18.4.06
UHF: Democracia participativa
Os UHF prometem muitas surpresas nas escolhas dos alinhamentos desta digressão. Segundo o grupo de Almada, "os ensaios têm sido densos, duros e recompensadores", sendo voz corrente entre o quarteto que "há muito não se preparava uma digressão nestes moldes".
É, ainda, proposto um desafio aos fãs e amigos para que participem na escolha do repertório desta digressão que irá conduzir à gravação do primeiro DVD dos UHF.
Assim, quem quiser pode votar em sete temas que gostasse de ver incluídos. O primeiro tema escolhido valerá sete pontos e o sétimo um ponto.
As votações devem ser dirigidas para info@uhfrock.com e devem ser realizadas até ao fim deste mês de Abril.
13.4.06
Eduardo Simões comenta "O outro lado"
Em primeiro lugar gostava de saudar o Canal Maldito. Não sendo um especialista em blogs mas apenas um observador ocasional, tenho lido com agrado alguns dos posts e não posso deixar de felicitar os responsáveis pelo CM por conseguirem um fórum de discussão civilizado onde a liberdade de expressão é exercida de uma forma responsável e... com assinatura!
Dito isto, tomo a liberdade de comentar o texto de Orlando Angelino, que levanta, de forma séria, questões importantes. Começo por concordar com o facto de a Internet possibilitar uma muito maior divulgação dos trabalhos dos novos talentos, Portugueses ou não. Todavia, penso que o panorama actual do mercado de concertos não se deve apenas à Net: houve uma evolução enorme no mercado do espectáculo e aí penso que foram os próprios hábitos do público que mudaram. Primeiro com os concertos de Artistas/Grupos estrangeiros, depois com o 'boom' do rock Português, mais tarde com a presença regular dos nossos músicos nas televisões, nas rádios - muitas vezes em programas "de autor" especializados na música mais actual. Para que isto fosse possível houve ainda outros contributos, tv por cabo, uma exposição enorme da música nos mais diversos locais (bares, centros comerciais, gares de transportes, centrais telefónicas, etc. etc., ao ponto de hoje quase não haver negócio digno desse nome que não esteja "sonorizado"). Há pois um conjunto de factores que alterou tudo e não um factor isolado, por mais importante que seja.
Relativamente às opções editoriais sobre a música dita "pimba" (não sou partidário de rotulagem qualitativa para qualquer tipo de música), também discordo. Este tipo de música sempre existiu, cá como lá fora, e, no passado não foi responsável por nenhuma quebra de vendas, antes pelo contrário. Também agora não deverá ser "diabolizado" como responsável por qualquer crise. De resto, no P2P, também se encontra abundantemente, esta música. Em relação á rádio, a Indústria, muito pelo contrário, tem vindo nos últimos anos a reivindicar alto e bom som, quotas para a música Portuguesa e, não menos importante, quotas para a passagem de novidades. Não defendemos nem a massificação do repertório estrangeiro, nem a "nostalgização" da rádio. Acredite, Orlando Angelino, que teria sido muito mais fácil ficarmos calados! A campanha da PLAM-Plataforma pela Música (com o apoio incondicional e desde a primeiro hora da AFP) tem sempre custos...
Quanto ao papel editorial das multinacionais, parece-me o seu comentário um bocado injusto a menos que se explique por um excesso de subjectividade. Basta darmos uma vista de olhos nas edições que se foram fazendo no período que refere.
Sobre se o fim dos "downloads ilegais" possibilitaria maior investimento em novos talentos, concerteza que sim. Editar repertório mais específico para o ver de imediato "ripado" na net em larga escala não é um investimento atraente para ninguém de bom senso. Neste ponto, cabe-me reafirmar o que já expliquei muita vez: as editoras são sociedades comerciais que, por definição, visam o lucro. Acontece que só o reinvestimento do lucro possibilita a aposta em novos talentos.
Os lucros que refere no iTunes e nos telemóveis estão, infelizmente, muito longe de poderem compensar, a quebra enorme que o mercado sofreu. Temos esperanças e trabalhamos para que isso aconteça. A campanha da AFP relativamente ao P2P, ao contrário do que alguns disseram, não é para assustar as pessoas, é para "abrir caminho" aos negócios digitais legais.
O exemplo dos Artic Monkeys, é um bom exemplo, foram eles próprios que quiseram, numa fase inicial, disponibilizar o seu trabalho gratuitamente. Foi uma opção consciente dos próprios, não foi uma decisão de terceiros, ou de milhões de terceiros. Depois, segundo julgo saber, partiram para outra via e assinaram com uma editora.
Em França, há de facto uma corrente que defende um esquema de compensações que eu diria são minimalistas. Todavia, não obteve a consagração legislativa que alguns chegaram a celebrar em Dezembro passado. De resto, esquemas de substituição de direitos exclusivos por remunerações simbólicas, é tapar o sol com a peneira: se isso fosse posto em prática em França, dentro de um ou dois anos, verificar-se-ia uma redução drástica do número de edições o que, num país com uma quota de produção nacional de cerca de 50%, seria criminoso para a Cultura Francesa.
Por último, tem toda a razão o Orlando Angelino quando diz que a Indústria foi lenta a abraçar algumas novas tecnologias. Todavia, está a recuperar a bom ritmo. Neste momento já há 3 serviços legais em Portugal para download a partir da Net. São mais de 1.100.000 de canções a cerca de 1 Euro cada uma, e ainda há descontos possíveis.
Se os preços são justos ou não, penso que a questão se deve colocar em relação a todos os bens e serviços que queremos. Se houvesse possibilidade de baixar preços para aumentar as vendas, há muito que as editoras o tinham feito. Já viu o preço a que estão outros bens culturais e o que aumentaram nos últimos 12 anos comparativamente com o que (não) aumentou o CD? Pense um pouco no que custava um bilhete de cinema, de concerto ou um livro há 12 anos.
Com os melhores cumprimentos e votos para que encontre sempre mais música que goste,
Eduardo Simões
12.4.06
O outro lado
Mas atenção que não venho aqui defender a pirataria, seja ela de música, filmes, jogos ou outra coisa qualquer. Apenas vou tentar dar uma opinião mais diversificada de quem tem cerca de 600 cds originais em casa e que não deixou de comprar os originais só porque eles existem na internet sem custos.
Antes da internet surgir, o mercado de música moderna portuguesa estava muito mais estagnado do que agora pois a divulgação que havia era 80% bandas internacionais, 17 % música popular portuguesa e devia de restar pouco mais do que 3% para divulgar a boa música moderna que se faz no nosso país.
E os concertos não decresceram, pelo contrário, aumentaram em grande número, mesmo sem as ditas salas para tocar.
Basta irmos ao site http://www.epilepsiaemocional.org/agenda ou ver as páginas do Blitz para concluirmos que há mais concertos seja em que ponto do país fôr e não só nos grandes centros.
Será que a quebra de 40% das vendas em Portugal não será devido às opções que as próprias editoras tomaram de editar artistas duvidosos e esquecer a boa música portuguesa que as pessoas querem comprar? Será que esse decréscimo não foi quase todo na dita música pimba, pois essa é direccionada para as classes com menos poder de compra?
Conheço vários músicos e bandas com projectos interessantes para editar e nenhuma editora apostou nos seus projectos; e pelo menos dois desses que acompanhei de perto tiveram que o fazer em edição de autor, sem distribuidora, porque nenhuma editora lhes pegou.
Por outro lado foi esta mesma indústria que andou anos a impigir-nos música anglo-saxónica 24 horas por dia na rádio portuguesa, porque isso lhes dava mais lucros: é que evitavam os custos de estúdio, de produção, de músicos, de criação gráfica, etc.
E a música moderna portuguesa? Tirando um ou outro caso de sucesso, se formos analisar os ultimos 15 anos pouco ou nada de novo foi editado pelas multinacionais, mas sim por pequenas editoras, muitas delas já extintas.
Espanto-me agora ao ver aqui neste blog e noutros de música portuguesa muitos a defender as editoras, quando foram eles mesmos os maiores críticos há tempos atrás.
Ou como é possível que alguns artistas que lutaram e reclamaram das explorações das editoras, do sistema fechado musical, das dificuldades que este sistema de "máquina de fazer dinheiro" levanta (principalmente aos jovens artistas), vêm "hoje" defender essa mesma máquina de fazer dinheiro?
