A malta, quando é assaltada, costuma ficar com medo e coloca trancas nas portas. Dizem as estatísticas, que, raramente, se é novamente assaltado a menos que nos tenhamos mudado para um bairro degradado e violento. Também, é do conhecimento popular que só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja.
O primeiro parágrafo está muito "pois, somos portugueses e a história é sempre remediar o que podia ter sido previsto". É verdade, quem pense assim está coberto de razão. E porque motivo estamos para aqui a falar de assaltos, de trancas e de trovoadas em época de seca? Ainda não sabemos, mas, tentaremos descobrir até ao final da crónica.
O mercado discográfico vive uma grave crise com a diminuição das vendas e dos consequentes lucros. Na busca das causas dessa crise, à cabeça da lista, surge a questão da "pirataria" informática, das cópias e dos programas P2P. As editoras partiram, então, para uma guerra contra o mercado paralelo, conseguindo pequenas vitórias e implementando negócios de venda digital de música. A ideia está correcta e promete resultados positivos e animadores, porém, a pirataria através da Internet não dá sinais de abrandamento. Nesta luta, a favor do CD original, algumas discográficas passaram a integrar, nos discos, uma tecnologia designada por "anti-cópia", tentando inviabilizar a cópia directa do CD e aniquilando certa percentagem de pirataria.
Pessoalmente, não creio que os resultados sejam muito animadores, porque alguns leitores de automóvel não "simpatizam" com essa tecnologia e nem o meu leitor de casa gosta. Por outro lado, usando qualquer programa P2P, encontramos as mais recentes edições, incluindo aquelas com a referida protecção "anti-cópia" e anexadas com capas, contra-capas e demais material gráfico. Um luxo!
Para quem prevarica e copia discos pela net, a qualidade é excelente e o preço final é muito baixo. Tão cedo esta tendência de “pilhagem colectiva” não vai abrandar, por mais protecções, cuidados tecnológicos e medidas "repressivas" que se venham a implementar. Estamos cansados de saber no que dão as medidas repressivas. Quanto maior a repressão, maior a decisão de transgredir. Esse nem é um ditado popular nacional, mas, uma constatação à escala global. Vejam-se os resultados da Lei Seca americana ou das campanhas repressivas de combate ao tráfico de drogas.
Na actual conjuntura, as editoras não estão muito vocacionadas para grandes investimentos de estúdio, sobretudo com grupos não testados positivamente no mercado. Uma das saídas para as editoras é realizarem parcerias com as bandas, no sentido dos artistas suportarem os custos de estúdio, ficando a cargo das editoras a promoção e a consequente distribuição. Todavia, isto pressupõe disponibilidade económica por parte dos músicos (e, se quase toda a gente toca de borla no início da carreira, de onde virá a grana?)…
Enquanto a pirataria digital não invadiu o mercado e fez estragos, a preocupação das editoras foi reduzida, tal cigarra em pleno Verão. Esta crise actual podia e devia ter sido prevista e combatida em devido tempo porque não é benéfica para ninguém. Os grandes nomes da música vão continuar a existir, contudo, os grupos que estão no início têm cada vez maior dificuldade de afirmação.
No entanto, como situações difíceis favorecem a imaginação dos interessados, acredito que o futuro possa ser promissor. A título de exemplo, deixo as edições discográficas via-Blitz e muito do paleio das minhas crónicas passadas (disponíveis no já vasto arquivo deste blogue).
Nesta breve reflexão, assalta-me uma questão final: "As editoras não podiam baixar os preços de venda?"
Todos sabemos que as "rodelas" têm um preço de fabrico muito menor do que antigamente, sendo mesmo muito reduzido. Também, concordamos que o preço final do CD é um exagero e que devíamos ter o IVA a 5% - além das outras considerações realizadas ao longo destes meses de debate. Se a indústria apostasse num preço de venda ao público de 10 euros por unidade, não conseguiria aumentar, consideravelmente, as receitas, com implicações positivas nos seus resultados financeiros? Se o preço for adequado, por muito que evolua a pirataria não creio que os amantes de música optem por "fabricar" uma cópia em vez de terem o CD original nas mãos. Mas, quando se pensa que um CD custa quase 20 euros e uma cópia com óptima qualidade fica quase de borla… é só fazer contas!
Luís Silva do Ó
31.3.05
24.3.05
Rock em Portugal
Ora, boas tardes,
Não. Esta não é a minha crónica mensal, a qual, tarda em ser escrita. A “minha data” está agendada para dia 30, contudo, confesso, a inspiração anda em baixo.
Com ou sem provocações à mistura, pareço um daqueles músicos, que, após um certo fervor inicial, fica sem a chama que o impulsione para novo disco.
Todavia, como escrever uma crónica é mais fácil do que compor uma canção, aguardo, serenamente, que, durante estes dias festivos, a minha pena se solte. Como sou optimista, acredito que sim!
Supostas poesias à parte, vou directo ao que motiva este meu post.
Usando um pensamento chavão, poderei afirmar que o progresso da música se constrói, no presente, mas, sem conhecermos o nosso passado ficaremos a perder as raízes daquilo que somos hoje.
Xutos & Pontapés, Jáfumega, Salada de Frutas, Roxigénio, GNR, Arte & Ofício, NZZN, Beatnicks, Taxi ou UHF são alguns dos nomes determinantes, uns mais, outros menos, de uma “nova” geração da música portuguesa, surgida em finais da década de 70 e revelada aquando do famoso “boom” do rock português.
As canções “Chico Fininho” e “Cavalos de Corrida” (em 1980) foram determinantes para que Portugal saísse das canções de intervenção e se abrisse a outros sons. São o nosso “Rock Around The Clock”.
Tudo isto vem a propósito de um excelente blogue, da autoria de Aristides Duarte, um homem que conhece, como ninguém, o “fenómeno” do rock português.
O arquivo histórico é vasto e permitirá uma aproximação dos “mais jovens” às raízes do rock luso, enquanto os mais “crescidos” recordarão autênticas pérolas há muito esquecidas.
Depois de uma visita, regressa-me à mente uma pergunta antiga. Para quando a recuperação deste arquivo musical com lançamento em CD?
Que estranho País… sem edição em CD de trabalhos como Independança (GNR), Roxigénio (Roxigénio), Estamos Aí (Jáfumega), Forte & Feio (NZZN), Taxi (Taxi), Salutz (Taxi), Estou de Passagem (UHF), Persona Non Grata (UHF), Ares e Bares de Fronteira (UHF), Ao Vivo em Almada – No Jogo da Noite (UHF), Noites Negras de Azul (UHF) e por aí fora. “Forcei” o nome UHF porque é dos tais que tem uma carreira grande, com discos de ouro e prata, e com muitos álbuns, porém, quem faça uma pesquisa nas lojas, encontra tão poucos disponíveis que até dói… Podia dizer o mesmo a respeito do LP que conquistou o primeiro "disco de ouro" do rock português, dos portuenses Taxi. Paradoxal é que existe a edição do segundo álbum, "Cairo" (inicialmente editado numa célebre lata e reeditado num banal CD sem a dignidade merecida, mas, pelo menos disponível!), não existindo a do primeiro, precisamente, a do maior "fenómeno" musical nacional de 1981!
Com um grande abraço de felicitações ao autor, recomendo, um passeio cultural a http://rockemportugal.blogspot.com/
A crónica, essa, fica para dia 30.
Até lá boa Páscoa e boas amêndoas!
Luís Silva do Ó
Não. Esta não é a minha crónica mensal, a qual, tarda em ser escrita. A “minha data” está agendada para dia 30, contudo, confesso, a inspiração anda em baixo.
Com ou sem provocações à mistura, pareço um daqueles músicos, que, após um certo fervor inicial, fica sem a chama que o impulsione para novo disco.
Todavia, como escrever uma crónica é mais fácil do que compor uma canção, aguardo, serenamente, que, durante estes dias festivos, a minha pena se solte. Como sou optimista, acredito que sim!
Supostas poesias à parte, vou directo ao que motiva este meu post.
Usando um pensamento chavão, poderei afirmar que o progresso da música se constrói, no presente, mas, sem conhecermos o nosso passado ficaremos a perder as raízes daquilo que somos hoje.
Xutos & Pontapés, Jáfumega, Salada de Frutas, Roxigénio, GNR, Arte & Ofício, NZZN, Beatnicks, Taxi ou UHF são alguns dos nomes determinantes, uns mais, outros menos, de uma “nova” geração da música portuguesa, surgida em finais da década de 70 e revelada aquando do famoso “boom” do rock português.
As canções “Chico Fininho” e “Cavalos de Corrida” (em 1980) foram determinantes para que Portugal saísse das canções de intervenção e se abrisse a outros sons. São o nosso “Rock Around The Clock”.
Tudo isto vem a propósito de um excelente blogue, da autoria de Aristides Duarte, um homem que conhece, como ninguém, o “fenómeno” do rock português.
O arquivo histórico é vasto e permitirá uma aproximação dos “mais jovens” às raízes do rock luso, enquanto os mais “crescidos” recordarão autênticas pérolas há muito esquecidas.
Depois de uma visita, regressa-me à mente uma pergunta antiga. Para quando a recuperação deste arquivo musical com lançamento em CD?
Que estranho País… sem edição em CD de trabalhos como Independança (GNR), Roxigénio (Roxigénio), Estamos Aí (Jáfumega), Forte & Feio (NZZN), Taxi (Taxi), Salutz (Taxi), Estou de Passagem (UHF), Persona Non Grata (UHF), Ares e Bares de Fronteira (UHF), Ao Vivo em Almada – No Jogo da Noite (UHF), Noites Negras de Azul (UHF) e por aí fora. “Forcei” o nome UHF porque é dos tais que tem uma carreira grande, com discos de ouro e prata, e com muitos álbuns, porém, quem faça uma pesquisa nas lojas, encontra tão poucos disponíveis que até dói… Podia dizer o mesmo a respeito do LP que conquistou o primeiro "disco de ouro" do rock português, dos portuenses Taxi. Paradoxal é que existe a edição do segundo álbum, "Cairo" (inicialmente editado numa célebre lata e reeditado num banal CD sem a dignidade merecida, mas, pelo menos disponível!), não existindo a do primeiro, precisamente, a do maior "fenómeno" musical nacional de 1981!
Com um grande abraço de felicitações ao autor, recomendo, um passeio cultural a http://rockemportugal.blogspot.com/
A crónica, essa, fica para dia 30.
Até lá boa Páscoa e boas amêndoas!
Luís Silva do Ó
16.3.05
Terceira Via II – O Muro dos intermédios
Não que haja uma alegria que me faça escrever de feição, esperançado no pulo da música portuguesa, comprometi-me a escrever e aqui estou.
Olho à minha volta e vejo o mesmo cenário de sempre, apenas mais gasto, ou não fosse o tempo correndo. Novidades, algumas, o endeusamento dos U2, por exemplo. Uma banda de se escrever nome com letra grande, fora de questão, mas vale a pena estar num posto de combustível em condições que nem há trinta anos atrás seriam aceitáveis, a esperar e a erguer as mãos para o céu em espera pela concessão da graça divina da obtenção de um ingresso num concerto?
Os próprios U2 têm traçado uma carreira simples, complexa apenas no que deve ser uma carreira – objectivo firmado sem desvios, fim social, humildade e boa gestão da própria carreira – por isso não permitem a existência de patrocínios nos seus concertos, por isso Bono e os outros são o que são, pessoas do mundo e não querem ser o mundo para muitas pessoas. Imagino a dificuldade que existirá em explicar à banda este endeusamento fora de jeitos. Ainda assim, vi inveja nos meandros de alguns músicos cá do burgo, uma inveja latente, pelo sucesso deles, pela humildade deles – acrescento eu.
No fundo, quando se sente um bichinho a que não conseguimos dar nome, que está presente e nos incomoda, tal pode muito bem ser uma inveja boa, querermos ser melhores, quando assim for, que se avance. Essa é uma das grandes lições que grandes bandas podem dar. As estrangeiras, ou as nossas. Nem só o que vem de fora é bom.
Não pega a desculpa de que a alma lusitana é assim, o triste fado e por aí adiante, o problema deste país, já sabemos, passa pela produtividade, ou falta da mesma, e tão mais grave é porque não se assume que o eu também tem a produtividade a entrar nos vapores da reserva. Mas, esquecemo-nos ainda de outro não menos grave, os cargos intermédios neste país. Muitas vezes, sem incorrer no erro da generalização, temos pessoas e acção espectaculares ou boas -que mais não seja- por parte da nossa malta terra a terra e dos grandes senhores e depois aparecem aqueles técnicos, burocratas, complicadores ou o que lhe queiram chamar nos lugares intermédios da cadeia. É assim nas empresas, nas cooperativas, colectividades e na música. Encontramo-los por todo o lado. Dá-se um mini-poder a essa gente e a sua natural capacidade para a inércia, falta de educação e má gestão, acompanhada por uma enorme falta de altruísmo aí está. Das bandas de música de pouca nomeada, às rádios regionais (nome que prefiro a locais) aos gabinetes de toda e qualquer estrutura. Lá estão esses tontos frustrados, cujas iniciativas, de tão pouco inteligentes, são atentados à própria estrutura em que se encontram inseridos. Ainda bem que, salvaguardados estão os colaboradores das instituições – os tais que estão por vontade, não recebem ordens e só se lhes deve agradecer o seu contributo – escapa alguém. Tudo isto e que mais fosse, para chegar a um ponto. Ao de dizer que as bandas, e tantas boas conhecidas ou quase desconhecidas que temos bem melhor faziam em deixar-se do muro de lamentações que é este e qualquer espaço em que se fale de música nossa. Explica qualquer abordagem psicológica o porquê das vantagens de ver as coisas pela positiva. As nossas intuições também. Os instintos, se é que os temos, deviam levar-nos a seguir em frente, já é feio fazer juízos em proveito próprio e dizer então mal dos que são nossos pares ultrapassa os limites. De que se queixam algumas bandas que são maiores entre iguais, que tocam em festivais, que vão onde outros com igual mérito nem passam da soleira da porta para dentro? Porque se picam uns com os outros e dão resposta a gente mal intencionada que só quer fazer fumo? Tenham calma e cabeça bem assente, a caravana passa.
