-SONY BMG)
17º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
18º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
19º ULTIMATE - PRINCE (WSM-WARNER MUSIC)
20º COLLECTED (OU) - MASSIVE ATTACK (VIRGIN-EMI)



Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

GNR – 25 ANOS – CONTINUAÇÃO

AO VIVO:

25 – Outubro – Coliseu do Porto

31 – Outubro – Coliseu de Lisboa

Vale a pena ver os GNR ao vivo. As canções toda a gente conhece, a atitude é a melhor e deve-se ter sempre atenção às “bocas” de Rui Reininho. Gosto da sua frontalidade e ironia. É um artista.

http://www.gnr-gruponovorock.com/


António Côrte-Real

19.10.06

Linda Martini – Linda Martini


“Se o nosso amor é um combate…”

“O chão que pisas sou eu…”

Duas frases que são a montra do EP de estreia dos Linda Martini. São quatro temas, dois instrumentais, dois cantados numa onda experimentalista e pouco comum na música em Portugal.

Há quem os compare aos Sonic Youth, eu discordo e sinto a procura e exploração musical dos LM mais influenciada por Pink Floyd. Seja como for a banda não imita ninguém e limita-se a ser como é, diferente.
A forma de escrita, a colocação das frases na música e estrutura das canções estão enquadradas de uma forma pouco comum, o que torna todo o ambiente ainda mais interessante.

Ouvi este disco no carro várias vezes num dia chuvoso. É o ambiente ideal para ouvir este trabalho urbano, cinzento. “Amor combate” é uma grande canção. Gosto mesmo muito.

Os LM têm andado a fazer o circuito de bares que ainda existe em Portugal, mas não se têm limitado só a isso. Estiveram presentes em alguns festivais de verão e também já levaram a língua Portuguesa a terras de sua majestade.
Inglaterra e Irlanda receberam esta banda sendo que em dois dos concertos foram cabeça de cartaz. Na Irlanda os LM venderam cerca de 100 cds o que mostra o quanto quem esteve presente nos concertos gostou da sua música. “Mesmo sem perceberem patavina das letras” (segundo o manager da banda).

Assisti ao concerto que os LM deram no Super Bock Super Rock deste ano. Devo dizer que não gostei. O som estava péssimo e notava-se que não se sentiam à vontade. Quando soube que não tinha havido ensaio de som percebi o porquê.
Acho que está na hora de as bandas começarem a dizer não! Quando não há condições é preciso dizer não! Ou corre-se o risco de se perder público em vez de ganhar. É esta a ideia que tenho, mas percebo que a bandas novas seja difícil recusar a exposição que um festival destes pode dar. Será que foi benéfico para o nome Linda Martini? Eu acho que não, aliás acho que não é bom para ninguém, festival incluído.

Não basta ter o palco e o sistema de som para as condições estarem reunidas. É preciso existirem os meios para essas mesmas condições funcionarem. Neste caso, tempo. Meia hora que seja de ensaio para cada banda na manhã do espectáculo é suficiente para as coisas correrem bem. Assim o público pode ter a verdadeira percepção da música e não só as bandas e público ganham com isso mas o próprio festival também.

Os Linda Martini são bons, em estúdio e em palco.

Este disco pode ser comprado na Fnac de Coimbra ou nos concertos da banda. A edição foi limitada a 500 unidades por isso apressem-se.

O futuro espera pelos LM, que se se mantiverem juntos, coesos e a trabalhar como até aqui têm feito chegarão com certeza onde querem chegar.

António Côrte-Real


Contactos:

Banda:
lindamartini@hotmail.com
www.myspace.com/lindamartini

Editora:

naked@naked.pt

18.10.06

AFP - TOP SEMANA 42/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 5 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º ACUSTICO (P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
2º THE OPEN DOOR (OU) - EVANESCENCE (WIND UP-SONY BMG)
3º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
4º ESTE E O MEU MUNDO (P) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
5º FROM THIS MOMENT ON (OU) - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
6º DOCEMANIA - DOCEMANIA (MERCURY-UNIVERSAL)
7º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
8º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
9º CE - CAETANO VELOSO (MERCURY-UNIVERSAL)
10º BOTH SIDES OF THE GUN - BEN HARPER (VIRGIN-EMI)
11º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
12º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
13º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
14º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
15º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
16º FADO EM MIM (4P) - MARIZA (WORLD CONNECTION-EMI)
17º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
18º ROMANTIC CLASSICS (OU) - JULIO IGLESIAS (COLUMBIA-SONY BMG)
19º COLLECTED - MASSIVE ATTACK (VIRGIN-EMI)
20º THE ART OF AMALIA (OU) - AMALIA RODRIGUES (EMI-EMI)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