Será que sem os dowloads ilegais havia mais música portuguesa editada e divulgada?
E nem vou falar aqui da questão do IVA, pois essa já foi abordada aqui há algum tempo atrás.
Muita gente fala do decréscimo de vendas de cd`s, mas e então os lucros enormes que estão a acontecer com sistemas como o iTunes ou os toques de telemóveis?
Quer se queira quer não a internet tem esse grande dom de tornar acessível ao grande público artistas que de outra forma nunca seriam escutados e caíriam no esquecimento. Vejamos o caso dos ingleses Artick Monkeys que se divulgaram a eles próprios através da internet e o seu álbum de estreia foi o mais vendido de sempre na Inglaterra para um artista estreante (250 mil cópias).
Nos Estados Unidos os Panic At The Disco divulgaram a sua música através dos chamados P2P (eMule, Limewire, etc) e praticamente 500 mil fãs compraram o álbum quando saiu nas lojas, mesmo tendo as músicas no computador.
Em França existe actualmente uma movimentação para a legalização da troca de música em P2P, com compensações alternativas para direitos de autor, editoras e distribuidoras, como acontece actualmente na difusão pública de música em rádios, restaurantes, bares, discotecas, etc.
Como referi no inicio deste artigo, não defendo a pirataria informática, e até defendo a punição de quem faz dowloads ilegais na internet, mas gostava apenas que existissem mais alternativas na "rede portuguesa" e a verdade é que elas não existem, tirando a compra de uma simples música por cerca de 1 euro e pouco mais do que isso.
A própria indústria (seja ela discográfica ou cinematográfica) atrasou-se muito e aos poucos vai tentando formas de contornar a tecnologia, mas acho que não é através de multas que o vai conseguir. Acho sim que deveria tentar primeiro procurar alternativas viáveis e com um preço justo para quem não se quer deslocar a uma loja para comprar um cd a 20 euros.
Já agora vejam este link: http://arstechnica.com/news.ars/post/20060406-6541.html
Dá que pensar?
Orlando Angelino
Festival Santos da Casa
Em Abril e início de Maio, Coimbra vai ser invadida pela música portuguesa, com concertos, exposições e palestras.
Paralelamente ao festival, que tem início a 19 de Abril, decorre no TAGV uma exposição de memórias de música portuguesa.
Mais informações em http://santosdacasa.blogspot.com
3.4.06
Um mergulho no saque
E se o negócio da música está mau em todo o mundo, a música portuguesa ainda se encontra em pior estado. As vendas têm baixado e as apostas das editoras têm de ser bem reflectidas. Os novos músicos não editam, não têm espaços para tocar, não passam na rádio e não surgem em programas de televisão. Esta sequência é aleatória, mas o ciclo vicioso está a provocar danos em toda uma geração de criadores sem possibilidades de furar. Contudo, não são somente os novos músicos a terem problemas com o momento presente. Tirando uma minoria de consagrados, temos um vasto leque de artistas com passado relevante que se encontram a atravessar um limbo prolongado, pouco habitual e indesejável.
Aproveito para um aparte a que voltarei em próxima crónica. Ao contrário de algumas vozes, não acredito que os veteranos tapem lugares às novas gerações. O mercado internacional mostra que coexistem novos e antigos valores. Os U2 ou Elton John não bloqueiam o surgimento de outros projectos de grande dimensão porque existe mercado para todos. Porém, para que tudo funcione é imprescindível que exista mercado e, nos dias de hoje, corremos o risco de o matar…
Há 25 anos, o “Mãozinhas” adorava ir de noite ao supermercado “fazer compras”. Costumava levar todos os bens que lhe apetecesse e depois deixava as portas escancaradas para que todos os amigos pudessem repetir os carregamentos.
Já o “Brocas” era um destravado que chegava depois do "Mãozinhas" fazer o "trabalhinho" e, além das suas “compras”, mantinha as portas abertas e distribuía tudo o que continha o supermercado.
Entrando sorrateiro, o “Pantufas” só levava umas coisinhas e tentava sumir rapidamente com medo que algum segurança o visse.
Em pleno século XXI, estes 3 rapazes modernizaram-se e deixaram o desconforto das saídas nocturnas. Operam hoje nas suas casas e são especialistas da negra arte do saque pela Internet.
O “Mãozinhas” permanece o mesmo palerma de sempre. Agora, até se dá ao luxo de comprar CD's para depois os ripar, os compactar com todas as imagens que integram os discos e os disponibilizar para que possam ser sacados na Internet.
O “Brocas” aproveita o trabalho do “Mãozinhas”, saca os discos e incentiva a continuação do vil saque ao manter esses ficheiros acessíveis para posteriores uploads.
Por último, o “Pantufas” tenta não partilhar, mas, vai sacando sempre que pode. Ainda assim, enquanto “saca e não saca” acaba por ir permitindo que outros saquem os fragmentos que ele vai conseguindo transferir para o seu computador.
A diversidade do que se encontra disponível na Internet é impressionante. Mesmo sem contribuir activamente para o fenómeno, conseguimos visualizar um vasto leque de exemplos do que se passa no presente. Quase tudo se consegue sacar pela Internet: aplicações e jogos de computador, séries de todo o género, filmes ripados de DVD's ou filmados durante a sua exibição nas salas de cinema, etc. E, no âmbito daquilo que mais nos importa nesta crónica, na música, além das edições recentes, consegue-se encontrar de tudo um pouco… até trabalhos nunca editados em formato digital!
Há 15 dias, tive oportunidade de conversar com José Cid e confirmei que o “Cantando Pessoas Vivas” (disco de rock progressivo gravado pelo Quarteto 1111 em 1975) não existia em formato CD. Todavia, este disco encontra-se disponível nos programas de partilha de ficheiros.
Também o nosso amigo António Manuel Ribeiro tem poucos trabalhos recuperados para o formato CD. Contudo, o disco ao vivo “No Jogo da Noite” (que tenho em LP) encontra-se, não só, disponível, como em versão remasterizada!
Considero que estes e muitos mais álbuns deviam ser lançados em CD, mas, o que me interessa ressalvar aqui, hoje, é o nível de sofisticação a que as coisas chegaram.
Existem pessoas que se dão ao trabalho de passarem som analógico para digital e de cuidarem profissionalmente do produto final antes de o disseminarem pela Internet…
Estes rapazes contribuem, em escalas diferentes, para o descalabro de toda a indústria musical e enganam-se aqueles que consideram que os artistas não necessitam das editoras para nada.
A principal diferença entre o pirata dos livros de história, barbudo e de arma em riste e o pirata dos nossos dias é que, antigamente, ele tinha consciência de que arriscava.
Actualmente, o sentimento de impunidade é absoluto e ninguém imagina que possa ser, num destes dias, apanhado e condenado. Considera-se impossível que sejam todos apanhados ao mesmo tempo, pelo que, a probabilidade é um argumento forte em prol da manutenção de hábitos, pois, existem dezenas de milhares de portugueses que aderiram ao sistema das borlas ilegais, muitos deles pagando upgrades aos fornecedores de Internet para usufruírem de maior quantidade de tráfego.
Apesar dos ISP’s operarem dentro da legalidade, pacotes que incluam 30, 40 ou 50 Gigas de tráfego internacional serão consumidos em quê? Em acessos à conta de email não será certamente…
Quem se habituou a sacar tem outro argumento falacioso e que se relaciona com o preço dos CD's. Como os discos são caros não faz mal piratear…
Pois, eu também sou daqueles que considera o preço dos discos elevado e sei que se os preços fossem menores a minha colecção já ocuparia o dobro dos móveis. Creio que um CD deveria ser tributado com o IVA de 5% (só aqui o custo baixava 16%) e que o preço não deveria ultrapassar um patamar de 10 ou 15 euros. E edições com mais de um ano deveriam ser sinónimo de “nice price”. Dando um exemplo aqui da “nossa casa” (alô Ulisses), encontrei, num destes dias, o primeiro CD dos k2o3, “És Capaz”, editado em 1996, à venda por 12 euros numa das maiores lojas de venda de discos deste País. Como é possível vender um CD com 10 anos a 12 euros!?
