20.9.06

UHF em noite azul

Catorze anos depois, os UHF vão regressar aos Coliseus de Lisboa e Porto. Desde então, muita coisa mudou no mundo, em Portugal e no grupo. Em 1992, a formação dos UHF era constituída por António Manuel Ribeiro, Renato Júnior, Toninho e pai e filho Espírito Santo, ou seja, Luís Espírito Santo e Nuno Espírito Santo. Agora, em 2006, o líder carismático dos UHF faz-se acompanhar por outros músicos todos eles da geração do seu filho, António Côrte-Real. Curiosamente, a actual formação da banda mantém-se estável há muito, o que confere um nível de coesão inexistente na anterior experiência dos Coliseus.

Para estas duas datas, 23 de Setembro em Lisboa e 5 de Outubro no Porto, os UHF prepararam um espectáculo que ilustra a história da banda, incluindo temas de todas as épocas e de quase todos os álbuns.

Hoje em dia é normal bandas rock incluírem os Coliseus nas suas digressões, todavia, em 1992 tal não era frequente. Recordo-me bem desse concerto no Coliseu de Lisboa há catorze anos, quando os UHF convidaram Jorge Palma, Lena d'Água e Zé Pedro para participarem em cada um dos três actos que o espectáculo encerrava. Se bem me lembro o espectáculo estaria dividido em três andamentos: "a farsa", "o amor" e "o fogo".
Esse concerto correu muito bem, tendo constituído um ponto muito alto na carreira dos UHF.

Recordo também a véspera do concerto de Lisboa em que partilhei uma mesa de quatro lugares num restaurante próximo do Coliseu com António Manuel Ribeiro, Zé Pedro e Jorge Palma. Estavam, todos eles, entusiasmados com o evento e os dois convidados especiais preparavam-se para o ensaio que iria entrar pela madrugada. Como as coisas estavam atrasadas, ainda deu para uma passagem pela casa de Jorge Palma, onde, de volta de uma Ballantines 12 anos, foi possível ver um episódio dos Simpsons.

Antes desse pormenor de pouco relevo, recolhi diversos apontamentos para o meu programa de rádio. Por exemplo, o depoimento de Zé Pedro - muito interessante, esboçando um sorriso à pergunta se não estaria nos planos da sua banda a passagem pelo Coliseu dos Recreios. Que não, disse ele, pois uma sala como o Coliseu não seria propícia a concertos rock. Considerava que os UHF podiam apostar no Coliseu porque tinham muito mais canções calmas do que os Xutos. Em 2006, e depois de várias actuações dos Xutos neste recinto, a opinião de Zé Pedro pode parecer estranha, porém quem se recorde do Portugal de 1992 sabe que, nesses tempos, não era habitual utilizar o Coliseu para concertos rock!

Foi também a curiosidade de ver um grupo de rock português no Coliseu de Lisboa que cativou a presença de muita gente. Ainda mais porque, na época, os UHF já eram considerados veteranos…
A verdade é que o concerto dos UHF não foi acústico, nem repleto de baladas, mas sim rock'n'roll à flor da pele e essa noite ficou na memória do rock português por mais outro motivo, directamente relacionado com a impreparação de concertos rock no Coliseu e com a força do próprio evento. Por certo, foi estabelecido um novo record de cadeiras partidas na mítica sala da Rua das Portas de Santo Antão! Não que o concerto tenha sido violento, pelo contrário, contudo, perante tanta gente aos saltos em cima de tão frágeis cadeiras, outro desfecho não seria previsível. Talvez quem tenha optado por não tirar as cadeiras da plateia tenha também conversado com Zé Pedro na véspera do concerto e deduzido que os UHF iriam fazer um mero concerto acústico.
Foram para cima de cem as cadeiras aniquiladas pelo saudável rock dos UHF.

Naquela noite, quase tudo correu bem aos UHF. O clima da sala esteve ao rubro e as canções foram entoadas do início ao fim por uma audiência participativa e rendida. O som poderia ter estado melhor, porém a performance de músicos e convidados foi quase perfeita. Assumo que, passados catorze anos, estou com imensa curiosidade em assistir a este regresso dos UHF aos Coliseus. Atrevo-me, mesmo, a sugerir este espectáculo, sugestão extensível mesmo àqueles que não nutram grande simpatia pela banda de António Manuel Ribeiro. Não desperdicem esta oportunidade de assistir "ao vivo e a cores" a um concerto do mais controverso grupo do rock português. Podem não ficar fãs, mas certamente vão ser surpreendidos pela força que esta banda de Almada continua a imprimir em palco, sem farsas, com amor e cheios de um intenso fogo rock nas veias.

Foi você que pediu uma noite negra de azul?


Luís Silva do Ó


Como terá sido o concerto dos UHF no Coliseu de Lisboa há 14 anos?
Em resposta a esta pergunta, descobri uma peça arqueológica referente a esse espectáculo que decorreu a 7 de Fevereiro de 1992. Como curiosidade, deixo aqui alguns excertos dessas duas horas de programa de rádio - feito em directo.



Excerto da 1ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992


Excerto da 2ª hora de emissão do programa "Rock de cá" de 08/02/1992

19.9.06

AFP - TOP SEMANA 38/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 6 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (P) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º ESTE E O MEU MUNDO (OU) - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
4º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
5º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
6º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
7º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
8º FROM THIS MOMENT ON - DIANA KRALL (VERVE-UNIVERSAL)
9º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
10º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
11º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
12º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
13º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
14º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
15º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
16º BALANCE - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
17º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)
18º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)
19º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
20º A MATTER OF LIFE AND DEATH - IRON MAIDEN (CAPITOL-EMI)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

12.9.06

PunkPT is DEAD!