10.10.06

AFP - TOP SEMANA 41/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 5 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º ACUSTICO (P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
2º ESTE E O MEU MUNDO (P) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
3º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
4º THE OPEN DOOR (OU) - EVANESCENCE (WIND UP-SONY BMG)
5º FROM THIS MOMENT ON - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
6º CE - CAETANO VELOSO (MERCURY-UNIVERSAL)
7º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
8º BOTH SIDES OF THE GUN - BEN HARPER (VIRGIN-EMI)
9º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
10º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
11º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
12º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
13º ROMANTIC CLASSICS (OU) - JULIO IGLESIAS (COLUMBIA-SONY BMG)
14º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
15º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
16º DOCEMANIA - DOCEMANIA (MERCURY-UNIVERSAL)
17º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
18º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
19º BALANCE (OU) - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
20º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

8.10.06

Audiometria do Canal

Sofisticados estudos de mercado permitem-nos conhecer a lista dos ficheiros audio mais escutados no nosso blogue. O cientifico estudo acumula dados obtidos sem significativas margens de erro e de desvios padrão, plasmando o que se ouviu no Canal ao longo das primeiras 6 semanas de playlist.

1. Tomorrow (Dayoff) - 2689
2. Lâmpada azul (Orangotang) - 1357
3. The beast in you (Dayoff) - 1337
4. Borderline (Dayoff) - 1245
5. Só (Orangotang) - 705


Juntamos outra curiosidade. Em poucos dias, as peças de arqueologia destapadas aquando do Coliseu de Lisboa dos UHF tiveram a seguinte saída:

5. Excerto da 2ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992 - 814
6. Excerto da 1ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992 - 781

Também nesta vertente parece que nós portugueses gostamos de começar pelo fim... Uma segunda hora mais escutada do que uma primeira!? (risos)

27.9.06

Brincar no fogo

Como preâmbulo, devo esclarecer que este texto não é uma crónica. Porém, em bom rigor, também não poderei afirmar que se trata de uma crítica a um concerto. No fundo, uma picadora “1, 2, 3” resolverá o enigma. É uma mistura dos dois conforme as variáveis descritas.

Para mostrar que não é critica vamos viajar. Até Santiago do Cacém. Nesta bonita cidade do litoral alentejano, têm desfilado, nos últimos anos, os maiores nomes da nossa música. Xutos & Pontapés, Rui Veloso e David Fonseca foram alguns dos que tocaram no Largo José Afonso. A estes espectáculos ocorrem multidões de milhares de pessoas, capazes de encher, pelo menos, 3 plateias do Coliseu dos Recreios. O público presente oscila entre o bebé e o idoso, entre o urbano e o rural, entre o fã de Floribella e o de Pulp Fiction. Fora de Lisboa ou Porto, é assim que as coisas existem e funcionam. Os concertos de Xutos e de Rui Veloso estiveram apinhados, com os presentes a cantarem e a participarem em quase todos os temas, enquanto que o espectáculo de David Fonseca contou com um largo semi-vazio e com a indiferença de muitos dos presentes. A língua inglesa não ajuda na comunicação com o público do País real, apesar da prestação de David Fonseca ter sido muito positiva. Caso tivesse de escrever alguma crítica, indicaria que o público presente fora em número razoável (1500 a 2000) e que, perante uma assistência que não era a sua, dera um excelente concerto. O parágrafo introdutório teria sido curto e passaria, sem delongas, para a análise do “excelente concerto”. O público que assistiu a David Fonseca seria menos culto do que aquele que vibrou com Rui Veloso ou Xutos? Não. Era o mesmo. Não me interessa se o povo que cantou Rui Veloso era analfabeto ou professor catedrático. Do interior ou do litoral, do meio rural ou do meio urbano, todos me merecem o mesmo respeito e consideração. Podem ter gostos e culturas diferentes, mas isso não faz de uns, imberbes e insignificantes, e dos outros, iluminados e absolutos. O designado “circuito de província” existe e quem não tem sucesso nesse circuito é porque não tem sucesso em Portugal. Além do mais, qual é o músico ou projecto que sobrevive unicamente com concertos em Lisboa e Porto?