Pois, o preço dos discos pode não ser barato, contudo, eu não ando a roubar ecrãs de plasma só pelo facto de os considerar caros…
Regressando ao “sentimento de impunidade”.
A impunidade é meramente aparente porque, exceptuando alguns casos menos vulgares, o comum do cidadão faz cópias ilegais “à descarada”.
Como já dissemos, nós próprios realizámos alguns testes em que determinámos os ISP e IP's de piratas em programas P2P. Qualquer pessoa, mesmo sem grande formação tecnológica, poderá obter o mesmo resultado. Depois, bastará chegar ao responsável através dos mecanismos legais disponíveis para o efeito.
A ofensiva lançada recentemente pela AFP vai começar a dar resultados. Não que se termine em absoluto com a pirataria – nisso não acredito -, porém, não duvido que, com duras medidas restritivas, se consiga controlar esta questão.
Para primeira abordagem ao tema, centraria a preocupação na música portuguesa e seleccionaria os “Mãozinhas”, ou seja, aqueles que colocam as novidades online e faria deles exemplos a não seguir. Mais do que as dezenas de milhares de “Brocas” ou de “Pantufas” são estes “Mãozinhas” os principais responsáveis pela situação actual.
As editoras necessitam de ser rentáveis para continuarem a apostar em novidades e os músicos precisam de editar e de receberem os respectivos direitos. Esperamos que a ofensiva da AFP comece a surtir efeito dissuasivo.
Mesmo num País com um sistema judicial moroso como o nosso, ninguém gostará de arriscar ser apanhado se souber que o pode ser de facto…
Sacar não é legal, yô…
Luís Silva do Ó
P.S.: O tema é apaixonante e deve ser encarado numa perspectiva global.
1. É diferente o uso destes downloads para fins comerciais ou para fins de consumo pessoal. São casos diferentes e a Lei prevê penalizações diferentes. Contudo, o autor de uma obra é o detentor dos direitos da mesma e só o próprio (e a quem a mesma esteja licenciada) é que pode decidir disponibilizar a mesma gratuitamente ou não. O argumento, de alguns cidadãos, que afirmam "não serem piratas porque não retiram dividendos financeiros pela partilha que realizam" não anula um acto de incumprimento do respeito pelos direitos do autor e pela Lei que se encontra em vigor. O termo "pirata" pode não ser o melhor, mas, o termo "criminoso" é juridicamente correcto.
2. Existe muita gente que não "simpatiza" com as editoras. Porém, sem editoras, quem paga o investimento que é necessário realizar para gravar um disco? Quem paga o estúdio? Tirando alguns que possam ter recursos financeiros a maioria das bandas não pode dispor de centenas de contos para gravar um disco.
3. Downloads de canções protegidas e feitas de forma ilegal é uma coisa e downloads legais e gratuitos outra bem diferente. Quem disponibiliza gratuita e legalmente temas na Internet está a promover, inteligentemente, o seu produto. Pessoalmente, como já defendi diversas vezes, sou a favor do uso da Internet como meio promocional. O que nunca concordarei é com a disponibilização de qualquer música à revelia dos seus criadores.
Entrevista a David Ferreira, conduzida por BGP e LSO em 13 de Março de 2006.
"Pirataria na net" (2)
Em Portugal, o seu uso é corrente e tem aumentado ao longo dos últimos meses, enquanto o sentimento de impunidade deste tipo de actividade permanece entre os seus utilizadores.
Contudo, o sentimento de impunidade não passa de um mero "sentimento". Apesar de ser humanamente complicado responsabilizar todos os prevaricadores, a sua identificação não é tão "impossivel" como alguns pensam.
No site www.pro-music.com.pt estas e outras verdades são explicadas de forma directa e simples, enquanto algumas medidas no combate à pirataria são anunciadas para muito breve.
Durante o dia de amanhã, 4 de Abril, vão ser apresentadas as primeiras queixas-crime em Portugal relativamente à partilha não autorizada de ficheiros musicais nos serviços de partilha de ficheiros (P2P).
Todavia, esta abordagem activa e musculada por parte da AFP surge num momento em que as diversas empresas fornecedoras de internet continuam a aumentar as velocidades e os tráfegos disponibilizados para download.
Alguém acredita que tarifários com 30 Gigas de tráfego internacional sejam apenas utilizados para ler emails e outros fins lícitos?
2.4.06
"Pirataria na net" (1)
Entre 2000 e 2005, o mercado discográfico, em Portugal, desceu 47%, representando uma quebra acentuada no número de unidades vendidas, de 15.161.880 para 9.068.062.
Em termos de facturação a descida foi para quase metade: de 106 milhões de euros em 2000 para 56 milhões de euros em 2005.
O "Canal Maldito", ao longo da próxima semana, irá aprofundar este tema. Para iniciar o debate/reflexão, deixamos a opinião do Director-geral da AFP, Eduardo Simões, recolhida durante a apresentação do Plano de Combate à Pirataria Digital.
Nessa tarde foi ainda lançado um folheto-guia e apresentado o site www.pro-music.com.pt.
Entrevista a Eduardo Simões, conduzida por BGP e LSO em 13 de Março de 2006.
29.3.06
Resmas de má qualidade
Ora bem…
Sempre que se fala de música portuguesa, e no “esgrimanço” de argumentos, há sempre quem puxe para vários lados: as culpas, os méritos, as negligências…
Há, no entanto, uma premissa que nunca vi assumida, mas que me parece fundamental.
(Este raciocínio resulta de anos em garagens com bandas da mais variada proveniência estética, acompanhá-las ao vivo, gravá-las em estúdio, etc. Ora sigam…)
Se escolhermos uma banda portuguesa de garagem, que entre todos nós seja evidente a falta de qualidade ou nível ou, melhor ainda, uma banda que possamos assumir sem problemas que é má, que toca mal, que tem más canções, que tem má cena.
Se pegarmos nessa banda, e fizermos uma gravação, também má; se fizermos um CD com mau design e má apresentação… uma coisa que nos pareça a nós - que somos razoavelmente esclarecidos - MAL.
De seguida, marcamos uns concertos aos gajos. Sítios onde eles possam apresentar a sua “cagada”. Anunciamos a “tour” de apresentação por blogs, jornais, rádios, etc.
A conclusão que vamos tirar (e aposto…) é que nesses concertos vai haver gente que vai gostar, e esses vão falar com a banda e vão-lhe dizer que gostam, vão comprar o disco, vão levar para casa, ouvir, mostrar aos amigos; os amigos vão também gostar e passar aos seus amigos, and so on, and so on…
A banda, vai ouvir muitas vezes o usual… “Vocês têm muita qualidade”, “Como é que as rádios não passam a vossa música?” “Como é que nenhuma editora pegou em vocês?” “Este país é sempre a mesma merda!” “Porque é que vocês não vão tocar ao Sudoeste?”…
Ora bem, ora bem…
Mesmo não querendo ser mauzinho, eu digo (mas quem sou eu, dizem vocês… e muito bem) que destas bandas há muito por aí…
E temos muita linha escrita, e muito minuto de airplay e muito “passa a palavra” com bandas assim.
Com um bocadinho de sorte, os nossos rapazes, vão ter inúmeras referências na imprensa e rádios.
Ora bem, ora bem...
E quando, se estiver a discutir musica nacional e os seus problemas, os nossos rapazes, poderão, com alguma legitimidade, apontar o seu caso de inúmeros concertos, críticas positivas, encorajamento, referências na imprensa e no entanto, nem rádios nacionais, nem editoras, nem estrelato!
Serão, portanto, vítimas de um País que não reconhece os seus artistas e a sua cultura, ou apenas UMA MERDA????
Por difícil que vos pareça este exercício, por experiência própria vos garanto que já vi isto acontecer, à minha frente, muitas vezes.
Daí a minha postura pouco típica e pouco amada entre os meus colegas músicos.
Eu aceito que muitas músicas não entrem em playlists ou muitas bandas não consigam contratos, etc. E não coloco os meus projectos ou aqueles em que trabalhei fora deste raciocínio. Daí que muitas vezes quando levo com o tal “vocês têm muita qualidade” ou “Porque é que nenhuma editora aposta em vocês?” ou “isto devia passar na rádio” eu vou respondendo com um seráfico “talvez não passe porque não é suposto” ou “talvez não tenha editora porque não devia ter editora”.