Foi com assombro que tomei conhecimento do ponto final no excelente e espantoso site PunkPT.
Entre 2000 e 2006 este espaço contribuiu para uma dinâmica crescente no que respeita ao punk nacional. É com imensa tristeza que dou aqui esta notícia depois de termos sido alertados por um comentário de Rui Pinto.
Em jeito de homenagem deixo-vos parte de um post escrito neste blogue, em 7 de Março de 2006, por João Pedro Rei e precisamente dedicado ao site PunkPT.
Ao mentor do PunkPT, Hugo Caldeira, deixamos um abraço de parabéns pelo fantástico trabalho que desenvolveu e espero vê-lo, brevemente, nesse ou noutro projecto na internet.

PUNK IS NEVER DEAD!

Luís Silva do Ó



Para tal, tenho que falar no Hugo Caldeira... Homem que não conheço e com o qual nada tenho a ver, a não ser visitar o seu espaço na Web. Esse espaço é a prova viva da célebre frase “PUNK IS NOT DEAD”.

Falo, claro está, no site punkpt, onde, graças a ele e ao seu “player”, já ouvi e passei a conhecer música portuguesa e novas bandas de uma onda que vai do punk, punk-rock, passando pelo ska...

Só pela audição já vale a pena passar por lá... mas o punkpt não é apenas um “player”! Sendo um site de design simplista, o importante é o seu conteúdo.

Entrevistas, reviews oficiais e de cibernautas a concertos e festas, fotos, mp3, calendário de concertos, fórum e notícias! Muitas notícias em que o comum visitante tem a hipótese de submeter também a sua e divulgar o que acha que tem que ser divulgado.

Claro que gostos não se discutem e nem todos gostam desta “onda”... Mas quem dera a tantas outras “ondas” ter mais gente a fazer o que o punkpt tão bem faz!

João Pedro Rei

AFP - TOP SEMANA 37/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 8 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (9P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (OU) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
4º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
5º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
6º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
7º AO VIVO NO COLISEU (2P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
8º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
9º PAULO GONZO (2P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
10º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
11º ESTE E O MEU MUNDO - BEBE LILLY (COLUMBIA-SONY BMG)
12º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
13º A MATTER OF LIFE AND DEATH - IRON MAIDEN (CAPITOL-EMI)
14º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
15º THE VERY BEST OF - FREDDIE MERCURY (EMI-EMI)
16º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
17º BALANCE - SARA TAVARES (WORLD CONNECTION-EMI)
18º LOOSE - NELLY FURTADO (GEFFEN-UNIVERSAL)
19º BEM FUNK - DJ MARLBORO (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
20º HUMANOS (5P) - HUMANOS (CAPITOL-EMI)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

8.9.06

O melhor tempo do canal maldito

O entusiasmo inicial foi substituído pelo prazer de continuar a debater o quotidiano, mesmo que a emoção seja mais contida e os textos menos explosivos. A motivação de onde germina a corrosão nem sempre funciona, sobretudo quando o meio é pequeno, os problemas permanecem idênticos e as “grandes lutas” são semelhantes ano após ano. Reconheço que o cansaço e as múltiplas actividades também não ajudam a que se mantenha um elevado ritmo produtivo. Umas semanas são mais ascendentes, outras menos, algumas são menos coloridas e outras são de um azul celeste pintado a justiça segundo Mateus.

Deixando o presente para trás, os primeiros tempos do blogue foram de constante crescendo e surpreenderam-me por completo. Pouco após o início, já tínhamos músicos novatos em troca animada de argumentos com tubarões e dinossauros da nossa música. Fomos favorecidos por certa sorte em cadeia, é certo, e contámos com a mais eficaz das publicidades, aquela que é realizada por quem lê e passa a palavra.

Entretanto, o Canal Maldito foi amadurecendo e os primeiros cabelos brancos emergiram num movimento atípico e transversal em que mais de seiscentas pessoas recebem uma irregular mas persistente newsletter - esta semana chegaremos à nonagésima. Ao atingirmos o terceiro aniversário, decidimos alinhar ao lado da promoção e, modestamente, ajudar a mostrar um pouco do que se vai fazendo neste rectângulo lusitano. Sabemos que não vai ser simples divulgar projectos em quantidade e qualidade pois é mais fácil reclamar do que aproveitar. Muita gente declara em voz alta e estridente que é quase impossível mostrar o que produz. Porém, quantas vezes não existe feedback quando uma porta – por mais pequena que seja – é aberta? O Bruno Gonçalves Pereira que nos diga quantos grupos responderam a um repto antigo…

O player que estamos a usar não tem nada de especial nem é novidade para quem circula por outros espaços da Internet. A principal novidade centra-se no facto de irmos mostrar música a quem nos visita, mesmo que estes “clientes” a não estejam a procurar. Vamos tentar não entupir a vossa paciência, procurando que a música seja absorvida e analisada. Pelo que, só iremos divulgar um projecto por semana, com direito a texto de destaque e a parágrafo na newsletter. Preferimos poucos e escutados do que muitos e abafados.