Assisti, no Coliseu de Lisboa, na noite do passado sábado, ao espectáculo dos UHF, que serviu para recolha áudio e vídeo, com vista à edição de um CD e DVD. Sem terem contado com a enorme promoção que tiveram há 14 anos (R&B, RFM e TV’s), os UHF jogaram um poker arriscado porque têm estado afastados de Lisboa e Porto e de uma ribalta mediática que influencia, sobretudo, uma adesão urbana. Ao entrar, ligeiramente atrasado, constatei que, ao contrário do sucedido em 1992, a Sala estaria a meio. A meio de lotar e a meio de estar vazia. Meia cheia ou meia vazia consoante a disposição pessoal de quem analise a matéria. Foi uma pena ter existido meia sala vazia porque o concerto foi do melhor que algum dia os UHF deram. Bem preparados, coesos, sem dissidências há largos anos, a banda de Almada surpreendeu pela vitalidade demonstrada. António Manuel Ribeiro, mais velho e seguro na gestão do cansaço, surgiu fresco e com uma voz bem melhor que em 1992. O público presente não estava muito virado para uma testada componente acústica. Também António Côrte-Real, envergando uma T-shirt dos Ramones era espelho disso mesmo. Queriam rock, queriam a prova final de que “UHF é rock”, como era exibido numa das faixas preparadas por fãs vindos de vários pontos do Continente e Ilhas. E queriam tudo o resto que escutaram num desfilar exemplar de grandes músicas uhfianas. No dia em que se escreva a história do rock português, existem temas que serão marcos e muitos deles foram executados de forma brilhante no passado sábado. Os célebres “Rua do Carmo” (1981) ou “Cavalos de Corrida” (1980) não podiam ser esquecidos, assim como outros êxitos - “Hesitar” (1989), “Menina estás à Janela” (1993) ou o recente “Matas-me com o teu Olhar” (2005). Mas houve mais. Houve um grupo que jorrou rock e atitude. “Os Putos Vieram Divertir-se” (2003), “Sarajevo” (1993), “Modelo Fotográfico” (1981), “Sonhos na Estrada de Sintra” (1988), “Rapaz Caleidoscópio” (1981), “Na Tua Cama” (1988), “Fogo (tanto me atrais)” (1988) e “Devo Eu” (1983), numa encruzilhada de épocas e de vivências diversas. E os clássicos que não foram tocados eram suficientes para novo alinhamento! É um facto que este foi dos concertos dados pelos UHF em Lisboa que contou com menos público, todavia, este espectáculo foi melhor do que aquele que ocorreu na mítica sala do Rock Rendez-Vous (1990), na Expo (1998) ou na anterior passagem pelo Coliseu (1992). Foi um risco tocar para um Coliseu a metade. Contudo, o que resultou desse desafio foi um momento memorável e que adia o funeral dos UHF. Os tempos de “Cavalos de Corrida” ficaram para trás. Ainda bem.


Luís Silva do Ó


UHF no Coliseu de Lisboa. Fotografia: LSO


UHF no Coliseu de Lisboa. Imagem da plateia. Fotografia: BGP


UHF no Coliseu de Lisboa. Fernando Rodrigues, Ivan Cristiano, António Côrte-Real e António Manuel Ribeiro. Fotografia: BGP


António Manuel Ribeiro assina presença no Coliseu de Lisboa: Hoje aqui se fez História. Fotografia: LSO

26.9.06

AFP - TOP SEMANA 39/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 6 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º ESTE E O MEU MUNDO (OU) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
4º FROM THIS MOMENT ON - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
5º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
6º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
7º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
8º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
9º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
10º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
11º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
12º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
13º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
14º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
15º TA DAH - SCISSOR SISTERS (POLYDOR-UNIVERSAL)
16º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
17º BALANCE (OU) - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
18º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
19º ROMANTIC CLASSICS - JULIO IGLESIAS (COLUMBIA-SONY BMG)
20º BEM FUNK - DJ MARLBORO (SOM LIVRE-SOM LIVRE)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

20.9.06

UHF em noite azul

Catorze anos depois, os UHF vão regressar aos Coliseus de Lisboa e Porto. Desde então, muita coisa mudou no mundo, em Portugal e no grupo. Em 1992, a formação dos UHF era constituída por António Manuel Ribeiro, Renato Júnior, Toninho e pai e filho Espírito Santo, ou seja, Luís Espírito Santo e Nuno Espírito Santo. Agora, em 2006, o líder carismático dos UHF faz-se acompanhar por outros músicos todos eles da geração do seu filho, António Côrte-Real. Curiosamente, a actual formação da banda mantém-se estável há muito, o que confere um nível de coesão inexistente na anterior experiência dos Coliseus.