Têm todos a sua razão – menos na má inveja – não esqueçam é que o tal ditado popular aplica-se aqui, na miséria de recursos materiais em que está a música portuguesa, todos reclamam e- nova adaptação- todos perdem a razão. O ser pequeno, como eu sou, tem estas “porras”, como se diz no Alentejo. Há mais dificuldade em ver para lá da linha dos dois palmos. Quando se vive num mundo de reduzidas dimensões, mesmo a nível de profissão, ao não conhecer como é que os grandes funcionam nunca teremos oportunidade de ser parecidos, iguais, diferentes, melhores e... humildes, por termos o conhecimento de que não o temos na sua totalidade nem o alcançaremos algum dia.
Como é que alguém que nunca orientou uma rádio a sério (os tais cargos intermédios) pode orientar uma rádio mais pequena a sério? Não pode, pelo menos em condições, nem nunca pode ser humilde, porque em terra de cegos quem tem um olho é o rei. Como pode uma banda singrar se são os músicos, sem qualquer tipo de preparação em gestão, que maneiam estrutura financeira e a própria carreira, no intervalo da estrada e do dedilhar em busca de novas composições? O artista gestor de si mesmo? O amor à arte deixa-o ver a razão, escolher o melhor caminho para si mesmo?
É ridículo o cenário das queixas do ter que trabalhar e ganhar para sustentar a música, parece a lamúria das donas de casa, têm de ser mulheres completas, trabalhar, cuidar da casa, ser boas esposas, cuidar das crianças e óptimas amantes, no final de dias mais compridos do que se pode suportar, ou, utilizando uma das minhas frases preferidas, do que é humanamente possível. Cada um escolhe o seu caminho e é senhor do seu destino, as coisas assumidas é que é de se ver. E o pessoal que trabalha tal e qual e à noite vai para casa ver novelas e televisão que estupidifica as pessoas? Estão pior, não é? O que faz a diferença das bandas, das pessoas? É – arrisco eu- a sua capacidade para ultrapassar limites, para terem tempo para tudo menos para lamentos, para serem humildes e ao mesmo tempo, com isso e com toda a sua postura guerreira, conseguir lutar por si, pelos valores que têm crédito no sua ideia, pelos outros e pelo que acham que vale a pena. Se forem ver biografias de bandas à internet têm centenas de receitas que não sendo mágicas, podem tornar-se com o esforço, a não ser que se pretenda reescrever a história no que a formação e conquista de objectivos por parte de uma banda diga respeito. Também tive uma banda. Quando nos levantávamos às quatro da manhã para carregar colunas e mesas pré-amplificadas em carrinhas velhas era porque queríamos e nunca dissemos mal das outras bandas, ou do Governo, já agora. As pessoas devem assumir-se. Há golpes de sorte ou de falta dela, mas com trabalho alguma coisa se consegue, e os outros, são os outros.
Pode dizer-se que as empresas visam o lucro e querem lá saber, que as supostas preocupações sociais são uma tanga para ficarem bem na fotografia, a mim pouco me importa. Se uma delas tem uma iniciativa pela nossa música, estando a usá-la ou não, nem é a mim que me compete avaliar isso. Até prova em contrário é tudo de boa fé. A TMN lançou um concurso Garage Sessions, parabéns pela iniciativa, só não concorre quem não quer. É o mesmo que algumas bandas quando se queixam que não tocam na rádio. Primeiro têm de enviar os discos, não são os locutores que fazem uma cover e depois se explicam a dizer “isto é parecido com o disco ou a canção da banda tal, um disco, pelos vistos secreto e que apenas pode ser ouvido em clubes e casas de espectáculo que ninguém sabe onde ficam e os próprios também não pretendem ver muito divulgados”. Relembro que no espaço de anos, apareceram-me menos de meia-dúzia de trabalhos numa das rádios que fazem bandas e dá cartas. Sintomático.
Fui sentir a música dos UHF a Almada, à Incrível. Resposta afirmativa imediata ao convite do Luís Silva do Ó. Já conhecia o avanço do disco, mas foi diferente, vê-los ao vivo, para um disco pouco rodado foi um concerto muito à frente, a garra está ali toda, a rádio transmitiu para o país e para o mundo, como se costuma dizer. Os Antónios e companheiros de banda não têm problemas em falar na rádio, em dar-nos o disco para tocar. O AMR trata pelo menos tão bem o Atlântico da Antena Miróbriga como a Antena 1, não vê qualquer empecilho em meter-se no carro e ir até à Costa Alentejana para ter uma conversa aos microfones e para ser nosso colega numa patuscada. O disco é bom e está a rodar. Os bons exemplos são para seguir, a humildade derruba muros.
Bruno Gonçalves Pereira
Olho à minha volta e vejo o mesmo cenário de sempre, apenas mais gasto, ou não fosse o tempo correndo. Novidades, algumas, o endeusamento dos U2, por exemplo. Uma banda de se escrever nome com letra grande, fora de questão, mas vale a pena estar num posto de combustível em condições que nem há trinta anos atrás seriam aceitáveis, a esperar e a erguer as mãos para o céu em espera pela concessão da graça divina da obtenção de um ingresso num concerto?
Os próprios U2 têm traçado uma carreira simples, complexa apenas no que deve ser uma carreira – objectivo firmado sem desvios, fim social, humildade e boa gestão da própria carreira – por isso não permitem a existência de patrocínios nos seus concertos, por isso Bono e os outros são o que são, pessoas do mundo e não querem ser o mundo para muitas pessoas. Imagino a dificuldade que existirá em explicar à banda este endeusamento fora de jeitos. Ainda assim, vi inveja nos meandros de alguns músicos cá do burgo, uma inveja latente, pelo sucesso deles, pela humildade deles – acrescento eu.
No fundo, quando se sente um bichinho a que não conseguimos dar nome, que está presente e nos incomoda, tal pode muito bem ser uma inveja boa, querermos ser melhores, quando assim for, que se avance. Essa é uma das grandes lições que grandes bandas podem dar. As estrangeiras, ou as nossas. Nem só o que vem de fora é bom.
Não pega a desculpa de que a alma lusitana é assim, o triste fado e por aí adiante, o problema deste país, já sabemos, passa pela produtividade, ou falta da mesma, e tão mais grave é porque não se assume que o eu também tem a produtividade a entrar nos vapores da reserva. Mas, esquecemo-nos ainda de outro não menos grave, os cargos intermédios neste país. Muitas vezes, sem incorrer no erro da generalização, temos pessoas e acção espectaculares ou boas -que mais não seja- por parte da nossa malta terra a terra e dos grandes senhores e depois aparecem aqueles técnicos, burocratas, complicadores ou o que lhe queiram chamar nos lugares intermédios da cadeia. É assim nas empresas, nas cooperativas, colectividades e na música. Encontramo-los por todo o lado. Dá-se um mini-poder a essa gente e a sua natural capacidade para a inércia, falta de educação e má gestão, acompanhada por uma enorme falta de altruísmo aí está. Das bandas de música de pouca nomeada, às rádios regionais (nome que prefiro a locais) aos gabinetes de toda e qualquer estrutura. Lá estão esses tontos frustrados, cujas iniciativas, de tão pouco inteligentes, são atentados à própria estrutura em que se encontram inseridos. Ainda bem que, salvaguardados estão os colaboradores das instituições – os tais que estão por vontade, não recebem ordens e só se lhes deve agradecer o seu contributo – escapa alguém. Tudo isto e que mais fosse, para chegar a um ponto. Ao de dizer que as bandas, e tantas boas conhecidas ou quase desconhecidas que temos bem melhor faziam em deixar-se do muro de lamentações que é este e qualquer espaço em que se fale de música nossa. Explica qualquer abordagem psicológica o porquê das vantagens de ver as coisas pela positiva. As nossas intuições também. Os instintos, se é que os temos, deviam levar-nos a seguir em frente, já é feio fazer juízos em proveito próprio e dizer então mal dos que são nossos pares ultrapassa os limites. De que se queixam algumas bandas que são maiores entre iguais, que tocam em festivais, que vão onde outros com igual mérito nem passam da soleira da porta para dentro? Porque se picam uns com os outros e dão resposta a gente mal intencionada que só quer fazer fumo? Tenham calma e cabeça bem assente, a caravana passa.
Têm todos a sua razão – menos na má inveja – não esqueçam é que o tal ditado popular aplica-se aqui, na miséria de recursos materiais em que está a música portuguesa, todos reclamam e- nova adaptação- todos perdem a razão. O ser pequeno, como eu sou, tem estas “porras”, como se diz no Alentejo. Há mais dificuldade em ver para lá da linha dos dois palmos. Quando se vive num mundo de reduzidas dimensões, mesmo a nível de profissão, ao não conhecer como é que os grandes funcionam nunca teremos oportunidade de ser parecidos, iguais, diferentes, melhores e... humildes, por termos o conhecimento de que não o temos na sua totalidade nem o alcançaremos algum dia.
Como é que alguém que nunca orientou uma rádio a sério (os tais cargos intermédios) pode orientar uma rádio mais pequena a sério? Não pode, pelo menos em condições, nem nunca pode ser humilde, porque em terra de cegos quem tem um olho é o rei. Como pode uma banda singrar se são os músicos, sem qualquer tipo de preparação em gestão, que maneiam estrutura financeira e a própria carreira, no intervalo da estrada e do dedilhar em busca de novas composições? O artista gestor de si mesmo? O amor à arte deixa-o ver a razão, escolher o melhor caminho para si mesmo?
É ridículo o cenário das queixas do ter que trabalhar e ganhar para sustentar a música, parece a lamúria das donas de casa, têm de ser mulheres completas, trabalhar, cuidar da casa, ser boas esposas, cuidar das crianças e óptimas amantes, no final de dias mais compridos do que se pode suportar, ou, utilizando uma das minhas frases preferidas, do que é humanamente possível. Cada um escolhe o seu caminho e é senhor do seu destino, as coisas assumidas é que é de se ver. E o pessoal que trabalha tal e qual e à noite vai para casa ver novelas e televisão que estupidifica as pessoas? Estão pior, não é? O que faz a diferença das bandas, das pessoas? É – arrisco eu- a sua capacidade para ultrapassar limites, para terem tempo para tudo menos para lamentos, para serem humildes e ao mesmo tempo, com isso e com toda a sua postura guerreira, conseguir lutar por si, pelos valores que têm crédito no sua ideia, pelos outros e pelo que acham que vale a pena. Se forem ver biografias de bandas à internet têm centenas de receitas que não sendo mágicas, podem tornar-se com o esforço, a não ser que se pretenda reescrever a história no que a formação e conquista de objectivos por parte de uma banda diga respeito. Também tive uma banda. Quando nos levantávamos às quatro da manhã para carregar colunas e mesas pré-amplificadas em carrinhas velhas era porque queríamos e nunca dissemos mal das outras bandas, ou do Governo, já agora. As pessoas devem assumir-se. Há golpes de sorte ou de falta dela, mas com trabalho alguma coisa se consegue, e os outros, são os outros.
Pode dizer-se que as empresas visam o lucro e querem lá saber, que as supostas preocupações sociais são uma tanga para ficarem bem na fotografia, a mim pouco me importa. Se uma delas tem uma iniciativa pela nossa música, estando a usá-la ou não, nem é a mim que me compete avaliar isso. Até prova em contrário é tudo de boa fé. A TMN lançou um concurso Garage Sessions, parabéns pela iniciativa, só não concorre quem não quer. É o mesmo que algumas bandas quando se queixam que não tocam na rádio. Primeiro têm de enviar os discos, não são os locutores que fazem uma cover e depois se explicam a dizer “isto é parecido com o disco ou a canção da banda tal, um disco, pelos vistos secreto e que apenas pode ser ouvido em clubes e casas de espectáculo que ninguém sabe onde ficam e os próprios também não pretendem ver muito divulgados”. Relembro que no espaço de anos, apareceram-me menos de meia-dúzia de trabalhos numa das rádios que fazem bandas e dá cartas. Sintomático.
Fui sentir a música dos UHF a Almada, à Incrível. Resposta afirmativa imediata ao convite do Luís Silva do Ó. Já conhecia o avanço do disco, mas foi diferente, vê-los ao vivo, para um disco pouco rodado foi um concerto muito à frente, a garra está ali toda, a rádio transmitiu para o país e para o mundo, como se costuma dizer. Os Antónios e companheiros de banda não têm problemas em falar na rádio, em dar-nos o disco para tocar. O AMR trata pelo menos tão bem o Atlântico da Antena Miróbriga como a Antena 1, não vê qualquer empecilho em meter-se no carro e ir até à Costa Alentejana para ter uma conversa aos microfones e para ser nosso colega numa patuscada. O disco é bom e está a rodar. Os bons exemplos são para seguir, a humildade derruba muros.
Bruno Gonçalves Pereira
15.3.05
Disco: Tambor – Rádio
Tambor:
Alex – Voz
Fernando Martins – Guitarras/Teclas
Padi – Baixo
Quimze – Bateria
Quem conhece o Fernando Martins, sabe que o coração é bom e as acções também.
É em pessoas honestas e que, simplesmente, fazem o que gostam que me revejo. O colectivo Tambor é assim… honesto. Tocar pelo prazer é algo que se vê nesta gente boa que conheço e acompanho há uns anos.