Este raciocínio (entre outros mal amados) levou-me a colocar o seguinte post a propósito da nova lei da rádio num Fórum muito interessante (http://www.divergencias.com/)
“música é música, ou seja, alguém por esse mundo fora ker saber se os Abba são música sueca? Se a Bjork é música islandesa? Se os Rammstein são música alemã? Se os Air são música francesa? Se os Pizzicato five são música japonesa? Se os Sigur Rós são música islandesa? Se a Kylie Minogue é música australiana? Se os Rasmus são música Finlandesa?
Penso k as respostas são sempre “não”, o que as pessoas querem saber é se é música boa para os seus ouvidos.
Ainda
No futebol temos o conhecido fenómeno dos treinadores de bancada, não estará esta discussão sobre airplay de rádio, a trazer para a ribalta enormes quantidades de playlisters de bancada? (neste caso talvez playlisters de orelha).
Mais
Através de uma pesquisa simples no google ou outro, podemos encontrar por esse mundo fora emissões online de rádios segmentadas, talvez seja interessante procurar as equivalentes internacionais ás nossas nacionais… e veremos que as nacionais, nem estão fora dos parâmetros, e pessoalmente penso, que mtas vezes a vantagem é das nacionais em termos de gosto veiculado.
Isto para dizer que, obviamente, as rádios de maior preferência do público são as que divulgam conteúdos mainstream… nada de novo até aqui, o mainstream é mainstream, porque é abrangente, porque não choca porque chega ás massas.
A pergunta (do espeta a faca)
Teremos nós produção musical mainstream capaz e em quantidade de ser incluída entre o novo single do eminem, a nova dos Queens of stone age, seguida das Pussy Cat dolls, ou dos Linking Park feat Jay Z, ou dos U2, Coldplay, The Killers, etc.?
Não estou com isto a fazer juízo de valores em relação a qualidade praticada por estes nomes, estou só a afirmar, que estes nomes produzem mainstream e por isso são preferidos pelas massas e que as rádios k procuram as massas têm k se mover nestes territórios…
As restantes rádios, são de nichos e esses não são os que agregam as preferências das maiorias… mais uma vez não é um juízo de valor mas sim uma constatação que quem faz música para nichos dificilmente obterá o reconhecimento massivo do seu trabalho.
Em jeito de conclusão
Sejam estes pontos válidos ou não, cabe aos músicos de origem Lusa, a árdua tarefa de fazer música para que quem a ouve não se preocupa ou pondere a origem mas sim apenas se gosta ou não.
Ainda fundamental, perceberem que targets querem atingir e produzir trabalho em função das referências internacionais, sendo que se o objectivo é a massificação do consumo da sua música será fundamental produzirem de acordo com as oscilações artísticas e estéticas aceites pela generalidade dos consumidores.”
Espero ter contribuído para o refreshment destas discussões.
Abraços
Rui Pintado
Além das suas múltiplas actividades ligadas à música, Rui Pintado integra desde Fevereiro os Orangotang. Aqui fica "So", actualmente na playlist da Best Rock e a passar nas 5ªas feiras da Antena 3. Espero que gostem! LSO.
22.3.06
Trabalhadores do Comércio - regresso em breve
Excerto da entrevista aos Trabalhadores do Comércio, a ser transmitida, na integra, numa das próximas emissões do programa Atlântico.
18.3.06
Júlio Isidro prepara novo programa musical
Baseado na fórmula da Febre, Júlio Isidro projecta um novo programa de televisão em que o apoio à música portuguesa seja efectivo, incluindo a necessária e premente divulgação de novos valores.
Como escrevíamos na crónica, “Foi você que pediu um boom?”, será que Júlio Isidro vai surpreender e ficar, uma vez mais, ligado ao lançamento de uma nova geração de nomes?
Luís Silva do Ó
Excerto da entrevista a Júlio Isidro, a ser transmitida, na integra, numa das próximas emissões do programa Atlântico. Agradecemos à JIP as facilidades concedidas.
13.3.06
Confederação de almas
Às vezes tem de ser um rastilho a fazer-nos voltar a uma nova explosão. Assim aconteceu, a parte do núcleo duro dos “escritores” e frequentadores do Canal com a “Febre” de Júlio Isidro. Quem partiu para assistir a pensar que estava perante uma emissão do Canal de História, ao serem iniciadas as hostilidades, de imediato se apercebeu de que o sempre bom, reforçado por sangue novo e um impulso, é inspirador para os caminhos que a música tem de traçar. Júlio Isidro continua insuperável na sua forma de comunicar e no papel de divulgação da música portuguesa, ainda que tenha recorrido ao baú, sabe quem como eu viu, que esteve muito para além disso, com músicas novas a serem tocadas e o entusiasmo igual ou maior do que nos clássicos.
A conjuntura foi especial até porque durante a tarde, desse mesmo dia, estivémos à conversa com o John Watts dos Fischer-Z num hotel ali perto do Pavilhão Atlântico, um músico do imaginário, que não teve receios de experimentar coisas novas na sua carreira que além de musical é literária, no que tem uma afinidade também com o nosso amigo António Manuel Ribeiro, um momento de imaginário em plena tarde nublada mas luminosa da grande Lisboa.
Acontece que não é necessário fazer viagens no tempo – apesar de agradáveis como estas – para encontrar exemplos de persistência, constância e coerência numa carreira na música. Basta olharmos para uma série de bandas portuguesas e artistas a solo para vermos isso e, convenhamos, nem todos têm conhecidos nas editoras e rádios – como se isso fosse critério- a maior parte são gente como nós, apaixonados pela música, nada mais. Se se puder viver da arte que se perfilha, tanto melhor.
É também já recorrente e nostálgica a batida nas editoras e nas rádios, sabemos que há alguma falta de largura de vistas e as primeiras têm perdido inclusivamente bons negócios com música que valeria muito a pena, mas alguns têm despontado, todos vemos isso. Não teremos às vezes um velho do restelo a habitar em nós? Também já fiz essa pergunta ao espelho ou num local qualquer... e a resposta às vezes pende para o lado do sim. E mais irritado fico quando me vejo a justificar com a maneira de ser característica da nossa nacionalidade, e mais ainda quando na vez seguinte volto a fazê-lo.
A Rádio Arapuca
Devo dizer que sempre defendi uma quota de cerca de 20% de música exclusivamente de nacionalidade portuguesa nas rádios, excepção feita às em que o formato não o permite de todo. Também que metade dessa música fosse do último ano ou ano e meio. Não são apenas os estudos a que tive acesso, mais o bom senso, acho.
Ora aí está ela, a tão reclamada lei da rádio. Música portuguesa por decreto em airplay, ou melhor, em lista – também temos de ter ter pelo menos 60% de palavras portuguesas no texto.
A Lei aprovada em Janeiro estabelece quotas entre os 25 e os 40%, cabendo ao Governo fixar, todos os anos, o valor das quotas a cumprir.
Depois de várias revisões aí está o texto final. O diploma define como música portuguesa as composições musicais "que veiculem a língua portuguesa ou reflictam o património cultural português, inspirando-se, nomeadamente, nas suas tradições, ambientes ou sonoridades características, seja qual for a nacionalidade dos seus intérpretes." ou aquelas "que não veiculando a língua portuguesa por razões associadas à natureza dos géneros musicais praticados representem uma contribuição para a cultura portuguesa.".
A quota deve ser ocupada por "60% de música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos estados membros da União Europeia." e "35% de música cuja primeira edição fonográfica ou comunicação pública tenha sido efectuada nos últimos 12 meses".