Para estas duas datas, 23 de Setembro em Lisboa e 5 de Outubro no Porto, os UHF prepararam um espectáculo que ilustra a história da banda, incluindo temas de todas as épocas e de quase todos os álbuns.

Hoje em dia é normal bandas rock incluírem os Coliseus nas suas digressões, todavia, em 1992 tal não era frequente. Recordo-me bem desse concerto no Coliseu de Lisboa há catorze anos, quando os UHF convidaram Jorge Palma, Lena d'Água e Zé Pedro para participarem em cada um dos três actos que o espectáculo encerrava. Se bem me lembro o espectáculo estaria dividido em três andamentos: "a farsa", "o amor" e "o fogo".
Esse concerto correu muito bem, tendo constituído um ponto muito alto na carreira dos UHF.

Recordo também a véspera do concerto de Lisboa em que partilhei uma mesa de quatro lugares num restaurante próximo do Coliseu com António Manuel Ribeiro, Zé Pedro e Jorge Palma. Estavam, todos eles, entusiasmados com o evento e os dois convidados especiais preparavam-se para o ensaio que iria entrar pela madrugada. Como as coisas estavam atrasadas, ainda deu para uma passagem pela casa de Jorge Palma, onde, de volta de uma Ballantines 12 anos, foi possível ver um episódio dos Simpsons.

Antes desse pormenor de pouco relevo, recolhi diversos apontamentos para o meu programa de rádio. Por exemplo, o depoimento de Zé Pedro - muito interessante, esboçando um sorriso à pergunta se não estaria nos planos da sua banda a passagem pelo Coliseu dos Recreios. Que não, disse ele, pois uma sala como o Coliseu não seria propícia a concertos rock. Considerava que os UHF podiam apostar no Coliseu porque tinham muito mais canções calmas do que os Xutos. Em 2006, e depois de várias actuações dos Xutos neste recinto, a opinião de Zé Pedro pode parecer estranha, porém quem se recorde do Portugal de 1992 sabe que, nesses tempos, não era habitual utilizar o Coliseu para concertos rock!

Foi também a curiosidade de ver um grupo de rock português no Coliseu de Lisboa que cativou a presença de muita gente. Ainda mais porque, na época, os UHF já eram considerados veteranos…
A verdade é que o concerto dos UHF não foi acústico, nem repleto de baladas, mas sim rock'n'roll à flor da pele e essa noite ficou na memória do rock português por mais outro motivo, directamente relacionado com a impreparação de concertos rock no Coliseu e com a força do próprio evento. Por certo, foi estabelecido um novo record de cadeiras partidas na mítica sala da Rua das Portas de Santo Antão! Não que o concerto tenha sido violento, pelo contrário, contudo, perante tanta gente aos saltos em cima de tão frágeis cadeiras, outro desfecho não seria previsível. Talvez quem tenha optado por não tirar as cadeiras da plateia tenha também conversado com Zé Pedro na véspera do concerto e deduzido que os UHF iriam fazer um mero concerto acústico.
Foram para cima de cem as cadeiras aniquiladas pelo saudável rock dos UHF.

Naquela noite, quase tudo correu bem aos UHF. O clima da sala esteve ao rubro e as canções foram entoadas do início ao fim por uma audiência participativa e rendida. O som poderia ter estado melhor, porém a performance de músicos e convidados foi quase perfeita. Assumo que, passados catorze anos, estou com imensa curiosidade em assistir a este regresso dos UHF aos Coliseus. Atrevo-me, mesmo, a sugerir este espectáculo, sugestão extensível mesmo àqueles que não nutram grande simpatia pela banda de António Manuel Ribeiro. Não desperdicem esta oportunidade de assistir "ao vivo e a cores" a um concerto do mais controverso grupo do rock português. Podem não ficar fãs, mas certamente vão ser surpreendidos pela força que esta banda de Almada continua a imprimir em palco, sem farsas, com amor e cheios de um intenso fogo rock nas veias.

Foi você que pediu uma noite negra de azul?