O primeiro concerto que dei na minha vida com condições foi uma primeira parte dos Ritual Tejo (entre 90/92 não me recordo bem da data). Estávamos na Escola Secundária de Alfragide, e eu tocava (ou melhor tentava tocar) numa banda de garagem, de nome Falso Alarme. Os Ritual estavam no auge da sua carreira com "Foram Cardos, Foram Prosas". As condições eram as melhores (se esquecermos o brutamontes do manager dos Ritual) e lembro-me perfeitamente do Fernando Martins e do Paulo Costa se aproximarem de nós para meterem conversa. Achámos aquilo o máximo, claro! Para uma banda que está a começar, poder falar com alguém que está a viver aquilo que nós queríamos viver é algo de brutal em termos psicológicos. A amizade mantém-se até hoje e esta é uma das coisas por que vale a pena viver e estar na música. Lembro-me de ter voltado a sentir isto, já depois de entrar para os UHF, quando fizemos o Miguel Ângelo ao vivo na RTP, cada vez que encontro o Rui Veloso na Diapasão, quando estivemos em Paris com o Rui Reininho, o Miguel Ângelo, o Janelo e a Viviane ou com os Quinta do Bill nos concertos que já fizemos juntos. União entre as pessoas, conversas, almoços, copos, cumplicidades e amizades que se vão fazendo na estrada, que, apesar de não estarmos juntos todos os dias, permanecem. É por isto que vale a pena!
Os Tambor mostram-nos, neste disco, que evoluíram para o bom caminho. O disco tem boas canções, passando por "Lisboa pra Trás", o single radiofónico deste disco, que deveria ter mais expressão no éter nacional, pois é uma excelente canção, a "Mar Sou Azul", onde a banda entra por caminhos experimentais que me agradaram bastante.
A voz de Alex é o grande trunfo desta banda e isso constata-se em "Balada do Amor Morto", o tema que abre o disco. Fadista sensual a cantar canções pop com originalidade e qualidade, numa altura em que a originalidade é parca em novos projectos nacionais.
Os Tambor são uma banda a ter em atenção. O disco "Rádio" é um disco a comprar (disponível nas lojas Fnac).
Esta banda merece uma melhor promoção e uma melhor distribuição, duas coisas a ter em conta nos próximos trabalhos.
Peço desculpa aos Tambor por ter tornado este texto um pouco mais pessoal do que é costume, mas, afinal… é por isto mesmo que vale a pena!
António Côrte-Real
Contactos:
Concertos – Magic Music 21 238 74 40
Mail – magicmusic@netcabo.pt
Site – www.tambor.net
Alex – Voz
Fernando Martins – Guitarras/Teclas
Padi – Baixo
Quimze – Bateria
Quem conhece o Fernando Martins, sabe que o coração é bom e as acções também.
É em pessoas honestas e que, simplesmente, fazem o que gostam que me revejo. O colectivo Tambor é assim… honesto. Tocar pelo prazer é algo que se vê nesta gente boa que conheço e acompanho há uns anos.
O primeiro concerto que dei na minha vida com condições foi uma primeira parte dos Ritual Tejo (entre 90/92 não me recordo bem da data). Estávamos na Escola Secundária de Alfragide, e eu tocava (ou melhor tentava tocar) numa banda de garagem, de nome Falso Alarme. Os Ritual estavam no auge da sua carreira com "Foram Cardos, Foram Prosas". As condições eram as melhores (se esquecermos o brutamontes do manager dos Ritual) e lembro-me perfeitamente do Fernando Martins e do Paulo Costa se aproximarem de nós para meterem conversa. Achámos aquilo o máximo, claro! Para uma banda que está a começar, poder falar com alguém que está a viver aquilo que nós queríamos viver é algo de brutal em termos psicológicos. A amizade mantém-se até hoje e esta é uma das coisas por que vale a pena viver e estar na música. Lembro-me de ter voltado a sentir isto, já depois de entrar para os UHF, quando fizemos o Miguel Ângelo ao vivo na RTP, cada vez que encontro o Rui Veloso na Diapasão, quando estivemos em Paris com o Rui Reininho, o Miguel Ângelo, o Janelo e a Viviane ou com os Quinta do Bill nos concertos que já fizemos juntos. União entre as pessoas, conversas, almoços, copos, cumplicidades e amizades que se vão fazendo na estrada, que, apesar de não estarmos juntos todos os dias, permanecem. É por isto que vale a pena!
Os Tambor mostram-nos, neste disco, que evoluíram para o bom caminho. O disco tem boas canções, passando por "Lisboa pra Trás", o single radiofónico deste disco, que deveria ter mais expressão no éter nacional, pois é uma excelente canção, a "Mar Sou Azul", onde a banda entra por caminhos experimentais que me agradaram bastante.
A voz de Alex é o grande trunfo desta banda e isso constata-se em "Balada do Amor Morto", o tema que abre o disco. Fadista sensual a cantar canções pop com originalidade e qualidade, numa altura em que a originalidade é parca em novos projectos nacionais.
Os Tambor são uma banda a ter em atenção. O disco "Rádio" é um disco a comprar (disponível nas lojas Fnac).
Esta banda merece uma melhor promoção e uma melhor distribuição, duas coisas a ter em conta nos próximos trabalhos.
Peço desculpa aos Tambor por ter tornado este texto um pouco mais pessoal do que é costume, mas, afinal… é por isto mesmo que vale a pena!
António Côrte-Real
Contactos:
Concertos – Magic Music 21 238 74 40
Mail – magicmusic@netcabo.pt
Site – www.tambor.net
8.3.05
Limbo
Volto à carga (há quem não me deixe desistir), após um agradável fim de semana musical. Como foi atempadamente noticiado aqui mesmo no Canal Maldito (obrigado Xinfrim), fomos tocar ao Whisky Bar, ali para os lados de Braga... É incrível o que alguma divulgação pode fazer a um pequeno concerto num bar.
A Rádio Universitária do Minho também apostou na divulgação do evento e assim, aquilo que, nalgumas ocasiões é apenas um concerto num bar, ali torna-se um acontecimento devidamente apoiado e que atrai bastante público. É de facto agradável ser-se recebido daquela forma, arrancar para um bom concerto e ver ainda as reacções do público no fim. E é daqui que parto para o que vai ser o meu tema para este mês. É que o simpático público (aos quais adiciono ainda os donos do bar e outros que entretanto se cruzaram connosco), pede-nos um álbum. Surpreendem-se quando lhes dizemos que não temos. Compreende-se. Para quem não está neste meio, torna-se algo difícil conceber que uma banda que passa na rádio não tenha um álbum.
Pois, mas os The FingerTrips não têm. Para espanto de muito do comum e leigo público, essa é a verdade. Parte estratégia, parte imposição, assim o é. Temos dois singles, com um total de três músicas. Todas elas tiveram relativo sucesso e airplay na rádio, servindo-nos de suporte para o que fazemos mais e melhor: concertos!
Porque não um álbum? Porque não podemos! Temos a música, temos os temas, temos a experiência, temos imensa vontade... mas falta-nos o dinheiro. Faltará até o interesse de editoras, pode-se dizer. Mas a verdade é que, na maioria dos casos hoje em dia, as editoras não suportam a gravação do álbum. Pagam por um master ao invés de investir na sua gravação. Passo a explicar. Em vez de uma editora procurar uma banda, em vez de entrar em negociações com a banda, em vez de dizer "gravem um álbum", em vez de estar inserida nesse projecto de criar e gravar um álbum, ainda que com tempos de estúdio limitados, as editoras reclinam-se nas cadeiras e aguardam que uma banda lhes bata à porta já com o trabalho de estúdio realizado. Aí, se lhes agradar, pagam pelo master, trabalha-se o q tiver que ser trabalhado ainda e comercializa-se.
Não há, então, verdadeiro investimento. Não há um trabalho de semear e tratar para mais tarde colher. Há uma espécie de regar, de vez em quando, e pode ser que saiam dali umas couves ou uma macieira, ou quem sabe, uma roseira.
Provavelmente é só a mim, mas isto não me parece o caminho indicado a seguir. Se uma editora não se envolve e se não investe numa banda na altura das gravações, as bandas que optarem por fazê-lo a solo, vendo-se na indisponibilidade de abrir os cordões à bolsa da forma como uma editora o faria, farão um trabalho menos custoso. E se é certo que por vezes se consegue muita coisa com muito pouco, também é mais que verdade que às vezes não há milagres e o que sai é um trabalho aquém do que poderia ter saído. Quem perde? Arrisco: todos. A banda, porque vê as suas expectativas e o que queria de um trabalho defraudado. O público, porque tem uma percentagem do que podia ter em termos de trabalho e qualidade. E as editoras que, sem um produto consistente, de qualidade, suportado, em termos de gravações, promoção e divulgação, vendem apenas uma fracção do que poderiam vender. Seja. Pelos vistos a solução actual agrada a muita gente, quem sou eu para me meter com eles?
Ficamo-nos assim, pelo menos para já, pelos singles. Dois singles, como disse. Três músicas. Mas são três músicas que soam na quase totalidade como aquilo que nós gostaríamos que soasse. Dedicamos-lhes tempo, todo o (pouco) dinheiro arrecadado dos muitos concertos que temos dado. O nosso retorno? A gratificação pessoal. Temos um trabalho com que nos identificamos, feito com o nosso esforço, quase sozinhos. Temos o que outras bandas, com mais anos de estrada e apoio, por vezes não têm. Temos gente a pedir-nos um álbum, que quer mais música. Temos a vontade do público de ter um pouco mais de nós. Temos concertos como este último, no Whisky Bar. Temos a crítica, que parece, volta e meia, ir acertando quando diz que somos uma originalidade disfarçada de plágio, uns falsos diletantes, uns falsos desinteressados... mas senhores de uma genuína entrega em cima do palco. É isso que queremos ouvir. Foi isso que ouvimos, ainda este sábado.
O futuro? Dependerá do retorno de próximos concertos, da nossa capacidade de trabalhar à noite, depois do pica miolo, e fazer mais músicas, trabalhando-as. Com sorte e algum esforço, aliados a um qualquer empurrãozinho, procuraremos gravar algo mais ambicioso. Na falta disso, provavelmente seguiremos pelo mesmo caminho. Mais um single, mais uma, duas, três músicas. Algo que fique para nós, algo que possamos oferecer ou vender a um preço simbólico a quem vai aos concertos ou a quem cusca por nós na web. Algo que mantenha interessado o público e que sirva de apelo a comparecerem nos concertos.
A alternativa? De momento, a única seria hipotecar o futuro da banda. Ter uma editora a custear-nos um disco, talvez, mas ver-nos na obrigação de dar 10, 20, 30 concertos agendados por esta, com os lucros para esta. E de momento, até por questões profissionais, é-nos impossível ter datas atribuídas sem hipótese de renegociar ou adiar.
O presente? Um limbo. Uns degraus acima de muitas bandas que por aí andam. Estivemos lá, sabemos o que passam, o que representa um concerto, dois... Sabemos o que é fazer uma música do zero, sabemos o que é ter a primeira vitória numa carreira. Sabemos da importância das pequenas coisas que outras bandas não se apercebem. Estamos uns degraus acima desses. Noutra divisão, seja. Mas falta-nos um derradeiro passo para subir um andar inteiro. Para subir de divisão. Estar no mercado. Ter um álbum à venda. É tudo muito bonito, são todos muito amigos, mas chegados a esta questão, as coisas são lineares. Ou se tem ou se não tem. Nós não temos. Talvez nunca venhamos a ter. E por agora, nada mais podemos fazer que esboçar um sorriso e um rabisco sobre a capa de cartão que envolve o último single, quando confrontados com a tal pergunta. O público compreenderá.
PS - Este mês tinha pensado escrever sobre outra coisa... fica ainda assim uma achega. Falo do preço da cultura. Como alguns saberão, saiu esta semana o novo livro do escritor Dan Brown, "Anjos e Demónios". Um livro que no Brasil custa o equivalente a 4 euros, um livro que, em Inglês, o original (e podem encontrá-lo em algumas lojas cá em Portugal) custa 8 euros... é o mesmo livro que, na sua versão Portuguesa custa a pouco módica quantia de 16 euros. Talvez a crueza dos números e da matemática suscite algum comentário a alguns... a mim resta-me a surpresa e a revolta.
A Rádio Universitária do Minho também apostou na divulgação do evento e assim, aquilo que, nalgumas ocasiões é apenas um concerto num bar, ali torna-se um acontecimento devidamente apoiado e que atrai bastante público. É de facto agradável ser-se recebido daquela forma, arrancar para um bom concerto e ver ainda as reacções do público no fim. E é daqui que parto para o que vai ser o meu tema para este mês. É que o simpático público (aos quais adiciono ainda os donos do bar e outros que entretanto se cruzaram connosco), pede-nos um álbum. Surpreendem-se quando lhes dizemos que não temos. Compreende-se. Para quem não está neste meio, torna-se algo difícil conceber que uma banda que passa na rádio não tenha um álbum.
Pois, mas os The FingerTrips não têm. Para espanto de muito do comum e leigo público, essa é a verdade. Parte estratégia, parte imposição, assim o é. Temos dois singles, com um total de três músicas. Todas elas tiveram relativo sucesso e airplay na rádio, servindo-nos de suporte para o que fazemos mais e melhor: concertos!
Porque não um álbum? Porque não podemos! Temos a música, temos os temas, temos a experiência, temos imensa vontade... mas falta-nos o dinheiro. Faltará até o interesse de editoras, pode-se dizer. Mas a verdade é que, na maioria dos casos hoje em dia, as editoras não suportam a gravação do álbum. Pagam por um master ao invés de investir na sua gravação. Passo a explicar. Em vez de uma editora procurar uma banda, em vez de entrar em negociações com a banda, em vez de dizer "gravem um álbum", em vez de estar inserida nesse projecto de criar e gravar um álbum, ainda que com tempos de estúdio limitados, as editoras reclinam-se nas cadeiras e aguardam que uma banda lhes bata à porta já com o trabalho de estúdio realizado. Aí, se lhes agradar, pagam pelo master, trabalha-se o q tiver que ser trabalhado ainda e comercializa-se.
Não há, então, verdadeiro investimento. Não há um trabalho de semear e tratar para mais tarde colher. Há uma espécie de regar, de vez em quando, e pode ser que saiam dali umas couves ou uma macieira, ou quem sabe, uma roseira.