Lemos o diploma, agora vamos interpretar e fazer futurologia, pela experiência presente de uma década de rádios nacionais e década e meia de locais, conhecendo o que as casas gastam para o bem e para o que podia ser melhor. Uma das primeiras tendências será preencher totalmente o que as quotas permitem de clássicos da naftalina portugueses, outra coisa que irá acontecer é abrasileirar ainda mais as rádios portuguesas até aos 40% da cota de nacionais permitida. A dita música de dois ou três acordes e letra magarefe a que se “convencionou” chamar “pimba” tem terreno fértil para procriar em algumas menos esclarecidas locais, felizmente as nacionais mantêm um certo tino na selecção. Também não é de admirar que os programadores / coordenadores musicais das rádios comecem a ter de fazer muitas contas de cabeça para cumprir a lei escrupolosamente, “ Ora deixa cá ver, destes 25% tenho de passar 60% de europeia portuguesa e mais 5% de portuguesa sem ser. Africana , brasileira, franceses que cantam português, 35% de música nova, aaaahhh onde é que eu ia? Ah, é verdade,o Sting contará?”. Ou até que se puxe ao incumprimento. E de que valor serão as coimas pelo não cumprimento? Uma coisa é certa, é possível passar até bem mais de música portuguesa do que exige a lei. A RDP passa em média 60% desde há algum tempo a esta parte e mantendo nível técnico nas escolhas...
Uma das primeiras coisas que salta à vista é a tristeza de ter de se legislar para se ouvir mais música portuguesa, a seguir vê-se que o que vai aumentar basicamente é a passagem de música brasileira, o que de resto já se nota em algumas rádios. E lá vamos nós, em Espanha pouco toca da América Latina, é mesmo é mais música espanhola. E sem qualquer tipo de preconceito em relação à música brasileira, mas recordem-se que do outro lado do Atlântico música portuguesa não entra e já não é uma questão de acesso, como bem sabemos, nem tão pouco de promoção. Por isso digo que a elevada passagem que existia de música de raiz brasileira já seria mais que suficiente, nem tão pouco invalida programas da especialidade.
Depois há aquela necessidade de contemplar em todos os diplomas legislativos a nossa proximidade com a lusofonia e a Europa, então, peca-se pelo exagero. Cai-se no engraçado de abrir uma possibilidade de outros nacionais da Comunidade Europeia começarem a cantar em português, sejamos realistas, alguém vai preencher este requisito, que não os próprios portugueses?
O problema da feitura de um projecto de lei parece ser recorrente, não se fala com quem percebe realmente dos assuntos, quem vive as coisas, os profissionais e académicos de cada ramo, depois o resultado prático das leis acaba por ser limitado e as intenções que acredito boas não se conseguem substanciar no plano prático, quando abrimos a porta da rádio ou passamos o cartão.
Não seria mais fácil, numa rádio de música e com dosagens de palavra cingidas a 10 minutos em cada hora aproximadamente, à parte de programas específicos, pedir duas músicas portuguesas por hora pelo menos, sempre com uma nova – sem serem sempre as mesmas duas ou três novas – e exigir, tal como se exige conteúdos informativos – planos de divulgação de música portuguesa, com informação específica do tema e spot’s promocionais a discos novos e divulgação no lançamento? E incentivo a programas de música portuguesa ao vivo?
Se calhar os nossos políticos vão aperceber-se do erro quando ouvirem as rádios desformatadas e nem por isso a música portuguesa passar a ser mais ouvida e sobretudo, comprada, que é disso que vivem os músicos e dos seus concertos, do seu trabalho que merece o maior dos respeitos.
A Lei da Rádio não vai fazer com que a música de nichos de mercado toque mais, é pouco provável que se oiça muito mais música nova – onde se ouviu já isto? – e traga mesmo do ponto de vista do incentivo à produção musical mais-valias que cheguem a ser significativas. Contudo, é um primeiro passo, tímido, mas um primeiro passo. Aponto-lhe o dedo sobretudo porque não ousou regular o sector de forma abrangente, limitou-se a tocar ao de leve na música das rádios. Ainda bem que não pode existir lei a decretar a passagem da banda A ou B, o que quer dizer que, a maior parte dos artistas que se queixam de não tocar na rádio vão ficar na mesma, uns injustamente, outros não, como muita coisa na vida. Cada um tem de fazer por si, mas a Lei da Rádio não faz muito por ela, nem pelos músicos portugueses. E as associações de rádios parecem nunca mais adquirir força, para fazerem pelos seus, talvez precisem também de sangue novo.
Confederação
Antonio Tabucci defendia no seu livro “Afirma Pereira” - passado a filme com o brilho da interpretação de Mastroianni e Mário Viegas, entre outros, e música de Morricone e Dulce Pontes- que temos um “eu” dominante que emerge de uma espécie de conjuntos de “eus” que possuímos, uma alma que emerge entre as outras, por ser o caminho. Quem quiser seguir a música, deve esquecer as editoras quando o deve fazer, procurá-las na altura supostamente certa, contar com a sorte, mas quase na totalidade com o trabalho, que foi sempre a forma de se conseguirem as coisas. E o mesmo se aplica às restantes cadeias do elo. Acredito muito na nossa música e nos nossos, que não são piores que os outros, longe disso.
O Canal tem estado de volta. E ainda bem.
Bruno Gonçalves Pereira
7.3.06
Punkpt
Também, confesso, que nunca foi minha ambição escrever elaboradas crónicas sobre o estado da música portuguesa - que não vai bem. Para isso temos os nossos ilustres cronistas jornalistas, radialistas, músicos...
Dado que a minha vida ainda se mantém ligada a este vasto universo que é a “Internet”, vou recomeçar com o primeiro desafio que me foi feito pelo Canal... Porque para ser polémico falaria na pirataria - algo que já fiz em Dezembro de 2003 - ou na “peregrina” ideia que apoio de distribuição gratuita de música... Talvez a seu tempo o faça…
“Bandas na Web” foi o meu espaço neste blogue dedicado a mostrar bandas por estas... bandas...
E irei tentar, na medida do possível, continuar a divulgar o que vir e ouvir no ciberespaço, dentro da legalidade... Claro está!
Para tal, tenho que falar no Hugo Caldeira... Homem que não conheço e com o qual nada tenho a ver, a não ser visitar o seu espaço na Web. Esse espaço é a prova viva da célebre frase “PUNK IS NOT DEAD”.
Falo, claro está, no site punkpt, onde, graças a ele e ao seu “player”, já ouvi e passei a conhecer música portuguesa e novas bandas de uma onda que vai do punk, punk-rock, passando pelo ska...
Só pela audição já vale a pena passar por lá... mas o punkpt não é apenas um “player”! Sendo um site de design simplista, o importante é o seu conteúdo.
Entrevistas, reviews oficiais e de cibernautas a concertos e festas, fotos, mp3, calendário de concertos, fórum e notícias! Muitas notícias em que o comum visitante tem a hipótese de submeter também a sua e divulgar o que acha que tem que ser divulgado.
Claro que gostos não se discutem e nem todos gostam desta “onda”... Mas quem dera a tantas outras “ondas” ter mais gente a fazer o que o punkpt tão bem faz!
E como o importante é o conteúdo deixo-vos com este link de visita obrigatória:
www.punkpt.com
João Pedro Rei
2.3.06
Duelo ao espelho
Os meses passam, os anos instalam-se dentro de nós e caminhamos para onde o nosso pensamento quiser.
A “inspiração” – doce encanto de um instante – pode permanecer sempre à tona da água ou mergulhar sem que se saiba quando regressa à superfície. Cada um tem a sua própria dose daquilo que designa por “inspiração” e a minha não tem estado. Decidiu ir para a neve de férias e eu fiquei por cá tentando vislumbrar o outro lado que passa aqui tão perto.
Os últimos tempos deste espaço têm sabor de quente e frio em pleno Inverno. Longe estão os dias e noites de grandes confusões, dos debates puros e duros, das zangas, dos amuos, das palavras duras, do quase caos lançado por participantes “anónimos” ou “conhecidos” no meio musical, das novas ideias apresentadas e exaustivamente analisadas e criticadas, das embrulhadas que acabaram por ser resolvidas em “off blogue”.
E houve um momento em que o meu tempo deixou de ser elástico para me dedicar a esta causa. Outros desafios, outros projectos, outros sonhos ousaram destronar estas horas de escrita. O mesmo terá sucedido com muitos dos cronistas e o efeito inverso à bola de neve inicial fez-se sentir.
Estamos, agora, num momento de retorno. Os regressos nem sempre são fáceis de viabilizar porque podem ter sabor de água que já passou por debaixo da ponte.
A situação da nossa música permanece semelhante. E nós ainda seremos os mesmos?