Naturalmente, a divulgação não pretende favorecer ninguém em particular, sejam bandas novas ou veteranas, músicos antigos ou principiantes, trabalhos editados por multinacionais ou meras demos gravadas em casa. Toda a música que recebamos será bem-vinda e tentaremos ser independentes e imparciais na sua avaliação e agendamento. Qualquer projecto vindo dos nossos cronistas terá tratamento privilegiado porque nada melhor do que complementar a escrita dos textos com o verdadeiro néctar que tanto debatemos. Os primeiros temas inseridos na nossa playlist são, precisamente, de um projecto (já extinto) de Ulisses, que respondeu positivamente a um pedido meu: “É pá, Ulisses, arranja-me umas músicas para testar o player”. Igualmente diria “António, pá, manda-me o “Deputado da Nação” que essa letra é fogo”. O ambiente dentro do Canal a isto permite e é um dos motivos para ainda haver blogue, contra certos ventos e certas marés adversas a pensamentos antagónicos.

A promoção através de blogues ou de outras páginas na Internet é um meio importante e que tem crescido nos últimos anos. Os músicos têm cada vez maior consciência da relevância da via digital, para o desenvolvimento das suas carreiras e aumento de notoriedade. O recente fenómeno protagonizado por José Cid, um artista há muito afastado da ribalta que conheceu até meados da década de oitenta, deve imenso ao seu percurso, às canções da sua vida e, bem assim, à crescente partilha ilegal de muitos dos seus trabalhos, que o deu a conhecer e aproximou de uma nova geração.

Além dos veículos de promoção tradicionais (rádio, televisão, imprensa, etc.) descobrem-se formas actuais igualmente eficazes. A divulgação de novos temas em telenovelas, o uso e abuso de toques de telemóveis ou a audição de novidades na Internet são soluções com resultados objectivos. Claro que para alguns artistas, a opção de promoção através de um player na net poderá ser inibida pelo fantasma da pirataria. Contudo, com uma qualidade não superior a 128 kbps, a tentação de “pilhar” pode existir, mas não passa disso mesmo.

Aproveitar estes novos caminhos promocionais é uma exigência. As vendas tradicionais das editoras têm descido e importa incentivar o emergente mercado digital onde os custos são menores e a possibilidade de retorno maior. No mundo das vendas digitais não existem custos de armazenamento, nem custos de fabrico, nem de distribuição e a margem de lucro de quem vende será menor do que a actualmente existente porque também a loja não terá as despesas fixas que, hoje, possui.

Por último, quem gosta de música vai continuar a consumir música mesmo que opte por comprar temas em vez de álbuns. Também os artistas irão optar por gravar e comercializar músicas avulsas em detrimento do que se faz presentemente. No futuro, acredito que o mercado vai privilegiar o single virtual regressando ao consumo de canções e ponto final.




A música nacional já teve períodos bem mais criativos e produtivos. O melhor tempo da música portuguesa pode não ser o que está para vir.
Todavia, somente o futuro nos pode dar a conhecer o desconhecido e são as potencialidades desse mundo desconhecido que nos fazem acreditar que o melhor tempo do canal maldito ainda não foi destapado.


Luís Silva do Ó

5.9.06

AFP - TOP SEMANA 36/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 8 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (8P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º ACUSTICO (OU) - ANDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
3º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
4º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
5º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
6º PAULO GONZO (P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
7º AO VIVO NO COLISEU (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
8º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
9º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
10º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
11º A MATTER OF LIFE AND DEATH - IRON MAIDEN (CAPITOL-EMI)
12º MODERN TIMES - BOB DYLAN (COLUMBIA-SONY BMG)
13º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
14º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)
15º UMA VIDA DE CANÇÕES - PACO BANDEIRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
16º ORAL FIXATION VOL. 2 (P) - SHAKIRA (EPIC-SONY BMG)
17º 8 (OU) - SANTAMARIA (ESPACIAL-ESPACIAL)
18º LOOSE - NELLY FURTADO (GEFFEN-UNIVERSAL)
19º IVE MENDES - IVE MENDES (CAPITOL-EMI)
20º HIT SINGLES - SANTAMARIA (VIDISCO-VIDISCO)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

29.8.06

AFP - TOP SEMANA 35/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 8 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (8P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
3º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
4º ACUSTICO (OU) - AMDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
5º AO VIVO NO COLISEU (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
6º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
7º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
8º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
9º PAULO GONZO (P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
10º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
11º 8 (OU) - SANTAMARIA (ESPACIAL-ESPACIAL)
12º UN MONDE PARFAIT (P) - ILONA (UNIVERSAL-UNIVERSAL)
13º A GIRL LIKE ME - RIHANNA (DEF JAM-UNIVERSAL)
14º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)
15º ORAL FIXATION VOL. 2 (P) - SHAKIRA (EPIC-SONY BMG)
16º RITA (2P) - RITA GUERRA (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
17º OS ULTIMOS GRANDES EXITOS VOL.2 - MARCO PAULO (ZONA MUSICA-ZONA MUSICA)
18º SUCESSOS DA MINHA VIDA - ROBERTO LEAL (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
19º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
20º LOOSE - NELLY FURTADO (GEFFEN-UNIVERSAL)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

28.8.06

Trabs na estrada


Os Trabalhadores do Comércio, que este ano comemoram o seu 26º aniversário, enquanto ultimam as gravações do que será o seu próximo álbum de originais, vão rodando pelas salas da península alguns dos novos temas e muitos dos que tornaram conhecida a banda. "Cordàbida" e "Febras de Sábado à noite", incluídas no primeiro single promocional, serão duas das muitas canções que se poderão ouvir já no próximo dia 31 de Agosto, a partir das 22 horas, nas instaurações do Casino Afifense, na praia de Afife. Este concerto, tal como ocorreu com o realizado no Bela Cruz no passado dia 28 de Julho, será parcialmente gravado em vídeo, para permitir a inclusão de imagens nos vídeos em fase de montagem.