Luís Silva do Ó


Como terá sido o concerto dos UHF no Coliseu de Lisboa há 14 anos?
Em resposta a esta pergunta, descobri uma peça arqueológica referente a esse espectáculo que decorreu a 7 de Fevereiro de 1992. Como curiosidade, deixo aqui alguns excertos dessas duas horas de programa de rádio - feito em directo.



Excerto da 1ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992


Excerto da 2ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992

19.9.06

AFP - TOP SEMANA 38/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 6 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º ESTE E O MEU MUNDO (OU) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
4º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
5º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
6º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
7º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
8º FROM THIS MOMENT ON - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
9º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
10º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
11º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
12º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
13º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
14º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
15º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
16º BALANCE - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
17º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
18º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)
19º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
20º A MATTER OF LIFE AND DEATH - IRON MAIDEN (CAPITOL-EMI)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

12.9.06

PunkPT is DEAD!

Foi com assombro que tomei conhecimento do ponto final no excelente e espantoso site PunkPT.
Entre 2000 e 2006 este espaço contribuiu para uma dinâmica crescente no que respeita ao punk nacional. É com imensa tristeza que dou aqui esta notícia depois de termos sido alertados por um comentário de Rui Pinto.
Em jeito de homenagem deixo-vos parte de um post escrito neste blogue, em 7 de Março de 2006, por João Pedro Rei e precisamente dedicado ao site PunkPT.
Ao mentor do PunkPT, Hugo Caldeira, deixamos um abraço de parabéns pelo fantástico trabalho que desenvolveu e espero vê-lo, brevemente, nesse ou noutro projecto na internet.

PUNK IS NEVER DEAD!

Luís Silva do Ó



Para tal, tenho que falar no Hugo Caldeira... Homem que não conheço e com o qual nada tenho a ver, a não ser visitar o seu espaço na Web. Esse espaço é a prova viva da célebre frase “PUNK IS NOT DEAD”.

Falo, claro está, no site punkpt, onde, graças a ele e ao seu “player”, já ouvi e passei a conhecer música portuguesa e novas bandas de uma onda que vai do punk, punk-rock, passando pelo ska...

Só pela audição já vale a pena passar por lá... mas o punkpt não é apenas um “player”! Sendo um site de design simplista, o importante é o seu conteúdo.

Entrevistas, reviews oficiais e de cibernautas a concertos e festas, fotos, mp3, calendário de concertos, fórum e notícias! Muitas notícias em que o comum visitante tem a hipótese de submeter também a sua e divulgar o que acha que tem que ser divulgado.

Claro que gostos não se discutem e nem todos gostam desta “onda”... Mas quem dera a tantas outras “ondas” ter mais gente a fazer o que o punkpt tão bem faz!

João Pedro Rei

AFP - TOP SEMANA 37/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 8 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (OU) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
4º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
5º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
6º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
7º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
8º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
9º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
10º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
11º ESTE E O MEU MUNDO - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
12º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
13º A MATTER OF LIFE AND DEATH - IRON MAIDEN (CAPITOL-EMI)
14º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
15º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
16º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
17º BALANCE - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
18º LOOSE - NELLY FURTADO (GEFFEN-UNIVERSAL)
19º BEM FUNK - DJ MARLBORO (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
20º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

8.9.06

O melhor tempo do canal maldito

O entusiasmo inicial foi substituído pelo prazer de continuar a debater o quotidiano, mesmo que a emoção seja mais contida e os textos menos explosivos. A motivação de onde germina a corrosão nem sempre funciona, sobretudo quando o meio é pequeno, os problemas permanecem idênticos e as “grandes lutas” são semelhantes ano após ano. Reconheço que o cansaço e as múltiplas actividades também não ajudam a que se mantenha um elevado ritmo produtivo. Umas semanas são mais ascendentes, outras menos, algumas são menos coloridas e outras são de um azul celeste pintado a justiça segundo Mateus.

Deixando o presente para trás, os primeiros tempos do blogue foram de constante crescendo e surpreenderam-me por completo. Pouco após o início, já tínhamos músicos novatos em troca animada de argumentos com tubarões e dinossauros da nossa música. Fomos favorecidos por certa sorte em cadeia, é certo, e contámos com a mais eficaz das publicidades, aquela que é realizada por quem lê e passa a palavra.