“A inconstância deita tudo a perder – ela não deixa germinar nenhuma semente”
Os queixinhas e os desesperados são uns tipos muito chatos.
Aborrecem-me imenso e nunca tive pachorra para suportar aqueles que só sabem queixar-se de tudo e de nada.
Quando queremos muito uma coisa na vida devemos lutar por ela mesmo que se afigure semelhante a um Adamastor quinhentista. Bartolomeu Dias já nos mostrou ser possível dobrar cabos complicados.
Tenho estado a ler “Crónicas – volume 1”, o livro de Bob Dylan onde nos conta experiências pessoais e onde se viaja deliciosamente no espaço e no tempo.
Muitos aspirantes a músicos deviam ler este livro; igualmente, muitos músicos reformados e/ou criativamente estagnados o deviam fazer.
Abrem-se janelas de determinação e de redescoberta em muitas destas páginas.
Dar conselhos não será concerteza o meu objectivo neste blogue, porém, creio que quem quer ser músico tem de acreditar no seu talento e tem de lutar até o conseguir provar. Muitos jovens têm o talento inato da criação musical, mas falta-lhes o foco porque são inconstantes. Perdem-se compositores e músicos excepcionais porque não têm essa certeza de que um dia vão conseguir furar e acabam por desistir de lutar.
Pedro Abrunhosa já não tinha 18 anos quando conseguiu romper o cerco; os Delfins arriscaram tudo, numa fase inicial de carreira, acreditaram e foram para estúdio, pagando a gravação do seu primeiro LP; os Xutos, já com uma legião de fãs, demoraram anos até convencerem uma multinacional a apostar neles.
Estes são casos bem conhecidos na nossa praça, exemplos de persistência, de luta. São músicos reconhecidos que acreditaram no seu valor e conseguiram singrar.
Sei que é fácil falar e, por vezes, é árduo aguentar e continuar a caminhar porque é melhor “ter uma vida” do que ser um “vagabundo errante”.
Conseguir prescindir de “quase tudo” e lançar-se à estrada, em busca de “um momento de sorte”, é uma opção de vida cada vez mais arriscada numa sociedade de consumo imediato.
Contudo, existem outros jovens, menos talentosos, mas mais determinados ou com “maior sorte”, que conseguem singrar no mundo musical.
A vida será injusta ou seremos nós a construir essa justiça?
Luís Silva do Ó
As citações utilizadas nos subtítulos têm como autor Henri Amiel (1821-1881), filósofo e escritor suíço.
Nota: Passaram 10 anos desde que os k2o3 (do nosso amigo e cronista Ulisses) entraram em estúdio para as sessões de "És Capaz!". Um abraço para o Ulisses, Mini, Chaves e Nuno que como todos os grandes amigos estão sempre "Perto de Mim".
19.2.06
Regresso ao passado
Veneno – Peste&Sida
Portem-se Bem – Peste&Sida
Censurados – Censurados
Estes trabalhos são para mim os 3 melhores discos Portugueses de Punk. O único que ainda tenho em vinil é o “Portem-se bem” dos Peste&Sida, pois, os outros dois terão sido “emprestados”, pelos vistos, a longo prazo, a algum “amigo”…
Numa das últimas semanas, o jornal Blitz trouxe-nos, na minha opinião, o melhor deste discos. “Censurados” dos Censurados é um disco ingénuo, cru, mal tocado, com mau som e rebelde a dar com um pau!!!
Voltar a cantar estes refrões fez com que desse uns pulos na minha sala com a aparelhagem aos berros! Que se lixem (para não dizer outra coisa) os vizinhos durante meia hora que eu agora quero é curtir!!!

- Angustia
- T`andar de Mota
- Animais
- Srs Políticos
- Não
- Tu o Bófia
- É difícil
- Instrumental
- Não vales nada
- Guerra Colonial
- A minha Vida
- Censurados
A maioria destas 12 letras estão ainda hoje actuais, o que é incrível, se tivermos em conta que a edição original deste trabalho é de 1990.
Ainda me lembrava de cor e cantei sem qualquer hesitação: “Angustia”, “Animais”, “Tu o Bófia” e “É difícil”.
António Côrte-Real
9.2.06
Foi você que pediu um "boom"?
O mercado continua a permitir digressões dos artistas conceituados, o que faz com que se viva numa aparente normalidade. Nada mais enganador porque são raros os novos nomes que conseguem furar, na árdua tarefa de construir uma carreira. Debalde algumas oportunidades concretizadas com operadoras de telemóveis, poucas excepções têm confirmado a regra. Vivemos, no presente, de muitos projectos com passado e que, graças à dimensão que detêm, conseguem permanecer activos.
Mesmo sem entrar na área da pirataria – que, além das desvantagens, também encerra factores positivos ao nível da divulgação – estamos claramente carentes de um novo modelo radiofónico e de uma nova legislação que fomente a produção nacional e a sua promoção e consolidação. Essa legislação não devia ser apenas uma “quota na rádio” - cega e que trata todas as estações por igual, quer se trate de uma rádio virada para música de dança ou para a informação - mas ir muito mais além.
Para que não subsistam dúvidas, devo reafirmar que concordo com as “quotas” nas condições excepcionais em que as coisas estão e, sobretudo, para as rádios generalistas que possuem um alvará atribuído pelo Estado português. Eu posso abrir uma discoteca ou uma editora, contudo, não poderei abrir uma rádio nacional, a menos que adquira uma das existentes. Alguma contrapartida deve ser dada em prol da nossa cultura colectiva. Mas, já não concordo tanto com esta medida para rádios especializadas e com franjas de público minoritário. Agora, uma coisa é óbvia. Não é admissível que a música portuguesa tenha um peso nas vendas e outro, bem menor, na elaboração das diversas playlists das rádios generalistas. Isso é um contra-senso que tem de ser modificado. Preferia é que o tivesse sido a bem e sem necessidade de novas leis porque o “ambiente” de uma obrigação pode não surtir os efeitos desejados.
Não obstante, a lei devia ir bem mais longe. Devia passar pela famosa questão do IVA sobre a música (discos ou instrumentos), como produto cultural e com taxa reduzida, assim como devia estipular a obrigatoriedade de instituições públicas, nomeadamente autarquias locais, contratarem novos projectos para as primeiras partes dos espectáculos de artistas consagrados.
Não se compreende que uma Câmara Municipal “invista” 5 mil contos num artista de topo para agradar aos seus munícipes e eleitores (sobretudo em anos de autárquicas) e não “aposte” 200 contos numa banda em início de carreira. Uma mudança a este nível implicaria uma enorme transformação nas digressões dos novos grupos que passariam a ter público (qualquer festa municipal tem toda a população em peso) e tocariam em condições técnicas que lhes possibilitariam desenvolver o seu potencial.
Com a rádio a passar projectos novos e com os grupos a conseguirem mostrar, ao público, os seus trabalhos, uma nova realidade estaria a emergir.
Ainda assim falta “qualquer coisa” em questão dos media. Pois, então e a televisão?
A televisão é, definitivamente, um motor essencial em toda esta problemática. Basta recordar a importância das telenovelas portuguesas na promoção de discos e de músicos. Claro que as telenovelas não preenchem todas as necessidades! Faltam os programas de música, as emissões e os especiais dedicados à nossa cultura – teatro, cinema, pintura, literatura, música, etc.
A recente comemoração dos 25 anos da febre de sábado de manhã mostrou que este modelo de programa televisivo poderia ser uma realidade com qualidade e audiência. Da mesma forma que, em 1980/81, Júlio Isidro conciliava artistas consagrados com os novos músicos, também, nos dias de hoje, tal poderia e deveria funcionar.
A receita utilizada por Júlio Isidro não parece ter perdido a validade e muito se pode ainda esperar dos ensinamentos deste senhor da nossa comunicação social.
Haja vontade e talento em conseguir levar por diante projectos sérios de divulgação televisiva dos nossos artistas.
Estou certo da receptividade que o público vai dispensar a programas bem estruturados e apresentados, pelo que somente necessitamos de dar o “primeiro passo”.
Será que Júlio Isidro vai surpreender e ficar, uma vez mais, ligado ao lançamento de uma nova geração de nomes?
Em 1980/81, tivemos um “boom” e, actualmente, poderemos ter uma nova explosão.