Provavelmente é só a mim, mas isto não me parece o caminho indicado a seguir. Se uma editora não se envolve e se não investe numa banda na altura das gravações, as bandas que optarem por fazê-lo a solo, vendo-se na indisponibilidade de abrir os cordões à bolsa da forma como uma editora o faria, farão um trabalho menos custoso. E se é certo que por vezes se consegue muita coisa com muito pouco, também é mais que verdade que às vezes não há milagres e o que sai é um trabalho aquém do que poderia ter saído. Quem perde? Arrisco: todos. A banda, porque vê as suas expectativas e o que queria de um trabalho defraudado. O público, porque tem uma percentagem do que podia ter em termos de trabalho e qualidade. E as editoras que, sem um produto consistente, de qualidade, suportado, em termos de gravações, promoção e divulgação, vendem apenas uma fracção do que poderiam vender. Seja. Pelos vistos a solução actual agrada a muita gente, quem sou eu para me meter com eles?
Ficamo-nos assim, pelo menos para já, pelos singles. Dois singles, como disse. Três músicas. Mas são três músicas que soam na quase totalidade como aquilo que nós gostaríamos que soasse. Dedicamos-lhes tempo, todo o (pouco) dinheiro arrecadado dos muitos concertos que temos dado. O nosso retorno? A gratificação pessoal. Temos um trabalho com que nos identificamos, feito com o nosso esforço, quase sozinhos. Temos o que outras bandas, com mais anos de estrada e apoio, por vezes não têm. Temos gente a pedir-nos um álbum, que quer mais música. Temos a vontade do público de ter um pouco mais de nós. Temos concertos como este último, no Whisky Bar. Temos a crítica, que parece, volta e meia, ir acertando quando diz que somos uma originalidade disfarçada de plágio, uns falsos diletantes, uns falsos desinteressados... mas senhores de uma genuína entrega em cima do palco. É isso que queremos ouvir. Foi isso que ouvimos, ainda este sábado.
O futuro? Dependerá do retorno de próximos concertos, da nossa capacidade de trabalhar à noite, depois do pica miolo, e fazer mais músicas, trabalhando-as. Com sorte e algum esforço, aliados a um qualquer empurrãozinho, procuraremos gravar algo mais ambicioso. Na falta disso, provavelmente seguiremos pelo mesmo caminho. Mais um single, mais uma, duas, três músicas. Algo que fique para nós, algo que possamos oferecer ou vender a um preço simbólico a quem vai aos concertos ou a quem cusca por nós na web. Algo que mantenha interessado o público e que sirva de apelo a comparecerem nos concertos.
A alternativa? De momento, a única seria hipotecar o futuro da banda. Ter uma editora a custear-nos um disco, talvez, mas ver-nos na obrigação de dar 10, 20, 30 concertos agendados por esta, com os lucros para esta. E de momento, até por questões profissionais, é-nos impossível ter datas atribuídas sem hipótese de renegociar ou adiar.
O presente? Um limbo. Uns degraus acima de muitas bandas que por aí andam. Estivemos lá, sabemos o que passam, o que representa um concerto, dois... Sabemos o que é fazer uma música do zero, sabemos o que é ter a primeira vitória numa carreira. Sabemos da importância das pequenas coisas que outras bandas não se apercebem. Estamos uns degraus acima desses. Noutra divisão, seja. Mas falta-nos um derradeiro passo para subir um andar inteiro. Para subir de divisão. Estar no mercado. Ter um álbum à venda. É tudo muito bonito, são todos muito amigos, mas chegados a esta questão, as coisas são lineares. Ou se tem ou se não tem. Nós não temos. Talvez nunca venhamos a ter. E por agora, nada mais podemos fazer que esboçar um sorriso e um rabisco sobre a capa de cartão que envolve o último single, quando confrontados com a tal pergunta. O público compreenderá.
PS - Este mês tinha pensado escrever sobre outra coisa... fica ainda assim uma achega. Falo do preço da cultura. Como alguns saberão, saiu esta semana o novo livro do escritor Dan Brown, "Anjos e Demónios". Um livro que no Brasil custa o equivalente a 4 euros, um livro que, em Inglês, o original (e podem encontrá-lo em algumas lojas cá em Portugal) custa 8 euros... é o mesmo livro que, na sua versão Portuguesa custa a pouco módica quantia de 16 euros. Talvez a crueza dos números e da matemática suscite algum comentário a alguns... a mim resta-me a surpresa e a revolta.
7.3.05
Novidade dos UHF
Enquanto não nos chegam os novos textos de António Côrte-Real e de António Manuel Ribeiro podemos aproveitar para conhecer um pouco do próximo trabalho "Há Rock no Cais". No "ponto de escuta" criado no site encontramos 8 excertos de temas do novo disco a ser editado proximamente.
MUSA#7 - Envio de maquetas
A partir do dia 1 de Março até dia 29 de Abril, as bandas interessadas em participar na 7ª edição do Festival MUSA, devem enviar as suas maquetas - com pelo menos 4 músicas - em formato CD, para Rua José Carlos Ary dos Santos, Lt. 57, 1º Dto., 2775-590 Carcavelos (recomenda-se que consultem o regulamento).
As inscrições estão abertas a todas as bandas amadoras de todo o país e de todos os estilos musicais, com disponibilidade para actuar nos dias 1 e 2 de Julho em Carcavelos. O resultado da selecção de bandas será divulgado no nosso site pela organização no dia 16 de Maio.
De forma a dar um maior apoio às bandas nesta fase de envio de maquetas, a Câmara Municipal de Cascais em parceria com a Criativa abre as portas do projecto "Armazéns de Sons". Esta iniciativa permite a todas as bandas gravarem a sua maqueta num estúdio profissional de som com uma promoção muito apelativa - nas primeiras 15 horas de gravação as bandas dispõem de um desconto de 50%, ficando a utilização do estúdio a 5 euros por hora. Para ficares a saber mais informações clica aqui.
Regulamento em:
www.criativa.org
As inscrições estão abertas a todas as bandas amadoras de todo o país e de todos os estilos musicais, com disponibilidade para actuar nos dias 1 e 2 de Julho em Carcavelos. O resultado da selecção de bandas será divulgado no nosso site pela organização no dia 16 de Maio.
De forma a dar um maior apoio às bandas nesta fase de envio de maquetas, a Câmara Municipal de Cascais em parceria com a Criativa abre as portas do projecto "Armazéns de Sons". Esta iniciativa permite a todas as bandas gravarem a sua maqueta num estúdio profissional de som com uma promoção muito apelativa - nas primeiras 15 horas de gravação as bandas dispõem de um desconto de 50%, ficando a utilização do estúdio a 5 euros por hora. Para ficares a saber mais informações clica aqui.
Regulamento em:
www.criativa.org
Mais música nacional!
"A Minha Fender é Melhor do que a Tua!"
(De Segunda a Sexta entre as 14h e as 15h)
Radio Universitária do Minho (Braga) 97.5 fm
OS 20 TEMAS MAIS TOCADOS NO MÊS DE FEVEREIRO 2005
* Umpletrue - Pink Eyes
* Pluto - Sexo Mono
* Humanos - Na Lama
* The Astonishing Urbana Fall - Hearsay Evidence
* Bandex - Chico Bam Bam
* The Gift - You Know
* Funami - Happy Dog
* Umeed - The Pretender
* Hipnotica - Hell's Kitchen
* The Symphonyx - Winter Fall
* Ölga - Money
* Jorge Cruz - Adriana
* Dead Combo - Cacto
* Mão Morta - Sobe, Querida, Desce
* Expensive Soul - As Minhas Palavras
* Snuffle - Shine
* Wray Gunn - All Night Long
* Complicado - For You To Dance
* Human Cycle - Thrilling Ride
* Quinteto Tati - Um Fado Qualquer
por: Vitor Pinto
Contactos: fender@tugamail.com ou Apartado 557 * 4750 Barcelos
(De Segunda a Sexta entre as 14h e as 15h)
Radio Universitária do Minho (Braga) 97.5 fm
OS 20 TEMAS MAIS TOCADOS NO MÊS DE FEVEREIRO 2005
* Umpletrue - Pink Eyes
* Pluto - Sexo Mono
* Humanos - Na Lama
* The Astonishing Urbana Fall - Hearsay Evidence
* Bandex - Chico Bam Bam
* The Gift - You Know
* Funami - Happy Dog
* Umeed - The Pretender
* Hipnotica - Hell's Kitchen
* The Symphonyx - Winter Fall
* Ölga - Money
* Jorge Cruz - Adriana
* Dead Combo - Cacto
* Mão Morta - Sobe, Querida, Desce
* Expensive Soul - As Minhas Palavras
* Snuffle - Shine
* Wray Gunn - All Night Long
* Complicado - For You To Dance
* Human Cycle - Thrilling Ride
* Quinteto Tati - Um Fado Qualquer
por: Vitor Pinto
Contactos: fender@tugamail.com ou Apartado 557 * 4750 Barcelos
6.3.05
Santos da Casa prepara compilação online
O Santos da Casa - o mais antigo programa de rádio inteiramente dedicado à música portuguesa - está a preparar uma compilação que vai comemorar os 19 anos da Rádio Universidade de Coimbra com 19 temas de bandas/artistas. Esta compilação vai estar mais tarde disponível na página da RUC para download.
As bandas ou os artistas a título individual devem enviar dois cd’s com música, junto com fotos e biografia ambos em suporte digital para:
Apartado 4053
3031–901 Coimbra
O prazo termina a 15 de Abril de 2005.
A partir do momento em que a compilação estiver online na página da RUC, vai ser aberta uma votação para o melhor dos temas, ao longo de dois meses. As 3 bandas mais votadas vão depois ser convidadas a tocar no mítico corredor da RUC, sendo o concerto transmitido em directo pelo Santos da Casa e disponibilizado também ele futuramente na página da Rádio Universidade de Coimbra.
Santos da Casa: Diariamente entre as 19h e as 20h na antena dos 107.9FM, Fausto Silva e Nuno Ávila numa viagem de uma hora pela música portuguesa.
http://santosdacasa.blogspot.com
Mais informações: santosdacasa@ruc.pt
As bandas ou os artistas a título individual devem enviar dois cd’s com música, junto com fotos e biografia ambos em suporte digital para:
Apartado 4053
3031–901 Coimbra
O prazo termina a 15 de Abril de 2005.
A partir do momento em que a compilação estiver online na página da RUC, vai ser aberta uma votação para o melhor dos temas, ao longo de dois meses. As 3 bandas mais votadas vão depois ser convidadas a tocar no mítico corredor da RUC, sendo o concerto transmitido em directo pelo Santos da Casa e disponibilizado também ele futuramente na página da Rádio Universidade de Coimbra.
Santos da Casa: Diariamente entre as 19h e as 20h na antena dos 107.9FM, Fausto Silva e Nuno Ávila numa viagem de uma hora pela música portuguesa.
http://santosdacasa.blogspot.com
Mais informações: santosdacasa@ruc.pt
2.3.05
Quero crescer mas não tenho espaço.
Lisboa. Capital das decisões, do emprego ou da falta dele, das ilusões e do lazer, dos negócios e da cultura, capital de um país onde tudo se passa e onde o tudo sabe tanto a pouco. A música moderna portuguesa assiste, infelizmente, a um vazio crescente, ao fim de um misticismo próprio que desde os anos 80 a rodeou tornando-a apelativa, curiosa e viva. Os rituais de um qualquer dia, que cercavam os "apaixonados" e os conduziam a lugares mágicos de criação, deixaram de existir. A proximidade entre as luzes da ribalta e os seus aspirantes acabou, tornando o fosso ainda maior. Estou a falar, claro, de sítios como o "Rock Rendez-Vous" ou o "Johnny Guitar", exemplos mais gritantes da cultura rock urbana nacional. Tenho saudades da frequência com que ia ver um concerto de uma banda do Porto, outra de Coimbra, uma de Almada ou de Setúbal, dos contactos trocados, dos jantares com a "malta" antes dos concertos, dos grupos de amigos à porta para entrar, dos charros feitos em vão de escadas, das conversas sobre música, da "vedeta" que subia a rua e cumprimentava um de nós por sorte. Sinto falta das salas escuras, do palco pequeno, da expectativa e do nervosismo, dos punks e dos metálicos, dos vanguardas e dos betos, da crítica e das palmas, tudo misturado sem se saber muitas das vezes a quem atribuir rótulos. Essa pluralidade era rica e motivava. Apesar dos escassos locais sentia-se que algo fervilhava, que o interesse era grande e que o sonho que cada um de nós tinha valia a pena ser alimentado. Hoje em dia, o que é que temos? Bares e bares, ao lado uns dos outros, a servir as mesmas bebidas, a vender o mesmo tabaco e a alimentar poses e vaidades às mesmas pessoas. Nada de novo. Bandas de originais? Nem pensar, afasta a clientela, dizem. E como assim acontece nesta bela localidade à beira-rio plantada, resta a quem ainda gosta realmente de criar música, de fazer rock, resignar-se às salas de ensaio e aos concursos utópicos de música moderna portuguesa que dão direito à primeira parte, ao palco secundário do festival XPTO, ao contrato discográfico que fica na gaveta ou ao anúncio para vender telemóveis. É assim que se quer fazer carreira? É incrível que não haja uma única sala de espectáculos em Lisboa dedicada à música moderna portuguesa, gerida por pessoas credíveis, que possa seleccionar, calendarizar e receber bandas de todo o país, um sítio que servisse de montra aos críticos, ao A&Rs, aos managers, aos homens da rádio. Um espaço onde as pessoas se pudessem conhecer, trocar ideias e maquetes, falar de música, dos problemas e das soluções. Em Lisboa, existem centenas de espaços vazios à espera de dias melhores que poderiam ser aproveitados em prol dos jovens, da cultura, da música. Derrapagens de milhões de euros em "casas da música" e afins, para além de revelarem incompetência, são autênticos travões ao desenvolvimento de largos milhares, onde me incluo, que gostavam de crescer. Mas infelizmente, parece que não há espaço para nós.