No dia seguinte, 1 de Setembro, a banda sobe à outra margem do Minho para um concerto em Vigo, na sala Sete Mares. Ainda este ano os Trabalhadores do Comercio vão estar em Bruxelas para participar numa grande festa "Nortenha" a realizar na "Capital da Europa".

Na página web oficial da banda, www.trabalhadoresdocomercio.org o tema "Febras de Sábado à noite" pode ser descarregado em formato mp3 com qualidade broadcast, assim como fotos de alta resolução actualizadas.

22.8.06

A nossa vez

Num mundo de playlists chegou a hora do Canal Maldito ter a sua!
Com o novo player queremos divulgar músicas e projectos.
Quem esteja interessado em ver as suas músicas a circularem pelo Canal pode contactar-nos através do nosso email.

Neste momento de lançamento escolhemos 3 temas compostos por Ulisses para o seu projecto Dayoff. Uma surpresa para quem somente conhece o Ulisses da banda punk-rock k2o3.

Ficamos aguardando por novidades musicais!

Luís Silva do Ó


PS: Ulisses, para quando o regresso ao blogue com as tuas fantásticas crónicas?

AFP - TOP SEMANA 34/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 9 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (8P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º MICKAEL (2P) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
3º MI SANGRE (P) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
4º ACUSTICO - AMDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
5º ORIGINAL (3P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
6º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
7º BALADAS DA MINHA VIDA (OU) - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
8º AO VIVO NO COLISEU (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
9º PAULO GONZO (P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
10º 8 (OU) - SANTAMARIA (ESPACIAL-ESPACIAL)
11º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)
12º THEIR GREATEST HITS-THE RECORD (P) - BEE GEES (WSM/REPRISE-WARNER MUSIC)
13º TRANSPARENTE (2P) - MARIZA (CAPITOL-EMI)
14º UN MONDE PARFAIT (P) - ILONA (UNIVERSAL-UNIVERSAL)
15º LOOSE - NELLY FURTADO (GEFFEN-UNIVERSAL)
16º A GIRL LIKE ME - RIHANNA (DEF JAM-UNIVERSAL)
17º OS ULTIMOS GRANDES EXITOS VOL.2 - MARCO PAULO (ZONA MUSICA-ZONA MUSICA)
18º PCD (OU) - THE PUSSYCAT DOLLS (INTERSCOPE-UNIVERSAL)
19º THE VERY BEST OF (OU) - RUSSELL WATSON (FAROL/UNIVERSAL-FAROL MUSICA)
20º ORAL FIXATION VOL. 2 (P) - SHAKIRA (EPIC-SONY BMG)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