Estamos adormecidos e temos de acordar.
Temos projectos com imenso valor nas gavetas e nas garagens deste país.
Precisamos de uma nova febre de música portuguesa neste cantinho chamado Portugal.
Bastará saber acender o rastilho.
Será pedir demasiado?
Luís Silva do Ó
Como curiosidade, deixo aqui um segmento do último programa Atlântico, em que foi apresentado um especial dedicado à “Febre de Sábado de Manhã” e onde consta um depoimento de Júlio Isidro.
29.1.06
TIO JULIÃO
UHF - "Cavalos de Corrida" incendiaram o público na abertura do espectáculo e "Matas-me com o teu Olhar" foi recebido com igual loucura. Júlio Isidro não podia ter escolhido melhor grupo para o início do programa;
Grupo de Baile - Um dos projectos especialmente reagrupados para o evento. "Já Rockas à Toa" apenas aqueceu, mas "Patchouly" motivou uma onda de entusiasmo idêntica ao que sucedeu em 1981;
Taxi - Para uma banda que sumiu subitamente do circuito acabaram por ser a surpresa da noite dado o profissionalismo demonstrado. "Cairo" e "Chiclete" fizeram o público presente saltar freneticamente. Quem não conhecia Taxi ficou arrepiado. Foram brilhantes.
O espectáculo encerrou com John Watts (Fischer-Z) em grande estilo, aproveitando para apresentar 3 temas do novo disco a editar em Portugal no próximo dia 6 de Fevereiro.
Entrevistas exclusivas e reportagem sobre esta noite disponivel em http://atlanticoradio.blogspot.com
Agradecemos a colaboração da produção do evento e da EMI, pelas facilidades concedidas.






25.1.06
25 anos de febre
Falta-nos, cada vez mais, uma identidade que reflicta e permita conhecer a nossa história musical para além do que se escuta nas rádios nostalgia dos nossos dias. Acabei de assistir a um pedaço dessa história na RTP Memória, numa transmissão gravada em 1987 e dedicada à música portuguesa de sempre. Muitos daqueles temas permanecem nos arquivos da nossa história musical, mas grande parte deles são desconhecidos das novas gerações de portugueses.
Por vezes, recordo-me de um ou outro disco de música portuguesa que marcou a minha vida em determinado período e raramente o consigo encontrar disponível no mercado porque nunca foi editado em CD, ou então, depois de ter esgotado, nunca mais foi reposto. Aliás, tendo assistido ao “famoso” e “turbulento” boom do rock luso, posso pegar nessa produção dos “loucos anos” de 80/82 e referir alguns exemplos que permanecem sem edição condigna.
“Taxi” dos Taxi (assim mesmo, sem acento, ao contrário do que muita gente conhecedora insiste em escrever) foi o primeiro disco português a atingir o galardão de ouro na nossa indústria. Contudo, apesar do feito assinalável, jamais foi editado em CD.
“Independança” dos GNR (ainda com Vítor Rua e Alexandre Soares no grupo e já com Rui Reininho de corpo inteiro no projecto) foi o mais aclamado disco de música moderna portuguesa da década de 80, porém, aparte a maior ou menor dificuldade técnica, nunca viu a luz do dia em formato CD.
Verdadeiro “case study”, incluindo aspectos exteriores à música e dentro de um âmbito sociológico, os UHF do nosso amigo António Manuel Ribeiro (para quando a tua próxima crónica?) têm uma carreira feita em diversas editoras e com mais discos indisponíveis em CD do que disponíveis! Tirando o primeiro álbum “À Flor da Pele” (1981), não se encontra, actualmente, no mercado, nenhum CD dos UHF anterior à recente fase do “Rock É” (corrige-me António se estiver enganado!).
Todavia, “discos esquecidos” existem em todas as décadas. Percursores de uma nova onda musical que se vivia na década de 60, o Quarteto 1111 marcou a entrada da língua portuguesa no pop rock de qualidade. Quantos dos LP’s do Quarteto 1111 se encontram disponíveis no mercado? Pois… e que é feito do disco que foi censurado e retirado do mercado pela PIDE? E onde se encontra a colaboração entre Frei Hermano da Câmara e o Quarteto 1111, em 1973, de onde resultou “A Bruma Azul do Desejado”? José Cid toca “Moog” em mais esse disco esquecido.
Urge conseguir recuperar este vasto espólio e disponibilizá-lo com a dignidade que merece. O surgimento de uma edição especial destes trabalhos, cuidada, bem seleccionada, com pequenos bónus e a um preço reduzido poderia ser uma solução. Uma colaboração com um jornal ou revista seria outra ideia para uma primeira distribuição eficaz dessa colecção.
Um dos motivos porque gosto de música
A “Febre de Sábado de Manhã” assinala 25 anos e no meu baú das recordações continuo a não esquecer os programas que Júlio Isidro realizou e apresentou no início dos anos oitenta, em estreita ligação com o fenómeno do rock português.
Viviam-se anos muito bons para a indústria discográfica, para os novos artistas e para os homens da rádio deste nosso Portugal. Em 1980 - contava eu 10 primaveras - comecei a descobrir as novas propostas musicais e a tornar-me ouvinte compulsivo de rádio muito por culpa do trabalho de Júlio Isidro. Seguia avidamente as suas emissões, assim como as de outros grandes divulgadores, dos quais destaco Luís Filipe Barros.
Nasceu aqui um grande “bichinho” que me levou a acompanhar a nossa música e a começar a fazer rádio em 1986/87. Antes disso, em 1982, ainda espalhei colunas retiradas de velhas telefonias pelas várias divisões da casa de meus pais e, com recurso a um primitivo deck, realizei as minhas primeiras aventuras "radiofónicas". Belos tempos...
E, efectivamente, foram belos os tempos em que os programas de autor existiam e evoluíam. Eram bonitos os dias (e as noites) em que, para além de anunciarem a música seguinte, os locutores nos contavam algo mais sobre os artistas e sobre as músicas. Tudo isso, hoje em dia, é mais plástico, não por culpa dos locutores, mas por opção estratégica de quem dirige e formata as estações.
Esta época que vivemos tem novos talentos, com tanto ou maior valor do que aqueles que surgiram em 1980. Porém, salvo raras excepções, estamos a ver passar uma geração de músicos sem que o seu trabalho seja conhecido. Perdem-se criadores, perdem-se músicos, perdem-se momentos mágicos e caminha-se para uma regressão quando a actual geração arrumar as botas e for para casa gozar uma merecida reforma – daqui a muitos anos, espero.
Precisamos de uma rádio que recupere outros valores e que compreenda o potencial da inovação e do risco. Sem o assumir de riscos, nenhum de nós teria crescido e evoluído. Sem riscos, jamais as rádios de hoje teriam os sucessos do passado para usarem no presente. Por este caminho, a rádio, em 2015 (se ainda houver rádio), vai passar músicas de que década?
O que precisamos mesmo é de mais pessoas como Júlio Isidro e de uma agitação semelhante àquela que ocorreu, em Portugal, com a “Febre de Sábado de Manhã”.
Luís Silva do Ó
15.12.05
O Marreta
Chegados a este segundo parágrafo, pergunto se alguma coisa mudou nestes meses? Aparentemente, poucas coisas mudaram. O meu leitor de sala (DENON CDR-1000) continua a não conseguir ler CD’s com tecnologia anti-cópia (aspecto muito negativo), as vendas das editoras mantêm a espiral de descida (outro mau sinal), os grupos consagrados continuam a esgotar Coliseus (felizmente este ponto é bom!), as bandas novas continuam a não ter espaços de música ao vivo em quantidade e qualidade (o que é péssimo) e as rádios permanecem de costas viradas para apostas generalizadas em música nova e em programas de autor (onde é que já escrevi sobre isto!?).
A entrada da Prisa na Média Capital irá mudar alguma coisa?