Ulisses
Ulisses
The FingerTrips - Ao Vivo
SÁBADO, 5 DE MARÇO 23.00H
WHISKY BAR PRADO – BRAGA
Depois do bem sucedido single de estreia, "Mr.Freddy" que levou a banda a colocar-se no meio da nova música portuguesa, bem como a percorrer palcos do norte a sul do País, os THE FINGERTRIPS acabaram o ano de 2004 com o lançamento de um novo single promocional.
"Whisky" o tema escolhido continua a reflectir toda a atitude da banda... uma excelente e contagiante música feita a pensar na diversão de quem ouve... uma melodia e execução talhada para sorrir... para dançar... para sentir o corpo a balançar.
No próximo sábado dia 5 de Março, este tema entre outros fará parte do espectáculo a apresentar no WHISKY BAR, em Vila do Prado – Braga e as primeiras 20 pessoas a comprar bilhete serão contempladas com o referido single.
WHISKY BAR PRADO – BRAGA
Depois do bem sucedido single de estreia, "Mr.Freddy" que levou a banda a colocar-se no meio da nova música portuguesa, bem como a percorrer palcos do norte a sul do País, os THE FINGERTRIPS acabaram o ano de 2004 com o lançamento de um novo single promocional.
"Whisky" o tema escolhido continua a reflectir toda a atitude da banda... uma excelente e contagiante música feita a pensar na diversão de quem ouve... uma melodia e execução talhada para sorrir... para dançar... para sentir o corpo a balançar.
No próximo sábado dia 5 de Março, este tema entre outros fará parte do espectáculo a apresentar no WHISKY BAR, em Vila do Prado – Braga e as primeiras 20 pessoas a comprar bilhete serão contempladas com o referido single.
1.3.05
Noites Bastardas – Real Feytoria
Março 2005
Alvaro Costa (Dj Set) – Sexta 04 Março (00.30)
Same Size (Acustico) – Sabado 05 Março (23.00) – Jovem trio de Riba D´Ave em busca da cover perfeita.
Sinergias Xoné (Dj Set) – Sexta 11 Março (00.30)
Funky Fever – Sábado 12 Março (23.30) – Colectivo praticante de versões electro-soul-disco-funk para fazer a noite bulir!!!
Boite Zuleika – Sábado 19 Março (23.30) – Foram os vencedores do concurso para
novas bandas organizado pela Antena 3. O disco esta aí...cuidado com cão!
Orangotang - 25 de Março (23.30)
Depois do EP «Factory Songs», este grupo de Mondim de Basto praticamente de um
pop-rock certeiro, apresenta-se no Real para desvendar material do novo disco
prestes a ser editado.
Half Baked - 26 de Março (23.30)
"No Brain Punk Party Rock"...pela primeira vez na Invicta um colectivo de Paços
de Ferreira que promete uma real grande festa de punk rock.
...be there, be REAL!!!
Isidro Lisboa
Alvaro Costa (Dj Set) – Sexta 04 Março (00.30)
Same Size (Acustico) – Sabado 05 Março (23.00) – Jovem trio de Riba D´Ave em busca da cover perfeita.
Sinergias Xoné (Dj Set) – Sexta 11 Março (00.30)
Funky Fever – Sábado 12 Março (23.30) – Colectivo praticante de versões electro-soul-disco-funk para fazer a noite bulir!!!
Boite Zuleika – Sábado 19 Março (23.30) – Foram os vencedores do concurso para
novas bandas organizado pela Antena 3. O disco esta aí...cuidado com cão!
Orangotang - 25 de Março (23.30)
Depois do EP «Factory Songs», este grupo de Mondim de Basto praticamente de um
pop-rock certeiro, apresenta-se no Real para desvendar material do novo disco
prestes a ser editado.
Half Baked - 26 de Março (23.30)
"No Brain Punk Party Rock"...pela primeira vez na Invicta um colectivo de Paços
de Ferreira que promete uma real grande festa de punk rock.
...be there, be REAL!!!
Isidro Lisboa
16.2.05
Há Rock "à UHF"
...depois de uma Ópera Rock auto-biográfica ("La Pop End Rock"), os UHF regressam a um disco que promete repetir o espírito de "À Flor da Pele"...
A apresentação do novo disco será realizada amanhã, dia 17 de Fevereiro, em concerto ao vivo, a partir das 16 horas, na mítica sala da Incrível Almadense (Almada). O espectáculo será transmitido em directo através do programa da Antena 1, "Viva a Música", e estamos todos convidados a assistir... se possível ao "vivo e a cores".
O novo CD, com um título bem esgalhado e muito ao jeito de AMR - "Há Rock no Caís" - chega às lojas já em 14 de Março. "Matas-me com o teu olhar", o primeiro avanço promocional do CD, tem sido escutado na Antena 3, ao longo dos últimos meses, e constituiu um dos maiores êxitos nos concertos de 2004 da banda de António Manuel Ribeiro, Ivan Cristiano, Fernando Rodrigues e António Côrte Real.
A apresentação do novo disco será realizada amanhã, dia 17 de Fevereiro, em concerto ao vivo, a partir das 16 horas, na mítica sala da Incrível Almadense (Almada). O espectáculo será transmitido em directo através do programa da Antena 1, "Viva a Música", e estamos todos convidados a assistir... se possível ao "vivo e a cores".
O novo CD, com um título bem esgalhado e muito ao jeito de AMR - "Há Rock no Caís" - chega às lojas já em 14 de Março. "Matas-me com o teu olhar", o primeiro avanço promocional do CD, tem sido escutado na Antena 3, ao longo dos últimos meses, e constituiu um dos maiores êxitos nos concertos de 2004 da banda de António Manuel Ribeiro, Ivan Cristiano, Fernando Rodrigues e António Côrte Real.
7.2.05
Apresentação de "A Minha Fender É Melhor Do Que A Tua"
A Rádio Universitária do Minho (Braga), 97.5 FM dedica uma hora diária (entre as 14 H e as 15H) à música nacional (desde as bandas conhecidas às bandas que se querem dar a conhecer), no programa “A Minha Fender É Melhor Do Que A Tua”, a cargo de Vítor Pinto (Pitchy).
O Canal Maldito passa a apresentar mensalmente a lista dos 20 temas mais passados. A ideia é chamar a atenção e dar destaque a alguma música que se vai fazendo por cá! Para os mais curiosos, para os mais ousados... ;)
- OS 20 TEMAS MAIS TOCADOS NO MÊS DE JANEIRO 2005 -
* U-Clic - Europa 2.0.0.4.
* Umpletrue - N.Y.
* Interm Ission - Mary Hold On (Stylish Version)
* The Legendary Tiger Man - Your Life is a Lie (Electrical Plaza remix)
* Dance Damage - Dream a Litle Bore Now
* Micro Audio Waves - Escape From Albania
* Pluto - Segue-me á Luz
* Os Seis Graus de Separação - Corpos Esbeltos
* Bizarra Locomotiva - Fantasma
* Starlux - Skud
* Umeed - What To Do With You
* Sloppy Joe - Flic Flac Circus
* Dazkarieh - Bulkai
* Teresa Gabriel - Hope in Your Eyes
* The Gift - Cube
* Danças Ocultas - Fantasia
* The Swan Songs - Skinny (you never come for me)
* Bola de Cristal - Sei Que Este Ano Não te Vais Esquecer de Mim
* Smartini - Sugartrain
* Zen - Harvey Keitel
por: Vitor Pinto
O Canal Maldito passa a apresentar mensalmente a lista dos 20 temas mais passados. A ideia é chamar a atenção e dar destaque a alguma música que se vai fazendo por cá! Para os mais curiosos, para os mais ousados... ;)
- OS 20 TEMAS MAIS TOCADOS NO MÊS DE JANEIRO 2005 -
* U-Clic - Europa 2.0.0.4.
* Umpletrue - N.Y.
* Interm Ission - Mary Hold On (Stylish Version)
* The Legendary Tiger Man - Your Life is a Lie (Electrical Plaza remix)
* Dance Damage - Dream a Litle Bore Now
* Micro Audio Waves - Escape From Albania
* Pluto - Segue-me á Luz
* Os Seis Graus de Separação - Corpos Esbeltos
* Bizarra Locomotiva - Fantasma
* Starlux - Skud
* Umeed - What To Do With You
* Sloppy Joe - Flic Flac Circus
* Dazkarieh - Bulkai
* Teresa Gabriel - Hope in Your Eyes
* The Gift - Cube
* Danças Ocultas - Fantasia
* The Swan Songs - Skinny (you never come for me)
* Bola de Cristal - Sei Que Este Ano Não te Vais Esquecer de Mim
* Smartini - Sugartrain
* Zen - Harvey Keitel
por: Vitor Pinto
3.2.05
Dar a volta ao texto
Estou convicto, de que, os mais cépticos em relação ao Marketing, mais cedo ou mais tarde, irão concordar que o seu papel assume cada vez maior importância, no que respeita à divulgação e, consequentemente, às vendas de um qualquer produto, seja ele de que quadrante for.
Quem fica extraordinariamente transtornado quando se diz que "há quem venda discos como quem vende champôs" é bom que não fique, até porque, há muitos mais discos à venda no mercado do que champôs, o que torna a concorrência substancialmente maior. Mas, é preciso que fique bem claro, de que, estamos apenas a analisar a questão comercial, não o conteúdo, como é óbvio. O "leve dois pague um", o "leve uma caixinha com 4 álbuns pelo preço de dois" ou o álbum com o DVD extra de oferta que, na realidade, não tem interesse para nada, é um apelo frequente e talvez necessário, infelizmente.
Porém, mesmo assim não chega. Não chega porque o nosso poder de compra é baixo, não chega porque os preços das obras musicais são exageradamente elevados, não chega porque a taxa de I.V.A. imposta não nos reconhece como agentes culturais, o que é uma ofensa.
Contornar a situação é necessário, até porque nós, portugueses, somos pródigos na arte de subverter as regras em proveito próprio. Tendo em conta que as vantagens em editar discos através de editoras são cada vez menores, que os talentos da música portuguesa são os mesmos de há 15 ou 20 anos atrás e que a aposta nos novos valores é sofrível, feita com pequenas sobras calculadas ao cêntimo, o melhor mesmo, para quem começa ou tem apenas 1 ou 2 discos que quase ninguém conhece, continua a ser as edições de autor, mas feitas de outra forma. Pondo de lado as questões de produção e de gravação, porque toda a gente sabe que com pouco dinheiro se consegue obter um trabalho de excelente qualidade, é fundamental colocar o trabalho à venda a um preço que todos os que se interessam possam pagar. Como é que fazemos isso? Contornando o I.V.A. Será que uma banda não pode editar um livro com meia dúzia de páginas com fotografias, letras, o que for, e anunciar que o livro vem com um disco de oferta? Se calhar é uma boa forma de colocar nas lojas 1.000 livros (mil discos) por um preço bastante mais baixo e de promover um trabalho que, de outra forma, ficaria a ganhar pó no armazém ou passaria despercebido no meio de tantos outros discos. É uma ideia que fica.
Ulisses
Quem fica extraordinariamente transtornado quando se diz que "há quem venda discos como quem vende champôs" é bom que não fique, até porque, há muitos mais discos à venda no mercado do que champôs, o que torna a concorrência substancialmente maior. Mas, é preciso que fique bem claro, de que, estamos apenas a analisar a questão comercial, não o conteúdo, como é óbvio. O "leve dois pague um", o "leve uma caixinha com 4 álbuns pelo preço de dois" ou o álbum com o DVD extra de oferta que, na realidade, não tem interesse para nada, é um apelo frequente e talvez necessário, infelizmente.
Porém, mesmo assim não chega. Não chega porque o nosso poder de compra é baixo, não chega porque os preços das obras musicais são exageradamente elevados, não chega porque a taxa de I.V.A. imposta não nos reconhece como agentes culturais, o que é uma ofensa.
Contornar a situação é necessário, até porque nós, portugueses, somos pródigos na arte de subverter as regras em proveito próprio. Tendo em conta que as vantagens em editar discos através de editoras são cada vez menores, que os talentos da música portuguesa são os mesmos de há 15 ou 20 anos atrás e que a aposta nos novos valores é sofrível, feita com pequenas sobras calculadas ao cêntimo, o melhor mesmo, para quem começa ou tem apenas 1 ou 2 discos que quase ninguém conhece, continua a ser as edições de autor, mas feitas de outra forma. Pondo de lado as questões de produção e de gravação, porque toda a gente sabe que com pouco dinheiro se consegue obter um trabalho de excelente qualidade, é fundamental colocar o trabalho à venda a um preço que todos os que se interessam possam pagar. Como é que fazemos isso? Contornando o I.V.A. Será que uma banda não pode editar um livro com meia dúzia de páginas com fotografias, letras, o que for, e anunciar que o livro vem com um disco de oferta? Se calhar é uma boa forma de colocar nas lojas 1.000 livros (mil discos) por um preço bastante mais baixo e de promover um trabalho que, de outra forma, ficaria a ganhar pó no armazém ou passaria despercebido no meio de tantos outros discos. É uma ideia que fica.
Ulisses
2.2.05
AFP: TOP 30 ARTISTAS - SEMANA 05/2005
No top semanal de vendas da AFP encontramos 10 projectos musicais nacionais nos 30 primeiros.