16.8.06

Vamos a casos concretos

Em Fevereiro ou Março, falaram-me de uma possibilidade de produzir um festival, a realizar no Verão, que pretendia um “100% de música nacional”.
Envolvi-me na coisa, perdi algum tempo em reuniões, à procura de nomes que dentro do orçamento poderiam cativar a atenção do público e dos media. Sendo eu um músico habituado ao “geral enrabanso” (vulgo de 5ª categoria, ou pelo menos sem a categoria reconhecida para poder exigir um cachet digno do nome) não podia estar agora com a conversa do costume para os meus colegas músicos, “que é a promoção…”, que é a “oportunidade de partilhar o palco com artistas de nomeada” (desta gosto mesmo muito…) etc., etc.
Sendo assim, na minha proposta, e para além dos nomes mais reconhecidos, aproveitei para lançar para as primeiras partes, alguns nomes da região, que se têm destacado pelo trabalho realizado, e que, com condições, podem debitar uma boa meia hora de entretenimento… ou seja, que têm música na alma, nos dedos, na voz etc., etc. Confesso, até, que procurei dentro dos nomes locais, e só depois de ter esse levantamento, é que organizei esteticamente as várias noites. Ou seja, os primeiros nomes a surgirem, e que marcariam a estética das várias noites, foram os locais. Contactei esse pessoal e informei das condições. Horários, condições técnicas disponíveis e cachet.
Ao promotor, expliquei, que desta forma, integraria nomes locais com “qualidade” (xiça custa-me mesmo dizer isto…) com uma programação nacional. Desta forma o festival teria a particularidade de trazer alguma visibilidade a quem a procura e não a tem mas vai fazendo por merecer… para além disso, a troco de um cachet ínfimo (comparado com o dos nomes nacionais) seria fácil atrair, também, as varias legiões de amigos/fãs desses nomes locais, que nas zonas mais interiores do pais são muitas vezes os únicos que consomem/frequentam festivais e concertos.
Tudo certo, tudo ok…
O tal promotor, achou muito bem e a coisa foi andando.
Entretanto, o Sr. da massa, o que paga, - o promotor - foi ao Rock in Rio, e… pelos vistos viu a luz… Luz que não era a da minha candeia e portanto, fiquei eu às escuras… Pronto, a vida é assim, umas ganhas, outras perdes, nada de novo ou terrivelmente chocante, só a vida… Não foi por perder o negócio, que me lembrei deste tema para esta crónica… Mas sim o seguinte:
Nas várias reuniões preparativas, o promotor, questionou, varias vezes, a necessidade de pagar cachet às bandas que até ensaiam perto do seu escritório ou que são da zona. Ao que eu fui argumentando, que a soma de todos esses cachets, não dava 50% do nome mais barato de todo o festival, que era uma questão de decência, que era boa publicidade, que era justo que assim fosse, que estes projectos só em casa é que não são reconhecidos etc., etc., etc. O sr. lá foi indo, mas sempre com “a pulga atrás da orelha”.
A seguir a ter “visto a luz”, arrumou-me para canto, e prosseguiu na sua aventura. Tudo ok.
A certa altura, e já de fora, percebi, que iria existir um palco secundário, para essas bandas locais e outras. Percebi, que o formato desse palco seria o de um concurso. Percebi, que os nomes locais por mim apontados, estavam nesse concurso, a custo zero… recebi um telefonema do Sr. “espetando-me a faca”, dizendo, que eu disto pouco percebia, já que as mesmas bandas estavam todas no festival a custo 0 e que eu, portanto, não passava de um enganador… ao que eu tive que responder que ele tinha razão… meti a violinha ao saco, e pronto.
O festival lá se fez, com um orçamento não muito longe dos 500.000 euros, nesse palco secundário as condições eram deploráveis, em termos de luzes tinha 4 par 64, ou seja 4 focos, ou 4 luzes ou como quiserem, em termos de som, pelos vistos, a coisa não foi muito melhor, já que quando uma das bandas no check sound pediu um microfone para a tarola, o técnico (ou o sapateiro ou como quiserem) respondeu agressivamente, que eles eram muito exigentes… entre outras, umas mais caricatas outras menos… deplorável, sem condições, sem dignidade, afastando o publico do festival e das bandas que se sujeitaram a tal…
Não digo que aprendi a lição, porque se a tivesse aprendido tinha aberto uma churrasqueira e tinha esquecido esta merda de fazer, sentir, respirar música… mas…
Não digo que a culpa é do tal senhor promotor.
Digo sim é que os músicos se dão muito bem nestas andanças de baixar as calças para que alguém enterre. Já que depois de terem sido contactados para tocarem no palco principal com cachet (e de alguns terem até regateado) acabaram por tocar de borla e sem condições técnicas mínimas.
Digo sim, é que este senhor, aprendeu, que músicos e bandas são como as crianças desde que lhes mostrem um rebuçado, e que, portanto, sempre que precisar, ou dos deste ano, ou os do próximo, ou os do lado de cima ou os do lado de baixo, há-de haver sempre alguém que a troco de duas cervejas lhe vai resolver o problema…
Pronto, foi isto… mais um promotor que sabe que não precisa de pagar ao povo… e aprendeu com os músicos. Da melhor maneira para ele e da pior para quem faz musica… e perpetua-se assim mais uma vez a fatalidade de uma industria cheia de amadores, rapazes com muito jeito, gente cheia de boas ideias, que amanhã serão empregados da tal churrasqueira que alguém vai abrir (não eu… eu não gosto muito de frango…), que vão continuar a ensaiar ao sábado com uma grade de cerveja e 4 charros… se a rádio perde 1000 ouvintes por dia, quantos ouvintes perdem as bandas que se sujeitam a estas condições? Nenhuns, já que ninguém os ouve agora… quanto a mim, e mais uma vez, perdi a paciência para estas merdas…


Rui Pintado

14.8.06

AFP - TOP SEMANA 33/2006

No top semanal de vendas da AFP encontramos 9 projectos musicais nacionais nos 10 primeiros.

1º FLORIBELLA (7P) - FLOR (SOM LIVRE-SOM LIVRE)
2º MI SANGRE (OU) - JUANES (UNIVERSAL/FAROL MÚSICA-UNIVERSAL/FAROL MÚSICA)
3º MICKAEL (OU) - MICKAEL CARREIRA (VIDISCO-VIDISCO/SOM LIVRE)
4º ORIGINAL (2P) - D'ZRT (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
5º EU AQUI (3P) - FF (FAROL MÚSICA/NZ-FAROL MÚSICA)
6º BALADAS DA MINHA VIDA - JOSÉ CID (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
7º AO VIVO NO COLISEU (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL-ESPACIAL)
8º PAULO GONZO (P) - PAULO GONZO (COLUMBIA-SONY BMG)
9º ACUSTICO - AMDRÉ SARDET (FAROL MÚSICA-FAROL MÚSICA)
10º A HISTÓRIA TODA - LUÍS REPRESAS (MERCURY-UNIVERSAL)


Ouro (Gold) 10.000 unidades
Platina (Platinum) 20.000 unidades
X P=X PLATINAS (Platinum)

Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal

6.8.06

Mais pregos para o caixão

Estamos num Verão abrasador e em que os motivos de interesse ligados à nossa música são cada vez mais anedóticos. Hoje, dia em que escrevo, está um calor sufocante, mas o pior inferno nem é a temperatura.

As rádios nacionais permanecem felizes e contentes, enquanto perdem quase 1000 ouvintes por dia. Não é grave. A este ritmo, um dia emitem para um éter vazio de pessoas e repleto de computadores. Estudos de mercado dirigidos para máquinas seria inovador.