Entretanto, o Canal Maldito foi amadurecendo e os primeiros cabelos brancos emergiram num movimento atípico e transversal em que mais de seiscentas pessoas recebem uma irregular mas persistente newsletter - esta semana chegaremos à nonagésima. Ao atingirmos o terceiro aniversário, decidimos alinhar ao lado da promoção e, modestamente, ajudar a mostrar um pouco do que se vai fazendo neste rectângulo lusitano. Sabemos que não vai ser simples divulgar projectos em quantidade e qualidade pois é mais fácil reclamar do que aproveitar. Muita gente declara em voz alta e estridente que é quase impossível mostrar o que produz. Porém, quantas vezes não existe feedback quando uma porta – por mais pequena que seja – é aberta? O Bruno Gonçalves Pereira que nos diga quantos grupos responderam a um repto antigo…

O player que estamos a usar não tem nada de especial nem é novidade para quem circula por outros espaços da Internet. A principal novidade centra-se no facto de irmos mostrar música a quem nos visita, mesmo que estes “clientes” a não estejam a procurar. Vamos tentar não entupir a vossa paciência, procurando que a música seja absorvida e analisada. Pelo que, só iremos divulgar um projecto por semana, com direito a texto de destaque e a parágrafo na newsletter. Preferimos poucos e escutados do que muitos e abafados.

Naturalmente, a divulgação não pretende favorecer ninguém em particular, sejam bandas novas ou veteranas, músicos antigos ou principiantes, trabalhos editados por multinacionais ou meras demos gravadas em casa. Toda a música que recebamos será bem-vinda e tentaremos ser independentes e imparciais na sua avaliação e agendamento. Qualquer projecto vindo dos nossos cronistas terá tratamento privilegiado porque nada melhor do que complementar a escrita dos textos com o verdadeiro néctar que tanto debatemos. Os primeiros temas inseridos na nossa playlist são, precisamente, de um projecto (já extinto) de Ulisses, que respondeu positivamente a um pedido meu: “É pá, Ulisses, arranja-me umas músicas para testar o player”. Igualmente diria “António, pá, manda-me o “Deputado da Nação” que essa letra é fogo”. O ambiente dentro do Canal a isto permite e é um dos motivos para ainda haver blogue, contra certos ventos e certas marés adversas a pensamentos antagónicos.

A promoção através de blogues ou de outras páginas na Internet é um meio importante e que tem crescido nos últimos anos. Os músicos têm cada vez maior consciência da relevância da via digital, para o desenvolvimento das suas carreiras e aumento de notoriedade. O recente fenómeno protagonizado por José Cid, um artista há muito afastado da ribalta que conheceu até meados da década de oitenta, deve imenso ao seu percurso, às canções da sua vida e, bem assim, à crescente partilha ilegal de muitos dos seus trabalhos, que o deu a conhecer e aproximou de uma nova geração.

Além dos veículos de promoção tradicionais (rádio, televisão, imprensa, etc.) descobrem-se formas actuais igualmente eficazes. A divulgação de novos temas em telenovelas, o uso e abuso de toques de telemóveis ou a audição de novidades na Internet são soluções com resultados objectivos. Claro que para alguns artistas, a opção de promoção através de um player na net poderá ser inibida pelo fantasma da pirataria. Contudo, com uma qualidade não superior a 128 kbps, a tentação de “pilhar” pode existir, mas não passa disso mesmo.

Aproveitar estes novos caminhos promocionais é uma exigência. As vendas tradicionais das editoras têm descido e importa incentivar o emergente mercado digital onde os custos são menores e a possibilidade de retorno maior. No mundo das vendas digitais não existem custos de armazenamento, nem custos de fabrico, nem de distribuição e a margem de lucro de quem vende será menor do que a actualmente existente porque também a loja não terá as despesas fixas que, hoje, possui.

Por último, quem gosta de música vai continuar a consumir música mesmo que opte por comprar temas em vez de álbuns. Também os artistas irão optar por gravar e comercializar músicas avulsas em detrimento do que se faz presentemente. No futuro, acredito que o mercado vai privilegiar o single virtual regressando ao consumo de canções e ponto final.




A música nacional já teve períodos bem mais criativos e produtivos. O melhor tempo da música portuguesa pode não ser o que está para vir.
Todavia, somente o futuro nos pode dar a conhecer o desconhecido e são as potencialidades desse mundo desconhecido que nos fazem acreditar que o melhor tempo do canal maldito ainda não foi destapado.


Luís Silva do Ó