2º HUMANOS (P) - HUMANOS (CAPITOL/EMI-VC)
4º O OUTRO LADO - PATRICIA CANDOSO (FAROL MUSICA)
7º AM-FM (OU) - THE GIFT (LA FOLIE RECORDS/UNIVERSAL)
11º OLHAR EM FRENTE (P) - BETO (FAROL MUSICA)
14º AMOR SEM LIMITES (OU) - MARCO PAULO (ZONA MUSICA)
16º CINEMA (OU) - RODRIGO LEAO (COLUMBIA/SONY BMG)
17º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL)
19º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
20º TUDO BEM (PR) - JOÃO PEDRO PAIS (POPULAR/VC)
27º ULISSES - CRISTINA BRANCO (EMARCY/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
2º HUMANOS (P) - HUMANOS (CAPITOL/EMI-VC)
4º O OUTRO LADO - PATRICIA CANDOSO (FAROL MUSICA)
7º AM-FM (OU) - THE GIFT (LA FOLIE RECORDS/UNIVERSAL)
11º OLHAR EM FRENTE (P) - BETO (FAROL MUSICA)
14º AMOR SEM LIMITES (OU) - MARCO PAULO (ZONA MUSICA)
16º CINEMA (OU) - RODRIGO LEAO (COLUMBIA/SONY BMG)
17º VAGABUNDO POR AMOR (P) - TONY CARREIRA (ESPACIAL)
19º RE-DEFINIÇÕES (P) - DA WEASEL (CAPITOL/EMI-VC)
20º TUDO BEM (PR) - JOÃO PEDRO PAIS (POPULAR/VC)
27º ULISSES - CRISTINA BRANCO (EMARCY/UNIVERSAL)
(PR)-Prata (OU)-Ouro (P)-Platina (2P)-Dupla Platina (3P)-Tripla Platina
Dados: AFP/Copyright AC Nielsen Portugal
28.1.05
Um Balanço de Dois Mil e Quatro
Um porque é o meu, porque é o meu neste momento, porque é o meu neste Canal, em jeito de monólogo… E é difícil para mim limitar um sem número de momentos, diluídos em 366 dias de um ano, onde convivi de diversas formas com a música: fui a concertos (bastantes), ouvi rádio, fiz os meus downloads, escrevi e conversei à volta do tema, cantarolei,… a umas dúzias de linhas... consciente de que alguns ficarão inevitavelmente omissos...
2004 pessoalmente marcou-me, e para começar pela casa, pelo início desta colaboração… Um esforço concreto na promoção da nossa música, pelo debate de ideias, em conjunto com uma excelente equipa, e com todos a quem ela chegou.
Depois, 2004 marcou-me pelos concertos! Foram muitos os espectáculos que tive oportunidade de assistir! Desde bandas desconhecidas, outras a insurgirem-se, até às de carreira. Conheci novos espaços dedicados às bandas, revisitei outros… requintados, de lama, a música serve-se em muitos palcos… E este rodeio não é por acaso! Inevitavelmente, o “alive” afectou a minha avaliação dos álbuns ou EPs que foram lançados, que fui ouvindo, parcial ou integralmente!
Há bandas que tenho de referir!! Bandas como Clã, que lançam o seu Rosa Carne e fazem mexer o chão em Vilar de Mouros! Os Wray Gun, numa categoria diferente com Eclesiastes 1.11! Bons álbuns a produzirem excelentes actuações! A fazerem acontecer o que eu designo de “público”!
Depois, destacaria os X-Wife, com Feeding the Machine. Um excelente trabalho, distante de qualquer referência nacional, com um timing muito feliz, a surgir e a catapultar-se para o exterior! Comemorou-se o 10º Aniversário dos Blind Zero numa festa fantástica no Hard Club, entre inúmeros convidados de luxo! Os Zen apresentam Rules Jewels Fools, um álbum que me desiludiu um bocadinho… porque ao vivo é muito bom! Os Gift lançaram AM/FM, um álbum que me agradou muito. Tive pena de não assistir a nenhum espectáculo deles!
Três projectos muito distintos a fazerem-se ouvir nas playstations com muita receptividade: Gomo e o seu Best Of, os Loto e Club, e os Toranja com Esquissos. Três “novidades”, com grande qualidade, para fracções mais heterogéneas! O primeiro, talvez mais comercial. Os segundos com uma fórmula simples e uma presença em palco fantástica! Os rapazes são simpáticos, vibram e vivem os momentos da própria música! Os Toranja, ficaram por ver, mas sem dúvida será difícil ficar-se indiferente às letras das músicas e à crueza tocante que a voz consegue produzir na harmonia do instrumental… As expectativas que deixam são muitas!!
Bunnyrunch!! Não tive oportunidade de ouvir qualquer formato gravado mas nem preciso! Vi-os em palco!! E… adorei! A energia que transmitem é estonteante, a música é muito boa! No entusiasmo, comprava o cd!! (Coisa que cada vez faço menos! Decididamente as coisas não estão para isso! Tão fácil fazer downloads, escolher o que se quer e gravar com a qualidade digital!)
Há ainda que falar do Nus de Mão Morta. Um trabalho que se destaca na carreira da banda, com uma estética reveladora que em momento algum coloca em causa o pragmatismo da identidade da formação.
Os Xutos, não vi! Ouvi o Ai se Ele Cai e O Mundo ao Contrário umas vezes valentes na rádio e ficou por aí! Os Xutos continuam os Xutos, e 2004 não foi ano de um particular motivo de destaque! Continuaram a aparecer nas Queimas, até porque ainda há tradições que continuam a ser o que eram! (E ainda bem!)
Quero falar dos Plaza, com o seu Meeting Point, que provavelmente não serão mais do que uma visita interessante de uma existência breve, mas que deram a 2004 um contributo muito positivo!
Tivemos ainda Jorge Palma que lança o fantástico Norte e Rodrigo Leão com o seu Cinema. Os Mesa com o álbum homónimo, que com Rodrigo Leão, surgem na lista dos melhores de 2004 da Billboard.
Tenho de referir ainda os Fingertrips, que percorreram o país de lés a lés, os Loosers, os U-Clic, Quetzal’s Feather (uma banda de garagem que lança o seu álbum em edição de autor), os Renderfly, Slimmy, Alla Polaca, Fat Freddy, Dealema,… Foi o esforço de muitos (com ou sem lançamentos) que fizeram de 2004 um ano de música nacional!
Serão muitos mais ainda os que não referi… mas o “meu” balanço foi em grande parte sustentado pelo meu “walking around”! A todos deixo os meus parabéns! Porque todos sabemos que o mundo da música é fantástico, mas muito complicado! Com melhores ou piores resultados, mais ao gosto de uns que de outros, com dias mais promissores e outros mais desoladores,… a música aconteceu!
E 2005 está aí! Enjoy it! O Canal Maldito vai continuar a ser um espaço para a nossa música! I’ll be walking around…
Walkgirl
2004 pessoalmente marcou-me, e para começar pela casa, pelo início desta colaboração… Um esforço concreto na promoção da nossa música, pelo debate de ideias, em conjunto com uma excelente equipa, e com todos a quem ela chegou.
Depois, 2004 marcou-me pelos concertos! Foram muitos os espectáculos que tive oportunidade de assistir! Desde bandas desconhecidas, outras a insurgirem-se, até às de carreira. Conheci novos espaços dedicados às bandas, revisitei outros… requintados, de lama, a música serve-se em muitos palcos… E este rodeio não é por acaso! Inevitavelmente, o “alive” afectou a minha avaliação dos álbuns ou EPs que foram lançados, que fui ouvindo, parcial ou integralmente!
Há bandas que tenho de referir!! Bandas como Clã, que lançam o seu Rosa Carne e fazem mexer o chão em Vilar de Mouros! Os Wray Gun, numa categoria diferente com Eclesiastes 1.11! Bons álbuns a produzirem excelentes actuações! A fazerem acontecer o que eu designo de “público”!
Depois, destacaria os X-Wife, com Feeding the Machine. Um excelente trabalho, distante de qualquer referência nacional, com um timing muito feliz, a surgir e a catapultar-se para o exterior! Comemorou-se o 10º Aniversário dos Blind Zero numa festa fantástica no Hard Club, entre inúmeros convidados de luxo! Os Zen apresentam Rules Jewels Fools, um álbum que me desiludiu um bocadinho… porque ao vivo é muito bom! Os Gift lançaram AM/FM, um álbum que me agradou muito. Tive pena de não assistir a nenhum espectáculo deles!
Três projectos muito distintos a fazerem-se ouvir nas playstations com muita receptividade: Gomo e o seu Best Of, os Loto e Club, e os Toranja com Esquissos. Três “novidades”, com grande qualidade, para fracções mais heterogéneas! O primeiro, talvez mais comercial. Os segundos com uma fórmula simples e uma presença em palco fantástica! Os rapazes são simpáticos, vibram e vivem os momentos da própria música! Os Toranja, ficaram por ver, mas sem dúvida será difícil ficar-se indiferente às letras das músicas e à crueza tocante que a voz consegue produzir na harmonia do instrumental… As expectativas que deixam são muitas!!
Bunnyrunch!! Não tive oportunidade de ouvir qualquer formato gravado mas nem preciso! Vi-os em palco!! E… adorei! A energia que transmitem é estonteante, a música é muito boa! No entusiasmo, comprava o cd!! (Coisa que cada vez faço menos! Decididamente as coisas não estão para isso! Tão fácil fazer downloads, escolher o que se quer e gravar com a qualidade digital!)
Há ainda que falar do Nus de Mão Morta. Um trabalho que se destaca na carreira da banda, com uma estética reveladora que em momento algum coloca em causa o pragmatismo da identidade da formação.
Os Xutos, não vi! Ouvi o Ai se Ele Cai e O Mundo ao Contrário umas vezes valentes na rádio e ficou por aí! Os Xutos continuam os Xutos, e 2004 não foi ano de um particular motivo de destaque! Continuaram a aparecer nas Queimas, até porque ainda há tradições que continuam a ser o que eram! (E ainda bem!)
Quero falar dos Plaza, com o seu Meeting Point, que provavelmente não serão mais do que uma visita interessante de uma existência breve, mas que deram a 2004 um contributo muito positivo!
Tivemos ainda Jorge Palma que lança o fantástico Norte e Rodrigo Leão com o seu Cinema. Os Mesa com o álbum homónimo, que com Rodrigo Leão, surgem na lista dos melhores de 2004 da Billboard.
Tenho de referir ainda os Fingertrips, que percorreram o país de lés a lés, os Loosers, os U-Clic, Quetzal’s Feather (uma banda de garagem que lança o seu álbum em edição de autor), os Renderfly, Slimmy, Alla Polaca, Fat Freddy, Dealema,… Foi o esforço de muitos (com ou sem lançamentos) que fizeram de 2004 um ano de música nacional!
Serão muitos mais ainda os que não referi… mas o “meu” balanço foi em grande parte sustentado pelo meu “walking around”! A todos deixo os meus parabéns! Porque todos sabemos que o mundo da música é fantástico, mas muito complicado! Com melhores ou piores resultados, mais ao gosto de uns que de outros, com dias mais promissores e outros mais desoladores,… a música aconteceu!
E 2005 está aí! Enjoy it! O Canal Maldito vai continuar a ser um espaço para a nossa música! I’ll be walking around…
Walkgirl
26.1.05
Terceira Via - preparação
Conjuntura pessoal
Curiosamente começo a escrever-vos esta crónica no dia em que deixo o éter. Uma pausa, para já, em oito anos de rádio a nível profissional. Penso lançar-me em novas aventuras em breve. Tinha saudades de ver o Canal Maldito mais participado, uma saudação a todos.
A Música no virar da folha do calendário
Já faz algum tempo que ando às voltas a pensar nas músicas de 2004 de que haveria de falar. A conclusão é sempre a mesma, falo daqueles a que tive acesso, ainda que mais por falta de tempo e desleixo na pesquisa de nichos.
Num ano inteiro de análise de música, à parte das que acabaram por tocar ou rodar mais, pouco veio parar em cima da mesma secretária, onde, entre outras coisas, se tentou pressionar pelo aumento do tempo de antena para a música portuguesa. Que não se conseguiu muito também é verdade. Recebi Starvan e etiqueta Transformadores . Projectos com algum cuidado de produção, com garra e vontade. Devem ser direccionados, e foram-no, para estações com objectivos mais ligados à divulgação de música nova e com abordagens mais pesadas, menos soft /comerciais. É assim que as coisas funcionam, mas mais importante do que isso é dizer que há alguém que ouve, analisa e, por vezes, a maior parte delas, dá-lhe aplicação nos sítios indicados, onde é mais útil, sobretudo pela sua divulgação. Esclarecidas estas questões, importantes, falemos então dos que tocaram e perfeitamente passáveis, até pelo mundo soft que pretende em primeiro lugar a sobrevivência e claro, o lucro, nada de novo, portanto.
Começo pelos Xutos, a banda não se reinventou a si mesma, seria se calhar pedir demasiado. Industrializou-se, quem sabe. O primeiro single de melodia a puxar ao orelhudo e mais pesado não conseguiu compatibilizar melodia e letra. Abaixo do que em tempos fizeram os Xutos. O Mundo ao Contrário atamancou a coisa e é claramente superior ao primeiro single, o resto do disco, de tal não rezará a história da música em Portugal, imagino.
Os Mesa continuam o seu caminho e penso que já fazem parte do lote de grupos que veio para ficar. O trabalho superou o nome, a luz foi mais do que vaga, experimentalismo controlado mas criativo.
Os UHF. Recebi Matas-me Com o Teu Olhar das mãos do meu colega Nelson Miguel. Duas faixas para a mesma canção, qualquer delas tocável em rádio multi- formato. A primeira mais eléctrica, a segunda surpreendeu pelo arranjo de cordas e que toca ouvir a qualquer tempo, sobretudo – opinião muito própria- quando as estrelas povoam o céu de negro azulado. E tão simples quanto isto, uma frase de refrão e está tudo fortemente dito, Matas-me Com o Teu Olhar. Duas abordagens diferentes e sentidas para quem gosta e continua a acreditar que há rock, seja onde for. Também estão, chamo-lhe assim ainda que soe a frio, cumpridos os requisitos para que a rádio a toque, nada foi mal feito na produção deste primeiro avanço. Agora é com outro departamento...
The Gift. Teimam em elevar Alcobaça a potência musical. Antes digo, que independentemente da língua em que se canta – sendo que gosto mais do português – o que é importante é que as canções despertem emoções e Driving You Slow cumpre.
Toranja e Gomo, espero pelas próximas incursões para, mais solidamente, opinar sobre o fio condutor dos projectos. Para já, os primeiros têm força de palavras e o segundo a bendita melodia orelhuda e criatividade de imagem, até ver.