Neste Verão, as digressões de sucesso permanecem as mesmas de sempre: Sem esquecer os “novatos” Da Weasel e David Fonseca, os GNR celebram 25 anos de carreira, os Xutos marcam presença em todos os grandes Festivais e os UHF regressam aos Coliseus de Porto e Lisboa. No reverso da indústria ao vivo, os grupos novos e desconhecidos vão sendo explorados, em nome da promoção e da miragem de uma carreira, antes de serem devorados pela fornada seguinte de promessas prontas a sumirem sem deixarem rasto. Tudo igual, ano após ano.

Porém, em 2006, ficou provado mais um teorema esquecido nas brumas do tempo. Pelas mãos de Júlio Isidro, um veterano mais jovem que 90% dos jovens, ficámos a saber que afinal, os portugueses e as portuguesas sempre gostam de música cantada na língua de Camões. A “Febre de Sábado” foi um sucesso e pudemos ver e escutar música portuguesa na TV, pelo que seria de esperar maior aposta na novidade e nos nossos artistas.

Seria de esperar, mas aquilo a que assistimos é paradoxal. Com um formato 20 anos atrasado, a RTP apresenta-nos o candidato a pior programa musical da década com “A canção da minha vida”. Se temos a maioria dos artistas originais vivos e com saúde porque motivos teremos de gramar um desfilar de versões? A coisa é tão absurda que nem perco mais uma frase com este atentado ao bom gosto. O mesmo se aplica à nova vaga de programas de Fernando Pereira.

Por outro lado, continuamos a marcar pontos no território da música portuguesa para adolescentes repletos de borbulhas. O top de vendas nacional faz lembrar as cassetes piratas que se escutavam nos quiosques das feiras em 1981 ou a vaga de artistas pimba anos depois. Entre uns e outros venha o diabo e escolha, até porque o pior crómio é aquele que não quer ver.

Reparem nos 3 primeiros lugares do top desta semana: Flor (6 platinas), FF (3 platinas) e D’zrt (2 platinas). Descendo um pouco na lista, conseguimos vislumbrar um Tony Carreira (8º lugar) e o seu filho Mickael Carreira (5º lugar), ambos com discos já platinados. Para completar o ramalhete, assistimos a uma nova entrada para a posição 30, de José Malhoa, o homem das clássicas “24 rosas”, agora num lançamento da “Espacial” com o novel trabalho “Vai ter que rezar”.

Qualquer extraterrestre que aterre por estas paragens vai sentir-se em casa ou fugir espavorido com medo de ser contaminado. Com pérolas deste quilate vale a pena reflectir sobre o futuro da música em Portugal?

“Eli, Eli, lemá sabactháni?”*


Luís Silva do Ó


(*) – “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” Mateus 27, 46



Breves notas:
1. Com os Coliseus dos UHF ao virar da esquina, deixo um abraço de parabéns ao tio do rock português, António Manuel Ribeiro, pelos seus 52 anos de idade.
2. Fernando Gonçalves, jc Serra e Oscar Martins, antigos elementos da banda punk Aqui d’el-Rock, regressam às composições no projecto há alma.
3. Claudia Matos Silva apresenta-nos o novo programa de rádio OPA, dedicado à música portuguesa.
4. A realidade da vida pode ser tão corrosiva como o humor e na nossa música a excepção ainda não é a regra. Os tons da crónica de hoje não foram coloridos, mas o novo single dos Orangotang, de Rui Pintado, dá-nos uma luz azul de esperança.
5. Velhos amigos cronistas onde estais?


Orangotang - Lâmpada Azul

3.8.06

Rádio perde quase 1000 ouvintes por dia

O segundo trimestre deste ano confirma a tendência do trimestre anterior nas comparações com os períodos homólogos de 2005. Entre o primeiro trimestre de 2005 (5,0 milhões) e o segundo trimestre de 2006 (4,6 milhões) a rádio perdeu 400 mil ouvintes. Ou seja, ao longo dos últimos 15 meses a rádio perdeu pouco menos de mil ouvintes por dia.

A Rádio Comercial, Cidade FM e Antena 3 contrariam a tendência de quebra, segundo dados divulgados esta quarta-feira pela Marktest.

Clicar para mais detalhes sobre os dados do 2º trimestre de 2006.

2.8.06

Aside - "We Are Frequency"


“We Are Frequency” é o novo disco dos Aside. A evolução da banda desde a edição do primeiro trabalho “Good Enough For Someone Else” é evidente. Os Aside cresceram como banda, músicos e escritores de canções.
A raiva destes quatro rapazes está bem captada no novo trabalho de estúdio, que teve a produção a cargo de Pelle Saether e a masterização de Peter In de Betou. O investimento foi grande pois manter uma banda fora de Portugal, durante um mês para gravar um disco, não é barato e calculo que o trabalho destes dois senhores também não seja. Os objectivos passam pela exportação e assim compreende-se e justifica-se tal investimento, com edições já agendadas para o mercado Americano e Europeu através dos selos Scream Records (EUA) e Punk Nation Records (Europa).

Nos últimos 3 anos os Aside têm andado numa roda viva infernal entre concertos em Portugal e no estrangeiro. Nestas andanças têm tocado com outras bandas como: Tara Perdida, Mad Caddies, Gas Drummers entre outros. Em Setembro seguem-se concertos em França, Bélgica, Holanda, Alemanha e Suíça.