Não faço a mínima ideia, contudo, alguma coisa vai ter de mudar na rádio em Portugal, senão um destes dias acordamos e a “novidade musical” é a “Rosinha dos Limões” de Artur Ribeiro, compassada com algum furo noticioso acerca do Nobel de Egas Moniz ou do Mundial de 1966…
Os problemas dos novos projectos musicais permanecem e poucas saídas parecem existir enquanto não se constatar que estamos perante uma nova realidade. A realidade das editoras com estruturas pesadas tende a desaparecer e as receitas da venda de discos físicos também tem tendência para se tornar tão residuais como as vendas actuais do vinil. Para coleccionadores, profissionais ou viciados como eu. Todavia, mesmo eu, começo a estar menos viciado em comprar discos que, depois, não podem ser escutados no meu leitor, mas que conseguem ser copiados em qualquer PC e se encontram disponíveis em qualquer sistema de partilha de ficheiros P2P.
Para descobrir o futuro basta compreender e saber perspectivar o que o presente nos mostra.
A montra do presente está bem recheada, sendo rica na vertente digital, incluindo a possibilidade de compra de músicas no formato mp3. Além da aquisição de toques para telemóveis (um excelente negócio já com taxas de implantação significativas), a compra de temas em formato digital a baixos preços tem enorme margem de crescimento e consolidação. E as novas bandas têm uma oportunidade única, com possibilidades promocionais à escala mundial, mediante uma simples aposta na distribuição da sua música de forma gratuita, livre e legal. Aliás, como muitas já fazem… umas mais novas, outras nem tanto.
As editoras vão-se lentamente adaptando aos novos tempos com o lançamento de diversos pacotes promocionais. No futuro, creio que terão de alargar horizontes e, entre outros produtos, apostar em força na comercialização de merchandising. A diversificação pode, também, passar pela prestação de serviços de promoção e distribuição a bandas que assumam as despesas de gravação dos seus trabalhos. O management e agenciamento podem ser a próxima etapa a ser conquistada pelos grupos económicos que detêm as editoras – zonas de negócio lucrativas e sem possibilidade de se tornarem “pirateadas”.
O disco vai ser, cada vez mais, um meio e não um fim em si mesmo.
Vai ser o meio para promover a banda e para vender digressões, exclusivos e merchandising. E não tarda, para que na manhã enevoada de um dia qualquer, acabe por chegar o momento em que as rádios vão ter de pagar algo mais aos artistas e às editoras do que meros direitos de autor…
Próximo do final desta crónica, nada como manter que o “marreta sou eu”, mas esclarecer que o título pretendia ser mais apelativo do que real… Ao longo de 2 anos de blogue, todos nós que por aqui escrevemos e comentámos tivemos um pouco de “velhos dos marretas”. O que foi óptimo porque gerou amplo debate e reflexão. Tudo no bom sentido, como diria o outro…
Depois de meses de silêncio, vamos fazer “barulho”?
Nota: Deixei de conseguir contactar por email com alguns dos colegas cronistas. Querem fazer o obséquio de me indicarem os vossos contactos actuais? O blogue precisa de todos e de mais alguns.
Luís Silva do Ó
24.11.05
Vamos gritar?
A dita, que anda escondida em engenharias financeiras ao mais alto nível do condado, também chegou ao único espaço onde os gritos ainda se ouviam sem censura: falamos do blogue Canal Maldito, dos seus irregulares escribas de serviço, mais os comentários da intenção. Faz-nos falta gritar. Volta blogue, estás perdoado pelas imensas férias remuneradas."
In website dos UHF
26.7.05
"Walking Things": Me, Navajo&Voltage And A Little But Important Note
Durante muitos e bons tempos fui a “Walkgirl” (sem ser!) até um dia em que decidi (e porque me deram um espaço que senti “casa”!) e acabei por formalizar uma experiência que me parecia demasiado fantástica para “fechar” em mim… Dei uma vida a essa “Walkgirl”! Uma personagem, com os meus sentidos, com as minhas experiências, consciente das minhas emoções e sensível aos meus objectivos!
A música, a música nacional, a percepção de esforços e dificuldades, o convívio com a angústia de tantos talentos era um reflexo ainda mais revoltante no meu silêncio! E por isso, me empenhei neste blogue!
Por isso, apesar de uma ausência tão flagrante de conteúdos, durante um espaço de tempo indubitavelmente excessivo, ainda achei que o esforço de uma tentativa se fazia merecer! E podia criar o meu próprio blogue (à semelhança de tanta gente), e podia simplesmente esquecer e seguir “walking my own way on my own”.
A choice! That is all this is about!
Navajo e Voltage! Maus Hábitos! 23 de Julho, 2005!
Maus Hábitos! Quem conhece sabe que o Maus Hábitos é aquele conjunto de divisões que noutras circunstâncias se diria apartamento. Um T2 ou T3, sei lá! E que no 4º ou 5º andar de um prédio em Passos Manuel, mesmo em frente ao Coliseu do Porto, obriga a um “step” de deixar a arfar aqueles que não gostam de esperar pelo elevador.
Lá em cima, e qual visita a chegar à festa de um ilustre e excêntrico desconhecido, toca-se a campainha e a porta abre-se em frente a um rosto imperturbável. O cartãozinho “habitué” nestas circunstâncias, recorda-nos que estamos num bar! Mas esta ideia depressa se volta a desvanecer… Parece mais que estamos num filme, rodado entre fim dos anos 80, princípio dos anos 90, com gente de uma miscelânea de estilo e de idades, “transeunteando-se” entre este e aquele compartimento, entre o fumo dos cigarros, os sons vadios, as vozes surdas, as ideias eufóricas… uma e outra exposição, copos esquecidos em pequenas pausas, paredes que nos esquecem o mundo lá fora…
A data. A data é a de um Sábado como outro qualquer e que é diferente porque o fazemos diferente, porque o vivemos uma vez, e essa noite (como todas na “noite”) foi mais do dia seguinte do que desse dia.
Navajo… Umas linhas bem abaixo, o meu último texto (que acabou por ficar…) deixa ver um bocadinho do que é Navajo… Podia dizer mais, podia dizer diferente, podia esculpir outra forma de um objecto que em cada olhar é diferente (e não é preciso ser artista para que isto aconteça, é só preciso sentir). Mas não tenho vontade! Talvez também porque a diferença não foi grande, o que acrescentaram não foi suficiente para corresponder às expectativas… O público tem esse poder! E quando a dedicação e o empenho não são recompensados, o espectáculo deixa de ser autêntico para ser mais uma serigrafia.
Voltage… O primeiro concerto que assisto da banda… O som estava com os volumes inflacionados sem dúvida, o que destacou mais ainda o som poderoso que esta formação explora. E tanta banda que anda perdida pelos festivais, distribuindo os sons mornos que ali “would fit much better”, e os Voltage, com uma roupagem que pedia espaço viam a sua música encarcerada… por mais acolhedoras que aquelas paredes possam ser!
O vocalista deambulava envolvente, e a voz conseguia responder a cada acorde com sintonia, ainda que pobre de alguma imaginação… As guitarras enchiam todo e qualquer espaço intermolecular enquanto o baixo dividia a cumplicidade entre os poderosos sons das cordas e os ritmos impostos na bateria.
Faith no More, Queen of The Stone Age,... outros nomes que não lembro foram associados ao nome nacional, por entre impressões que fui auscultando… eu privo-me de comparações. Uma opção apenas.
Voltage são a tradução do próprio nome! Energia, poder, som e movimento! São a transmissão quase física de música e de electricidade! Aceleram e abrandam, abanam apesar de mal levantarem os pés, circulam por entre o rock acelerado e distorcido, onde o timbre filtrado do vocalista se embala ausente…
Foi muito bom reentrar no Maus Hábitos. Foi muito bom rever a heterogeneidade de público da Invicta. Foi muito bom ver palco para bandas nacionais. Foi muito bom confirmar que Navajo têm muito para dar! Foi muito bom descobrir Voltage! Mas… o melhor de tudo foi ter vontade de vestir novamente a “Walkgirl” e partilhar todos estes “muito bons” com o mundo! Mesmo que este mundo venha a ser ninguém, deixei o meu testemunho!
Note: E já que decidi revisitar o Canal Maldito, aproveito para deixar uma mensagem relativa à R.U.M. (Rádio Universitária do Minho)… Foi com muita tristeza que tive conhecimento que decidiram excluir da programação o “A Minha Fender…”, um programa diário dedicado à música nacional! O único consolo (e é sarcástico isto!) é que o público lamenta!!
Walkgirl