Da Weasel, o mundo hip hop / black music separou o trigo do joio e a ceara mostrou-se farta, com presença e boa produção a apoiar. Serve de exemplo mesmo a outros géneros de cantar em português ou de portugueses.
João Pedro Pais sabe o que faz. Rodeia-se de grandes produtores, de uns quantos músicos e algo de audível, vendável e meritório surge. Mais pelo conjunto e forma de trabalhar do que propriamente pela mensagem que transmite.
Uma lufada de ar fresco já às baixas do ano, os Humanos, o projecto resulta, com três grandes participações, em espectro muito alargado, tendo a função fundamental de não nos deixar ficar sem conhecer as obras que Variações ainda compôs. Já chegam as obras que poderiam ter sido trazidas à luz do dia por aqueles que partiram e que teriam composto melodias que por nós agora seriam trauteadas. Sobre essas nem vale a pena pensar.
O ano de música foi muito mais do que isto, falei de discos que me chegaram às mãos, que ouvi, que comprei, ou que o acesso foi facilitado de modo a poder dar atenção. Uma visão necessariamente subjectiva e mais focada em canções do que em discos. Respondi ao desafio de falar sobre a nossa música no ano que passou. Pessoalmente prefiro apontar o discurso para a frente. As outras bandas e os artistas em geral não tiveram muita exposição este ano, e pouco interessa apontar culpas, até porque provavelmente serão bem repartidas.
Da próxima vez fala-se de um mundo que pode ser ainda mais mágico, na medida em que está casado à música. Telefonias alerta.
Saudações a todos e... não desistam! Temos força...
Bruno G Pereira
Curiosamente começo a escrever-vos esta crónica no dia em que deixo o éter. Uma pausa, para já, em oito anos de rádio a nível profissional. Penso lançar-me em novas aventuras em breve. Tinha saudades de ver o Canal Maldito mais participado, uma saudação a todos.
A Música no virar da folha do calendário
Já faz algum tempo que ando às voltas a pensar nas músicas de 2004 de que haveria de falar. A conclusão é sempre a mesma, falo daqueles a que tive acesso, ainda que mais por falta de tempo e desleixo na pesquisa de nichos.
Num ano inteiro de análise de música, à parte das que acabaram por tocar ou rodar mais, pouco veio parar em cima da mesma secretária, onde, entre outras coisas, se tentou pressionar pelo aumento do tempo de antena para a música portuguesa. Que não se conseguiu muito também é verdade. Recebi Starvan e etiqueta Transformadores . Projectos com algum cuidado de produção, com garra e vontade. Devem ser direccionados, e foram-no, para estações com objectivos mais ligados à divulgação de música nova e com abordagens mais pesadas, menos soft /comerciais. É assim que as coisas funcionam, mas mais importante do que isso é dizer que há alguém que ouve, analisa e, por vezes, a maior parte delas, dá-lhe aplicação nos sítios indicados, onde é mais útil, sobretudo pela sua divulgação. Esclarecidas estas questões, importantes, falemos então dos que tocaram e perfeitamente passáveis, até pelo mundo soft que pretende em primeiro lugar a sobrevivência e claro, o lucro, nada de novo, portanto.
Começo pelos Xutos, a banda não se reinventou a si mesma, seria se calhar pedir demasiado. Industrializou-se, quem sabe. O primeiro single de melodia a puxar ao orelhudo e mais pesado não conseguiu compatibilizar melodia e letra. Abaixo do que em tempos fizeram os Xutos. O Mundo ao Contrário atamancou a coisa e é claramente superior ao primeiro single, o resto do disco, de tal não rezará a história da música em Portugal, imagino.
Os Mesa continuam o seu caminho e penso que já fazem parte do lote de grupos que veio para ficar. O trabalho superou o nome, a luz foi mais do que vaga, experimentalismo controlado mas criativo.
Os UHF. Recebi Matas-me Com o Teu Olhar das mãos do meu colega Nelson Miguel. Duas faixas para a mesma canção, qualquer delas tocável em rádio multi- formato. A primeira mais eléctrica, a segunda surpreendeu pelo arranjo de cordas e que toca ouvir a qualquer tempo, sobretudo – opinião muito própria- quando as estrelas povoam o céu de negro azulado. E tão simples quanto isto, uma frase de refrão e está tudo fortemente dito, Matas-me Com o Teu Olhar. Duas abordagens diferentes e sentidas para quem gosta e continua a acreditar que há rock, seja onde for. Também estão, chamo-lhe assim ainda que soe a frio, cumpridos os requisitos para que a rádio a toque, nada foi mal feito na produção deste primeiro avanço. Agora é com outro departamento...
The Gift. Teimam em elevar Alcobaça a potência musical. Antes digo, que independentemente da língua em que se canta – sendo que gosto mais do português – o que é importante é que as canções despertem emoções e Driving You Slow cumpre.
Toranja e Gomo, espero pelas próximas incursões para, mais solidamente, opinar sobre o fio condutor dos projectos. Para já, os primeiros têm força de palavras e o segundo a bendita melodia orelhuda e criatividade de imagem, até ver.
Da Weasel, o mundo hip hop / black music separou o trigo do joio e a ceara mostrou-se farta, com presença e boa produção a apoiar. Serve de exemplo mesmo a outros géneros de cantar em português ou de portugueses.
João Pedro Pais sabe o que faz. Rodeia-se de grandes produtores, de uns quantos músicos e algo de audível, vendável e meritório surge. Mais pelo conjunto e forma de trabalhar do que propriamente pela mensagem que transmite.
Uma lufada de ar fresco já às baixas do ano, os Humanos, o projecto resulta, com três grandes participações, em espectro muito alargado, tendo a função fundamental de não nos deixar ficar sem conhecer as obras que Variações ainda compôs. Já chegam as obras que poderiam ter sido trazidas à luz do dia por aqueles que partiram e que teriam composto melodias que por nós agora seriam trauteadas. Sobre essas nem vale a pena pensar.
O ano de música foi muito mais do que isto, falei de discos que me chegaram às mãos, que ouvi, que comprei, ou que o acesso foi facilitado de modo a poder dar atenção. Uma visão necessariamente subjectiva e mais focada em canções do que em discos. Respondi ao desafio de falar sobre a nossa música no ano que passou. Pessoalmente prefiro apontar o discurso para a frente. As outras bandas e os artistas em geral não tiveram muita exposição este ano, e pouco interessa apontar culpas, até porque provavelmente serão bem repartidas.
Da próxima vez fala-se de um mundo que pode ser ainda mais mágico, na medida em que está casado à música. Telefonias alerta.
Saudações a todos e... não desistam! Temos força...
Bruno G Pereira
21.1.05
O Balanço
O ano foi fértil. De consagrados a novas ideias tivemos discos para todos os gostos.
Sabemos que a crise está instalada, temos noção dos sucessivos erros cometidos nesta indústria e, claro que com um governo que teima em não baixar os impostos sabemos que também a estupidez se encontra enraizada. Não esqueçamos que, para os senhores que fazem a dança das cadeiras da assembleia da república, a música Portuguesa não é cultura…
Mesmo assim houve editoras que arriscaram, houve músicos que deram tudo e apareceram novas carreiras no ano de 2004. Toranja, Gomo, Grace, X-Wife, Loto, Pluto, Aside, Easyway, entre outros, fizeram-no.
Tivemos o regresso de bandas com carreiras recentes que voltaram com segundos ou terceiros discos como os Yellow W Van, Fonzie, Plástica, Legendary Tiger Man, os dois últimos via Blitz numa iniciativa de grande importância que esperemos continue a dar oportunidades aos novos.
Dos consagrados chegaram-nos discos de Sérgio Godinho, Clã, Xutos e Pontapés, Da Weasel, Jorge Palma, Quinta do Bill, Mão Morta, The Gift, João Pedro Pais, Peste&Sida…
Devemos salientar o esforço de editoras como a Universal que, dos 8 projectos novos de que aqui falo, editou 4 sendo os Toranja uma das bandas do ano, com vendas superiores a 20.000 unidades. Os Toranja são um caso exemplar de como promover uma banda. Meses e meses a fio a apostar no primeiro single (2003) até o sucesso ser alcançado e depois cimentado com o segundo single (2004). Já lá vai o tempo em que se apostava num segundo e até num terceiro single se os dois primeiros não resultassem…
Hoje em dia a dificuldade que as editoras encontram em conseguir que os seus artistas passem nas rádios faz com que desistam cedo. A história mostra-nos como as coisas devem ser feitas, portanto pergunto o porquê de se mudar o que estava bem? Pergunto porque é que as rádios não passam música Portuguesa e porque é que as editoras não insistem mais? As culpas dividem-se, na minha opinião.
Ainda da Universal chega também a filosofia no preço apelativo para os discos de bandas novas. Como exemplo tivemos os Toranja, Yellow W Van ou Pluto a custarem entre os 12.5€ e os 13.5€. Parece-me correcto, não só por serem artistas novos que se querem impor no mercado mas sobretudo por este me parecer um preço justo para um disco seja ele de quem for. Se fizermos as contas e simular-mos o IVA a 4%, como os nossos vizinhos Espanhóis fazem, podem ter uma ideia de quanto poderia estar a custar um disco em Portugal.
Ainda no capítulo das bandas novas, devo dizer que o disco “The Red Light Underground” dos Plástica foi, para mim, o melhor disco da música Portuguesa de 2004. Esta foi a pérola que o Blitz me proporcionou este ano e 7.5€ foi o preço de venda deste trabalho editado pela Metronomo que agora pode ser encontrado nas lojas a 9€/10€.
O Natal trouxe-nos, como habitual, uma série de discos novos e uma “carrada” de colectâneas que até chateia! No capítulo das novas edições tenho de destacar o trabalho dos Humanos onde são retratadas as canções que António Variações não editou. É um grande disco, são grandes canções, o António Variações é grande e a Manuela Azevedo, o Camané e o David Fonseca acompanham-no nessa grandeza.
Entre os consagrados, temos os Da Weasel, um dos mais sólidos projectos nacionais, que tem expandido o seu culto de uma forma brutal. 40.000 discos vendidos em 2004 e 20.000 DVDs (ter em atenção que as vendas continuam a crescer), num grande exemplo de investimento de carreira feito pela EMI; os Xutos que nem por sombras me surpreenderam com o novo “O Mundo ao Contrário” mas que me alimentam a chama nos concertos ao vivo e que lançaram uma caixa com todos os singles da sua carreira (feito inédito em Portugal) sendo este documento uma prenda de Natal fabulosa para qualquer fã da banda; os Quinta do Bill voltaram com um disco ao vivo onde mostram os melhores temas da sua carreira e os Gift que acompanho, não por gostar da música que fazem, porque não gosto, mas pelo exemplo que são de construção e investimento próprio e auto-suficiente de carreira. Os Gift estão “à frente” nesta matéria e acredito que será por esta lógica que vai passar o futuro da música Portuguesa.
Espero que a descoberta de novos artistas continue em 2005 e se alargue a todas as editoras. Espero que as independentes tenham um papel cada vez mais importante e que essa importância se veja em percentagens de vendas.
Deixo aqui uma sugestão para os independentes: bons discos têm sido lançados, quer por editoras independentes, quer por artistas em edições de autor. Alguns desses trabalhos nem têm chegado às lojas pois não basta ter uma boa capa, um bom grupo de canções e um som profissional. É também preciso encontrar uma boa distribuidora e contratar um promotor independente. Não é caro mas é preciso saber procurar, saber o que se está a fazer e com quem se está a fazer. Se tiveres uma banda e não chegares lá sozinho, não tenhas medo e procura o conselho de um amigo que ande há mais tempo nestas andanças. O partilhar de informação e a entreajuda fazem a diferença!
Ter em atenção que o facto de não gostar de um ou outro disco, não faz com que o mesmo não tenha qualidade! Apenas não gosto. Sei que não estão habituados a ler este tipo de palavras escritas por mim mas acho que já está na altura de deixar de falar apenas bem e só de quem gosto e passar a falar do que existe, quer goste ou não, e construtivamente apontar as minhas razões. Desculpem-me os não mencionados mas seria impossível alongar-me de forma a falar de toda a gente, até porque não ouvi todos os discos editados em 2004, e por isso ficam os exemplos que me parecem pertinentes.
A todos um grande ano de 2005!
António Côrte-Real
Sabemos que a crise está instalada, temos noção dos sucessivos erros cometidos nesta indústria e, claro que com um governo que teima em não baixar os impostos sabemos que também a estupidez se encontra enraizada. Não esqueçamos que, para os senhores que fazem a dança das cadeiras da assembleia da república, a música Portuguesa não é cultura…
Mesmo assim houve editoras que arriscaram, houve músicos que deram tudo e apareceram novas carreiras no ano de 2004. Toranja, Gomo, Grace, X-Wife, Loto, Pluto, Aside, Easyway, entre outros, fizeram-no.
Tivemos o regresso de bandas com carreiras recentes que voltaram com segundos ou terceiros discos como os Yellow W Van, Fonzie, Plástica, Legendary Tiger Man, os dois últimos via Blitz numa iniciativa de grande importância que esperemos continue a dar oportunidades aos novos.
Dos consagrados chegaram-nos discos de Sérgio Godinho, Clã, Xutos e Pontapés, Da Weasel, Jorge Palma, Quinta do Bill, Mão Morta, The Gift, João Pedro Pais, Peste&Sida…
Devemos salientar o esforço de editoras como a Universal que, dos 8 projectos novos de que aqui falo, editou 4 sendo os Toranja uma das bandas do ano, com vendas superiores a 20.000 unidades. Os Toranja são um caso exemplar de como promover uma banda. Meses e meses a fio a apostar no primeiro single (2003) até o sucesso ser alcançado e depois cimentado com o segundo single (2004). Já lá vai o tempo em que se apostava num segundo e até num terceiro single se os dois primeiros não resultassem…
Hoje em dia a dificuldade que as editoras encontram em conseguir que os seus artistas passem nas rádios faz com que desistam cedo. A história mostra-nos como as coisas devem ser feitas, portanto pergunto o porquê de se mudar o que estava bem? Pergunto porque é que as rádios não passam música Portuguesa e porque é que as editoras não insistem mais? As culpas dividem-se, na minha opinião.