As criticas em sites fora e dentro de Portugal têm sido muito positivas como podemos constatar em: http://www.europunk.net/reviews.php?id=1156

Acredito que o próximo trabalho da banda marcará a diferença. Os Aside, hoje, têm já escola de estúdio e estrada suficientes para poderem de uma forma construtiva escolher o seu melhor rumo. Em “We Are Frequency” falta apenas a canção, a tal canção que pode ser um hit de air play. Espero que essa melodia que toda a gente pode cantarolar (essencial à sobrevivência de uma banda profissional) surja no próximo trabalho de forma a os Aside darem definitivamente o pulo.

Uma dica: um ou dois temas em Português no próximo disco podem abrir espaço no mercado nacional e quem sabe no Brazil.

Canções a ter em conta: “Perfect Sound”, “Seduce All Your Enemies”, “These Cuts Will Kill”, “Small Leaves Will Fall” e “Silence In Delay”.


António Côrte-Real



Edição:
Sons Urbanos – sonsurbanosrecords@gmail.com

Site:

http://www.asiderockers.com

MySpace:

http://www.myspace.com/aside

Discografia:

Good Enough For Someone Else (FREEDUMB – 2003)
We Are Frequency (Sons Urbanos 2006)

Contactos:

aside@asiderockers.com
Apartado 1353 1011-001 Lisboa - Portugal

1.8.06

UHF: Reedição de "Há Rock no Cais"

Já está disponivel a reedição, em formato duplo, de "HÁ ROCK NO CAIS". Esta edição está limitada apenas a 1.000 unidades. O CD bónus contém uma série de extras muito interessantes para fãs e coleccionadores de material dos UHF:

1 - Matas-me com o Teu Olhar (acústico captado ao vivo em Amarante - 2005)
2 - Apetece Namorar Contigo em Lisboa (versão rádio)
3 - Barcos ao Mar (inédito)
4 - Juro que Tentei (versão longa)
5 - Deputado da Nação (inédito)
6 - Mas Só Gosto de Ti (Video - inédito)
7 - Matas-me com o Teu Olhar (Video)

A capa difere da primeira nas cores (a primeira era a preto e branco) e na informação extra sobre os temas da segunda edição.


Sugerimos, ainda, uma visita ao regressado blogue de António Côrte-Real Fora da Garagem.

27.6.06

A rádio é uma maçã

Pelo menos quem vos escreve estas linhas considera-a comparável. Mas, ao contrário do que as mentes mais imaginativas já supõem, não o é por estar madura e com bicho. Enfim, não é que a rádio de hoje não viva, genericamente, uma crise de identidade. Porém, encaro-a como se de uma maçã se tratasse, porque, para mim, será sempre uma tentação. Uma tentação que me conquistou irremediavelmente enquanto ouvinte e, mais tarde (entre 1987 e 1995), quando fui responsável por programas semanais. De autor, diga-se.
Curiosamente, além de uma tentação acaba por ser um bicho, um doce bichinho que tenho vindo a satisfazer com certa regularidade nos últimos tempos, em colaborações com Bruno Gonçalves Pereira - num programa onde se aliam as ideias e os conhecimentos da modernidade com as apetências pela comunicação.

Neste blogue discute-se o futuro da música e de todos os aspectos laterais, mas, essenciais para o seu mundo. A rádio sempre esteve ligada à divulgação de música e, ao contrário da televisão, quem fala de rádio acaba por lembrar-se de música e quem fala de música não pode ignorar a importância da rádio na sua promoção. É uma pescadinha de rabo-na-boca que viveu uma quente relação durante décadas. Não nos podemos é esquecer que já existia música antes de existirem rádios e que a música não vai terminar no dia em que as rádios claudiquem.

Concordo que uma rádio queira passar temas de sucesso. Já não consigo é compreender a razão pela qual o peso das vendas da música portuguesa é superior à percentagem de música portuguesa emitida. Por exemplo, na lista dos 30 discos mais vendidos em 2004 contavam-se os trabalhos de Da Weasel (3º), de Rui Veloso (9º) e de Mariza, sem que nenhum deles constasse da lista de temas mais escutados nas rádios nacionais nesse ano. Se o público compra mesmo sem a rádio promover porque razão a rádio não divulga o que os portugueses que escutam rádio compram? Ou será o grupo de portugueses que escuta rádio completamente diferente do que compra discos!? Depois de assistir ao escândalo futeboleiro do ano - “caso Mateus” - representado por ilustres juízes deste país, estou preparado para acreditar em tudo!

E porque estou hoje a falar de rádio em vez de exprimir a minha opinião acerca do jogo Portugal - Holanda? Podia dizer que não queria perder a oportunidade de explorar chão que já deu uvas após o meu último post ter atingido 69 comentários. Ou que mantive conversas paralelas com algumas pessoas ligadas à indústria, à rádio e à música. Ou que…
Porém, a verdade é que a crónica de hoje existe porque li um texto de Jorge Guimarães Silva – aconselho vivamente a sua leitura – em que se conclui que a rádio perdeu mais de 300 mil ouvintes comparando o 1º trimestre de 2005 com o deste ano.