Ainda da Universal chega também a filosofia no preço apelativo para os discos de bandas novas. Como exemplo tivemos os Toranja, Yellow W Van ou Pluto a custarem entre os 12.5€ e os 13.5€. Parece-me correcto, não só por serem artistas novos que se querem impor no mercado mas sobretudo por este me parecer um preço justo para um disco seja ele de quem for. Se fizermos as contas e simular-mos o IVA a 4%, como os nossos vizinhos Espanhóis fazem, podem ter uma ideia de quanto poderia estar a custar um disco em Portugal.
Ainda no capítulo das bandas novas, devo dizer que o disco “The Red Light Underground” dos Plástica foi, para mim, o melhor disco da música Portuguesa de 2004. Esta foi a pérola que o Blitz me proporcionou este ano e 7.5€ foi o preço de venda deste trabalho editado pela Metronomo que agora pode ser encontrado nas lojas a 9€/10€.
O Natal trouxe-nos, como habitual, uma série de discos novos e uma “carrada” de colectâneas que até chateia! No capítulo das novas edições tenho de destacar o trabalho dos Humanos onde são retratadas as canções que António Variações não editou. É um grande disco, são grandes canções, o António Variações é grande e a Manuela Azevedo, o Camané e o David Fonseca acompanham-no nessa grandeza.
Entre os consagrados, temos os Da Weasel, um dos mais sólidos projectos nacionais, que tem expandido o seu culto de uma forma brutal. 40.000 discos vendidos em 2004 e 20.000 DVDs (ter em atenção que as vendas continuam a crescer), num grande exemplo de investimento de carreira feito pela EMI; os Xutos que nem por sombras me surpreenderam com o novo “O Mundo ao Contrário” mas que me alimentam a chama nos concertos ao vivo e que lançaram uma caixa com todos os singles da sua carreira (feito inédito em Portugal) sendo este documento uma prenda de Natal fabulosa para qualquer fã da banda; os Quinta do Bill voltaram com um disco ao vivo onde mostram os melhores temas da sua carreira e os Gift que acompanho, não por gostar da música que fazem, porque não gosto, mas pelo exemplo que são de construção e investimento próprio e auto-suficiente de carreira. Os Gift estão “à frente” nesta matéria e acredito que será por esta lógica que vai passar o futuro da música Portuguesa.
Espero que a descoberta de novos artistas continue em 2005 e se alargue a todas as editoras. Espero que as independentes tenham um papel cada vez mais importante e que essa importância se veja em percentagens de vendas.
Deixo aqui uma sugestão para os independentes: bons discos têm sido lançados, quer por editoras independentes, quer por artistas em edições de autor. Alguns desses trabalhos nem têm chegado às lojas pois não basta ter uma boa capa, um bom grupo de canções e um som profissional. É também preciso encontrar uma boa distribuidora e contratar um promotor independente. Não é caro mas é preciso saber procurar, saber o que se está a fazer e com quem se está a fazer. Se tiveres uma banda e não chegares lá sozinho, não tenhas medo e procura o conselho de um amigo que ande há mais tempo nestas andanças. O partilhar de informação e a entreajuda fazem a diferença!
Ter em atenção que o facto de não gostar de um ou outro disco, não faz com que o mesmo não tenha qualidade! Apenas não gosto. Sei que não estão habituados a ler este tipo de palavras escritas por mim mas acho que já está na altura de deixar de falar apenas bem e só de quem gosto e passar a falar do que existe, quer goste ou não, e construtivamente apontar as minhas razões. Desculpem-me os não mencionados mas seria impossível alongar-me de forma a falar de toda a gente, até porque não ouvi todos os discos editados em 2004, e por isso ficam os exemplos que me parecem pertinentes.
A todos um grande ano de 2005!
António Côrte-Real
18.1.05
O comentário dos comentários
Nem pântano nem confusão
Um blogue não é mais do que um espaço de café (sem cheiro e sem fumo) onde se conversa. Não é a primeira vez que o digo, por isso me repito.
Em verdade, um texto que procurava reforçar o meu ódio de estimação ao marquetingue e a uma sociedade (civil) que nele e dele vive em panaceia perpétua, descambou em obliterações sem nexo.
Apesar de guardar as minhas intervenções cívicas para um outro espaço (http://www.setubalnarede.pt/), vejo-me obrigado a tecer alguns esclarecimentos fora da área meramente musical.
Vivemos tempos de desespero a nível global: dez por cento da humanidade possui noventa por cento da riqueza; o inverso é, notoriamente, verdade, segundo as estatísticas da ONU e da UNESCO.
Nesta sociedade brutalizada por padrões de vida que já não funcionam, assistimos ao estertor da teimosia, e todos, quase todos deambulamos dia a dia, como cavalos de corrida de um mundo que nos tritura.
Não acredito, pela história prática da vida recente, em teorias macroeconómicas; não acredito em taxas de crescimento contínuas; não acredito na mentira como forma de atingir fins, por mais que cantem a sua justeza; não acredito em padrões de vida que simplesmente não funcionam. Acredito que o mundo pode ser diferente, a partir de hoje, pela vontade de cada um.
Ao longo dos anos assisti a justificações atrás de justificações sobre o mercado português do disco. Uma das primeiras a que torci o nariz teve a ver com a redução das cifras para atribuição de discos metalizados: em 1980 “Cavalos de Corrida” foi o primeiro Single de prata do rock português com mais de 30.000 exemplares vendidos; hoje a prata atinge-se à passagem das 10.000 unidades.
Por ventura o tempo deu-me razão. A quantidade de discos de platina que um disco cada vez menos ganha não foi como não é sintoma da saúde do nosso mercado. Tratou-se de uma opção, da qual sempre discordei.
Não escrevi aqui um texto contra a AFP: o que eu quero é ver essa nossa Associação forte e fortalecida. Aliás, sem ser fã da teoria da conspiração (Bush não é o meu presidente), julgo que a AFP limita-se a publicar e chancelar as tabelas que lhe são fornecidas.
IVA
Mas gostaria de ver a AFP a lutar politicamente na Assembleia da República – que grande lição a FNAC nos tem dado – por causa de uma estúpida tabela de IVA sobre o disco e o DVD de 19%: caricatamente, o poema “Rua do Carmo” e outros que gravei, são taxados a 5% de IVA no meu primeiro livro e a 19% nos discos editados.
Ganha o Estado com isto? Claro que não. Ganham os piratas e as feiras de pirataria. Catorze por cento a menos num disco de 15/16 Euros ajudava os mais jovens e menos endinheirados a procurar as obras originais – a cultura fomenta-se assim.
Foi esta a minha luta durante os oito anos em que estive na SPA como director para a música ligeira. Procuraram-se conjugar esforços (GDA, AFP e AFI) mas não se passou daí.
Billboard
Já gosto de muito pouca coisa que os States exportam, tal a confusão em que mergulham o planeta regularmente. Fico-me pela cultura: os livros, a música (sempre) e alguns filmes.
É uma delícia abrir a Billboard e verificar o cuidado que a indústria local (também a passar por uma recessão sem fim à vista) coloca na exposição do seu mercado e do TOP de vendas que corresponde a cada estilo musical. Vale a pena darem uma olhada na NET e perceberão porquê.
Era assim que gostava de viver a minha profissão, num país onde a música tivesse indicadores fiáveis: ganhava a indústria e os seus vários intervenientes.
Dou um exemplo: o nosso CD de 2003 “La Pop End Rock”, vendeu na primeira quinzena cerca de 3.500 exemplares. Como é um disco duplo, a contagem para efeitos de Top multiplicava por dois. Apesar do número ser muito bom nos tempos que correm – estamos a falar de quase 7.000 unidades – nunca entrou para o Top. Porquê?
Os statements recebidos pelo grupo confirmam essas vendas.
Não quero com isto dizer que fomos traumaticamente excluídos, mas apenas anotar que o Top nacional de vendas devia reflectir o que todos os postos de venda efectivamente vendem e não apenas alguns.
A terminar: o by out é uma técnica de vendas como outra qualquer. Arrisca quem pode e quem quer. Não me parece que seja uma forma sólida de encarar o mercado e as suas crises neste país em crise, e só.
Ao senhor que procurou ofender-me apenas um reparo: como figura pública habituei-me a ouvir as maiores barbaridades e os mais rasgados elogios sobre a minha pessoa e a consequente carreira artística. Impropérios e panegíricos não me fizeram nem fazem mudar o rumo.
Apesar de entender, como outros, que desconhece a minha carreira, um reparo: há 30 anos a minha vida centrava-se na Faculdade de Direito de Lisboa e ainda não tinha conseguido o dinheiro suficiente para comprar uma guitarra, o engenho para escrever uma canção, os amigos que fizessem um grupo.
18 de Janeiro de 2005
António Manuel Ribeiro
Um blogue não é mais do que um espaço de café (sem cheiro e sem fumo) onde se conversa. Não é a primeira vez que o digo, por isso me repito.
Em verdade, um texto que procurava reforçar o meu ódio de estimação ao marquetingue e a uma sociedade (civil) que nele e dele vive em panaceia perpétua, descambou em obliterações sem nexo.
Apesar de guardar as minhas intervenções cívicas para um outro espaço (http://www.setubalnarede.pt/), vejo-me obrigado a tecer alguns esclarecimentos fora da área meramente musical.
Vivemos tempos de desespero a nível global: dez por cento da humanidade possui noventa por cento da riqueza; o inverso é, notoriamente, verdade, segundo as estatísticas da ONU e da UNESCO.
Nesta sociedade brutalizada por padrões de vida que já não funcionam, assistimos ao estertor da teimosia, e todos, quase todos deambulamos dia a dia, como cavalos de corrida de um mundo que nos tritura.
Não acredito, pela história prática da vida recente, em teorias macroeconómicas; não acredito em taxas de crescimento contínuas; não acredito na mentira como forma de atingir fins, por mais que cantem a sua justeza; não acredito em padrões de vida que simplesmente não funcionam. Acredito que o mundo pode ser diferente, a partir de hoje, pela vontade de cada um.
Ao longo dos anos assisti a justificações atrás de justificações sobre o mercado português do disco. Uma das primeiras a que torci o nariz teve a ver com a redução das cifras para atribuição de discos metalizados: em 1980 “Cavalos de Corrida” foi o primeiro Single de prata do rock português com mais de 30.000 exemplares vendidos; hoje a prata atinge-se à passagem das 10.000 unidades.
Por ventura o tempo deu-me razão. A quantidade de discos de platina que um disco cada vez menos ganha não foi como não é sintoma da saúde do nosso mercado. Tratou-se de uma opção, da qual sempre discordei.
Não escrevi aqui um texto contra a AFP: o que eu quero é ver essa nossa Associação forte e fortalecida. Aliás, sem ser fã da teoria da conspiração (Bush não é o meu presidente), julgo que a AFP limita-se a publicar e chancelar as tabelas que lhe são fornecidas.
IVA
Mas gostaria de ver a AFP a lutar politicamente na Assembleia da República – que grande lição a FNAC nos tem dado – por causa de uma estúpida tabela de IVA sobre o disco e o DVD de 19%: caricatamente, o poema “Rua do Carmo” e outros que gravei, são taxados a 5% de IVA no meu primeiro livro e a 19% nos discos editados.
Ganha o Estado com isto? Claro que não. Ganham os piratas e as feiras de pirataria. Catorze por cento a menos num disco de 15/16 Euros ajudava os mais jovens e menos endinheirados a procurar as obras originais – a cultura fomenta-se assim.
Foi esta a minha luta durante os oito anos em que estive na SPA como director para a música ligeira. Procuraram-se conjugar esforços (GDA, AFP e AFI) mas não se passou daí.
Billboard
Já gosto de muito pouca coisa que os States exportam, tal a confusão em que mergulham o planeta regularmente. Fico-me pela cultura: os livros, a música (sempre) e alguns filmes.
É uma delícia abrir a Billboard e verificar o cuidado que a indústria local (também a passar por uma recessão sem fim à vista) coloca na exposição do seu mercado e do TOP de vendas que corresponde a cada estilo musical. Vale a pena darem uma olhada na NET e perceberão porquê.
Era assim que gostava de viver a minha profissão, num país onde a música tivesse indicadores fiáveis: ganhava a indústria e os seus vários intervenientes.
Dou um exemplo: o nosso CD de 2003 “La Pop End Rock”, vendeu na primeira quinzena cerca de 3.500 exemplares. Como é um disco duplo, a contagem para efeitos de Top multiplicava por dois. Apesar do número ser muito bom nos tempos que correm – estamos a falar de quase 7.000 unidades – nunca entrou para o Top. Porquê?
Os statements recebidos pelo grupo confirmam essas vendas.
Não quero com isto dizer que fomos traumaticamente excluídos, mas apenas anotar que o Top nacional de vendas devia reflectir o que todos os postos de venda efectivamente vendem e não apenas alguns.
A terminar: o by out é uma técnica de vendas como outra qualquer. Arrisca quem pode e quem quer. Não me parece que seja uma forma sólida de encarar o mercado e as suas crises neste país em crise, e só.
Ao senhor que procurou ofender-me apenas um reparo: como figura pública habituei-me a ouvir as maiores barbaridades e os mais rasgados elogios sobre a minha pessoa e a consequente carreira artística. Impropérios e panegíricos não me fizeram nem fazem mudar o rumo.
Apesar de entender, como outros, que desconhece a minha carreira, um reparo: há 30 anos a minha vida centrava-se na Faculdade de Direito de Lisboa e ainda não tinha conseguido o dinheiro suficiente para comprar uma guitarra, o engenho para escrever uma canção, os amigos que fizessem um grupo.
18 de Janeiro de 2005
António Manuel Ribeiro
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