Ora, estes números parecem mostrar que existe alguma coisa de errado. Se o actual modelo de rádio é bom como é possível uma quebra destas? Compreendo que os patrões das rádios não queiram mudar o formato nem passar músicas por decreto, contudo, se mesmo passando a música que os seus consultores indicam, feitos “científicos” estudos e mantendo determinado modelo de emissão, a rádio perde 300 mil ouvintes num ano por algum motivo será. As rádios parecem encontrar-se numa encruzilhada e quem as dirige tem optado por sinuosos caminhos nos cruzamentos com que se tem deparado ao longo das últimas 2 décadas.

O poder da rádio centrava-se, muito, imenso, na novidade, na mobilidade, na formação que realizava junto do auditório e na capacidade inata dos seus comunicadores - esmagadoramente constituídos por pessoas cultas, bem informadas, irrequietas, inquietas e inquietadas.
Poderia afirmar que a televisão matou a rádio, no sentido da rádio ter sido preterida dentro de casa, mas seria um equívoco. A televisão somente esmagou as manhãs da rádio quando os programas foram perdendo força e dinâmica. Quando os comunicadores foram sendo substituídos por gente com vozes jeitosas e, na sua maioria, com fraca capacidade e conhecimentos.
A televisão não esmagou a rádio. Foi a rádio que saiu do ringue de combate apostando em locutores, em estudos “científicos”, na normalização de listas de discos pedidos, terminando, em alguns casos, com a componente desportiva, esvaziando redacções com tarimba, despedindo jornalistas e contratando estagiários quase de borla.
Em simultâneo com a perda, em todos os horários, dos ouvintes “caseiros” - e o mais bizarro é que até os célebres e espantosos programas das madrugadas desapareceram sem deixar rasto -, a rádio acabou por apontar baterias aos ouvintes condutores. Nessa fase, uma rádio de música era mais atraente para os automobilistas do que uma cassete BASF de ferro com 60 ou 90 minutos de duração. Pudera, não era de admirar, leitores de CD's nos carros eram poucos e caros.

Um dos problemas é que estando a rádio barricada ao público que viaja de carro e com fraco sentido de novidade e de comunicação, caminha, inevitavelmente, para um beco sem saída.

Hoje em dia, já existem instalados, nos automóveis, leitores de CD's compatíveis com mp3, já existem leitores de DVD com respectivo ecrã, já existem diversos dispositivos móveis e não falta muito para que se sintonizem (nos nossos carrinhos) “rádios virtuais” através da internet. A vantagem da rádio, para quem conduz, vai passar a resumir-se à informação do trânsito? Será?
Não creio. Com o GPS, com o acesso à internet e com todos os serviços que o futuro próximo nos vai dar, vai ser mais fácil ver (literalmente) o estado do trânsito on-line.
Aliás, basta uma visita a alguns sites para já hoje sabermos como está o trânsito em zonas normalmente complicadas.

O cenário que tracei é pessimista? Talvez. Não obstante, acredito que as pessoas vão querer voltar a escutar rádio caso regressem a novidade, o arrojo, a comunicação, os programas de autor e a qualidade.

Com esses condimentos, a rádio será sempre uma tentação.


Luís Silva do Ó


*Este texto foi elaborado tendo em mente as rádios generalistas top de audiências. Outras rádios começam a dar sinais tímidos de mudança e as rádios do grupo RDP têm vindo a realizar um interessante percurso.

21.6.06

Vale a pena Portugal?

Antes de mais, os meus parabéns ao blogue e à iniciativa da discussão.
Este não é um tema novo para toda uma plataforma que discutiu profundamente o assunto e da qual fiz parte.
Apesar de alguns interesses não assumidos e lobizados nem a Rádio nem os homens da Rádio, são meus-nossos inimigos.
Considero-me sim inimigo duma puta duma mentalidade preguiçosa e estúpida que domina Portugal uns dias após o seu nascimento.
Humildemente acredito que a questão passa por inverter os hábitos e costumes de consumo.
Mas.... isso seria a inversão de Portugal, torná-lo menos periférico, mais orgulhoso da sua língua, numa espécie de reencaminhamento da bandeira à janela para uma elevação e evolução cultural.
Utópico que sou...
Uma espécie de Espanha, País traumático para nós, mas inviável de tanta inveja sofrermos.
Imaginem um Portugal onde se ouvisse o mais possível de tudo o que fosse produto nacional.
Onde se consumisse em todos os formatos, todo o tipo de musica de todas as áreas...
Acreditam nisso????

Portugal só é um País de vez em quando, porque tem comportamentos bizarros que se assemelham a grupos de nómadas à procura de um sítio para acampar.

Por isso estou orgulhoso de fazer parte de um grupo de pessoas inconformadas, que tentam inverter a situação, criando um processo lento de mudança que só daqui a muitos anos terá resultados efectivos.
Acredito que os novos projectos terão nessa altura visibilidade e...
Portugal valerá a pena.

João Gil

19.6.06

David Ferreira reage a "Música sem lei"

Registo que “não são os músicos (…) que pagam a rádio. Nem tão pouco as editoras, como sabemos. Se a telefonia não tiver audiência, não vende publicidade”. Os músicos e as editoras, é um facto, “apenas” produzem a música que atrai a publicidade. Se as rádios (e o Bruno pode dizer já isto aos seus patrões) entendem que não precisam do que os músicos e as editoras “apenas” produzem, cá estarei para ouvir a interessante programação que são capazes de fazer e para ver as grandes audiências e as enormes receitas de publicidade que assim vão conseguir.

David Ferreira – Administrador da EMI Music Portugal